segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

05:36

Não parece mesmo

sábado, 26 de dezembro de 2009
14:03

Talvez eu estivesse me perguntando muitas coisas, talvez eu já tivesse me perguntado demais, tempo demais, sobre coisas demais, de modo que sentia-me tremendamente cansada de perguntas e respostas, desse jogo estúpido de tentar pensar o que o outro pensaria que eu pensei, e oh, baby, eu me sinto tão mal, e isso me deprime - tudo sobre você, as pessoas e as coisas em mim que nunca irão entender. Às vezes é tão complicado ser eu, será que dá pra entender?
"When I pretend everything is what I want it to be (...)
Look back - pedaços de música
Pedaços de mim soando pelas paredes do quarto, ou simplesmente pulsando batidas enquanto caminho pela rua, não vendo, não vendo, seguindo e permanecendo.
Essa porção mímica,
É o que sou?
Eu não sei, continuo sendo pedaços, imaginando que tipo de garota seria, essa, que atravessa a rua, e sorri, e você sorri de volta, que eu sei que você quer. Mas será mesmo eu, essa?
Será eu a garota que você quer?


Cabem aqui ou em algum lugar as palavras que você não diz?
é, eu não tenho como saber, por isso caminho sozinha, tantas paradas, e o quanto eu quero essa garota, iknow, suas perguntas não são diferentes dos meus passos, e ainda assim sou obrigada a dá-los. Está certo isso?
Provavelmente não, mas nós fazemos o que temos que fazer, não é isso?
E é. Temos que viver e tentar não abrir mão dos sonhos e das coisas que queremos ser, wannabe, verdade, eu quero, você quer, e quem não quer?
E lembra da primeira vez que você se encantou comigo falando sobre algo que amo com tanto envolvimento renovado que te tocou?
Minhas pernas moles, tantas horas dançando, simplesmente dançando sem parar, tentando juntar todos esses pedaços de música entre eu e você, e as partes minhas que parecem que nunca irei reaver, e amanhã irá doer, sempre irá doer amanhã, por mais que me jogue na piscina, e passe mais de uma hora sem pensar, apenas fazendo, fazendo o que devo fazer, porque sei o que devo fazer e sentir, doerá, e são tantos os dias de modo que sempre estou dolorida, oh, sim, sempre estou com dor, amor, sempre me dói, e mais uma noite ou dia, e coisas que não deveriam acontecer com pessoas normais, mas oh, elas acontecem comigo, sempre, e não deveriam não é mesmo? Melhor seria se não fossem. Agora é você que está exagerando achando que sou assim. Eu não sou, oh baby, realmente não sou isso, por favor, mate muito dessa garota pra qual você sorri antes de dizer que talvez me ame e tudo ou mais. Porque acabou e eu sei que voce sabe que o que resta agora são ecos e pedaços, por favor não me faça juntá-los, eu me canso em demasia em refazer tudo isso, oh, baby por fazer, não.
Mas eu estou aqui, ainda, pernas moles, sabendo que haverá dor e água, e bem, essa no fim sou eu, a que sabe que dói, mas não desiste de fazer, fazer o que devo fazer, oh baby, me responda - por que eu tenho que doer?
Não tenho tantas angústias como você supõe, porque sempre descubro que não tenho tanto assim do esperado, e ei, você deve perceber o mesmo toda vez que recebe algo que pensou nem chegar perto de conseguir. Mas isso eu sei, ah sim, eu sei, estamos sempre querendo chegar perto do que desejamos, mas quando o toque acontece, ainda temos perguntas sem respostas,
E oh, baby, talvez sempre a tenhamos, e talvez as respostas sempre sejam o toque
E oh
Baby
Talvez eu não queira pensá-las
Se quando eu chegar
Houver um abraço
E uma mão para segurar sem prender
Como um respirar vitalício
E sem entender como, eu consiga cantarolar todos esses pedaços
De música
Sorrisos
Dúvidas
Ausências
Minhas presenças
Chegadas e partidas
Te dou pedaços

Os cante em mim.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

PQ nossos natais nunca mais serão os mesmos! heyho


trilha sonora do meu natal

ou
ou quem sabe band of skulls dps da traição do tom yorke

mas isso não é assunto digno de post [só fique claro que não gostei disso...]
Tou vendo da sacada vem um brilho...
Não pensa muuuu...
FLUSH!

