Escreveu sem rodeios:
O dei O
logo riscou e escreveu por cima:
às vezes quase morro de raiva.
Mas acontece que não morro,
e a raiva passa.
domingo, 11 de março de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Um dia eu acordei e percebi que todas as coisas estavam intactas, mesmo aquelas que a vida teimou em levar, esmaecer ou fazer inútil. Um dia simplesmente, ao abrir os olhos, erguer o corpo dos sonhos, e fazer a vida seguir sua rotina, foi nesse dia, exatamente entre um olhar apressado e outro, frente ao espelho, diante do rosto recém lavado, diante das mesmas olheiras que sempre desejei não ter, ali, tocada pelo prenúncio de mais um dia estrategicamente igual, e não menos apetitoso, percebi que todas as coisas estavam intactas.
Procurei as partes, lacunas, histórias em que participei e nas quais não me deram, afinal, papel nenhum, busquei cada momento em que pensei ter chorado ou me indignado com a ordem escrota da vida, corri os olhos atrás de remorso e desejo de vingança. Não encontrei nada. Mesmo sabendo, mesmo entendendo como tudo até hoje se dera, de fato, como crimes sem autor, já não podia acusar nada nem ninguém de ter um dia me feito mal.
Percebi que as desesperanças que um dia algumas pessoas me trouxeram, fora apenas fruto delas mesmas, que em mim, de fato, nada ficara, que em mim uma poeira, que o vento leva, talvez um dia pousara.
Descobri que o medo, a arrogância e todos os sentimentos que por mim passaram, nada mais foram do que simples arremedos de alguém. E que isso tudo me trouxe um sentimento de jamais ter me sentido tão eu quanto o momento em que percebi que estava intacta.
A plenitude é silêncio guardado dentro da própria compreensão.
Procurei as partes, lacunas, histórias em que participei e nas quais não me deram, afinal, papel nenhum, busquei cada momento em que pensei ter chorado ou me indignado com a ordem escrota da vida, corri os olhos atrás de remorso e desejo de vingança. Não encontrei nada. Mesmo sabendo, mesmo entendendo como tudo até hoje se dera, de fato, como crimes sem autor, já não podia acusar nada nem ninguém de ter um dia me feito mal.
Percebi que as desesperanças que um dia algumas pessoas me trouxeram, fora apenas fruto delas mesmas, que em mim, de fato, nada ficara, que em mim uma poeira, que o vento leva, talvez um dia pousara.
Descobri que o medo, a arrogância e todos os sentimentos que por mim passaram, nada mais foram do que simples arremedos de alguém. E que isso tudo me trouxe um sentimento de jamais ter me sentido tão eu quanto o momento em que percebi que estava intacta.
A plenitude é silêncio guardado dentro da própria compreensão.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
trezedozeonze
eu nunca soube o que esperar
sejam dos dias sejam das tardes
das noites escuras
ou das horas claras
eu nunca soube o que esperar
mesmo quando as coisas eram vastas
estreitas
ou intactas
eu nunca soube o que esperar
pois as horas são altas, curtas ou rápidas
porque tudo muda e nada se altera
eu nunca soube o que esperar
alegria, tristeza, felicidade ou falsidade extrema
eu nunca soube o que esperar que se derrame
do copo, da boca, da alvorada
e mesmo quando soube
nada mudou
tudo foi inexato, sucinto susto da vida
tudo foi como é
um não saber sem fim, um momento antes do vir a ser
as coisas todas, as coisas nenhumas
nada dito antes de estar falado
nada sabido antes de estar feito
nada concluido, tudo intencionado
a vida se impregna de impressões
intuições
o que pode ser sentido
intuido
quase premeditado
como a sensação de dor antes de doer
como o reflexo
sempre ali
antes da vidraça
sempre ali
banhando as formas sem estar em lugar algum de verdade
eu nunca soube o que esperar
seja das pessoas, dos acontecimentos que simulam tudo que pode ser
e ainda assim
todos os dias
hora após hora
por trás de cada segundo expirado
sempre a mesma ideia
algo assim
querendo sentir
perceber
alcançar o sentimento da vida
sem saber
desejando
calando
falando pra dentro de si e de tudo
que o mundo, o momento mudo
as palmas largadas ao redor do nada
são um desejo escuso
disfarçado
e não menos intenso e profundo
que mesmo não se sabendo nada
sempre se espera tudo
sejam dos dias sejam das tardes
das noites escuras
ou das horas claras
eu nunca soube o que esperar
mesmo quando as coisas eram vastas
estreitas
ou intactas
eu nunca soube o que esperar
pois as horas são altas, curtas ou rápidas
porque tudo muda e nada se altera
eu nunca soube o que esperar
alegria, tristeza, felicidade ou falsidade extrema
eu nunca soube o que esperar que se derrame
do copo, da boca, da alvorada
e mesmo quando soube
nada mudou
tudo foi inexato, sucinto susto da vida
tudo foi como é
um não saber sem fim, um momento antes do vir a ser
as coisas todas, as coisas nenhumas
nada dito antes de estar falado
nada sabido antes de estar feito
nada concluido, tudo intencionado
a vida se impregna de impressões
intuições
o que pode ser sentido
intuido
quase premeditado
como a sensação de dor antes de doer
como o reflexo
sempre ali
antes da vidraça
sempre ali
banhando as formas sem estar em lugar algum de verdade
eu nunca soube o que esperar
seja das pessoas, dos acontecimentos que simulam tudo que pode ser
e ainda assim
todos os dias
hora após hora
por trás de cada segundo expirado
sempre a mesma ideia
algo assim
querendo sentir
perceber
alcançar o sentimento da vida
sem saber
desejando
calando
falando pra dentro de si e de tudo
que o mundo, o momento mudo
as palmas largadas ao redor do nada
são um desejo escuso
disfarçado
e não menos intenso e profundo
que mesmo não se sabendo nada
sempre se espera tudo
sábado, 5 de novembro de 2011
O peso do desalívio
Um dia depois de tanto cavar, acabou colecionando pedras.
Outro dia, cansado de só guardar pedras que ninguém mais veria, decidiu-se: calçou os tênis e pôs a roupa mais confortável, assim saiu de casa, sua coleção dentro da mochila. Não importava mais onde fosse: iria jogar pedra no telhado dos outros.
sábado, 22 de outubro de 2011
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
joga joga
curiosa vida, me sinto um tabuleiro sem quadrado, cada um joga o que quer quando quer e que eu que me mantenha firme, continue sendo plataforma paras as peças não cairem.
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