Tentando descobrir coisas de natal [?]
pois é cade ele não viu mais...
[essas coisas sem pontuação me matam, mas tb quem é que tem paciência pra msn?]
ainda mais se os artistas tivessem por ali


é a tinta na parede xD

iiiiiiéeeeeeeeeeeeeeeee 


versos de chantilly
ah, sim, a conta
encerrando esse natal bisonho, já que não acredito mesmo em papai noel


mas o papi neon eu sei que existe

=)


[e foram felizes para sempre]

domingo, 20 de dezembro de 2009

'faz-me falta'

Me sinto andando pelo escuro, atrasada sem hora certa, e algo me diz que enquanto não souber onde quero chegar todas as horas serão as mesmas, iguais, pares de nada, díspares de mim, voltadas para um dentro tão quieto quanto vazio. Pensei em te pedir pra ficar, pensei em te pedir que viesse, pensei em te pedir para surgir, e nunca abri minha boca, nunca escorregou som dos lábios, mordidos, fremidos e imaturos por demais pra dizer simplesmente 'quanta falta tu me faz'
Ás vezes acho que esperei, tento crer que esperei, nutri alguma forma de esperança ou expectativa, que já não era assim tão sem porto, sem saber onde chegar, que tenha esperado tuas palavras, teu riso ou tua voz sem jeito rindo-se nervosa 'também não sei o que te dizer, veja bem', eu espero ter esperado, tua comunicação efêmera perenamente intacta nas vias de mon coeur.
Entende? Eu só quero saber nesse tempo sem hora o que foi enfim que desejei.
Se tua umidade de céu de chuva, se eu e minhas palavras empilhadas em suas caixas de rasa lógica, se solidão, pois continuamos tão sós, e tão só de nós estamos, felizes e tranquilos, sozinhos, minerando um amanhã indizível.
E há também as palavras nas quais não posso entrar, e prefiro deixar-te só, para não te invadir assim a alma com perguntas que mais ou menos já sei onde te levarão, e te amando terminarão por me levar também, guardo teu silêncio, é melhor que te machucar.

arrepiando quando eu desejo um bom dia pra vose..



S de SADIA

                                         acabôsetudo!
explicasao pra minha subita troca de identidade

sao meio estranhos


e comecei a dissertar  por causa  gabi bobalhona!
é q vi uma guria assim
no fim ela ficou toda confusa
q está sem esconderijos

só pra ele né
antes vc,
das grandes armações.
afeta meu respeitavel publico..





Da Série PORQUE NOSSOS NATAIS NUNCA MAIS SERÃO OS MESMOS!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

eu tava dizendo pra ela que não
era lua
noite crua
vendaval oeste
estrela tua
falei pra ela
que a noite lua veio me dizer na rua
coisas tuas

respondo qdo eh pertinente
                  tudo bem ai?
acabo o romance


°ºMontando a arca pro dilúviO°º diz: quantas cabras levar?
diz: Ai, Noé! Não leste as instruções?! Estava tudo escrito...



Leva um casal de cada espécie!

heheheehe
tudo bem?                                         lembra aquela vez que chorei?   
*dê cá um abraço*
'maaaaaaaaaaaeeeeeeeeee aconteceu de novo, to lendo vozes'
vou fingir que não li pra você, mas não vou fingir pra mim que eu não li

vo fica aki
*se demor aé pq sie la.
*nao to aki




*mas logo estarei









quarta-feira, 9 de dezembro de 2009


SEMI, NÃO SE VÁ, SEMI"
"NÃO, DIM, EU TENHO QUE IR, DIM"   

  conte-me seu sonho                    hj sentei no meio fio com os pés na água da rua pra ler    há outras coisas em q os espaços são limitados tb   

métodos surgem até sem querer!   sim, guardo minha alma na bolsa quando saio, pra não perdê-la por aí!  
nossos natais nunca mais serão os mesmos



naaaaaaaaaaaaaaan
puro neon


papai neon pase aqi e deishe um presente pras criansinhas     'por acaso tu não tem um analgesico né?'
   

ai, crime, dano e castigo monetário
e lembra que eu queria um sofá vermelho, que você só queria era dormir em algo confortável, e que eu queria que tudo fosse confortável e bonito aos olhos como ao toque, mas que você sempre preferiu sair andando inquietamente por aí até a vontade te dizer parar, largado, sujo ou limpo, inconsciente no umbigo do mundo, e de cantarolares pelo meu corpo, distraído, procurando os cadarços, e dos risos e coisas contidas, e uma série de pedacinhos que me ocultastes em versos, me dando a mão, o olho uno, o inverno, desejo e todas as passadas questões, dos conhecimentos dos quais falamos, tanto, de tanto jeito, teu olhar em graça, me dizendo 'às vezes assim eu tenho medo, entende?' - e eu te entendendo, e não podendo dizer 'não tenha medo', e as horas que não passavam, preguiçosas, dormindo, todas nossas dúvidas adormecidas, enquanto te seguia o desenho, o do rosto, o torso das mãos, e tua palidez ressonante era líquida feito um incomum instante, e eram tão poucos mas tão muito nos poucos momentos que criamos, e como criamos, meu olho no teu era verso, e teu casaco jogado era prosa, e derramava letras, teu bolso, velejavam tuas coisas de sentimentos e lembranças na pequena nau, mochila, desenhos que revelavam omitindo 'gostou?' - e eu, não, não gostei daquilo, mas teve tanta mais coisa e não coisa, matéria e essência, que eu gostei, e tantas mais bobagens que gostei tanto, roubastes tudo do que quis teu fosse, 

'não entende? eu te daria...'

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

No momento, estou sem palavras
ausente demais até de mim,

nada digo que me acuse, nada nego que me culpe


nada sei do que não direi

escrevo cartas... é isso que sei.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Chove rios, chove a cântaros, de repente cruzo a rua não tendo como ignorar que minhas pernas se ensopam, que as sapatilhas são ilustrativas, e olho e vejo: pancada de chuva de verão. Aliás, pancadas não faltam, cada vez que me bato, batem todos esses cacarecos aqui de dentro, e é uma vontade, um bilhete antigo, poesias esquecidas, palavras, conversas, o cheiro, um cheiro doce de madeira que acaba com o ar, e é eu e meu coração todo aparafusado dessas coisas de pessoas e fatos, e é eu, tentando entender onde começa o você e o eu, olha eu tô tentando, te digo 'olha, eu nunca deixo de tentar.' te digo 'sou teimosa'. E chove, é água demais pra tão pouco caminho, tempo e espaço, e eu já procurei respostas, quieta nas coisas, ou jogando minha voz pelas paredes, não interessa, sou teimosa, sento na cabeceira antes de apagar a luz e escrevo, vou falando assim de tudo um pouco do que deixei e deixaram em mim, te digo 'olha, tô tentando', tentando saber, na ânsia louca de apreender o que quer que seja de sutil que se passa... [hora de ir]

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

saudades, e coisas efêmeras

                                        
                              bobagem

                                sem maldade no coração
é só um sonho

               mas que bom que surgiu assim

                            melhor que vir vestido de fantasma

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

eu nem ia escrever de nada hoje, fora algumas ideias toscas jogadas numa folha naquele momento medonho do intervalo, em que mesmo não tendo nada contra a quem me rodeia, simplesmente desejo ser somente eu e dizer coisas que jamais diria a alguém que obviamente está ocupado em coisas 'mais práticas', e vem cá, tem maior praticidade do que 'ei, você acha que fez a coisa certa pra vida, quer dizer acha que faz o que melhor mantém tua vida seguindo naquele certo que tu achou que um dia ela se pareceria?'
Não, não tem, mas apesar da autocrítica e da filosofia serem coisas extremamente aplicáveis e lógicas, elas parecem ter alguma ruptura mágica com a praticidade e simplesmente não parece legal abordar alguém que está fazendo móh esforço pra ser 'útil' com uma pergunta dessas, que se a pessoa levar o desafio a sério, é bem capaz de se deprimir. Então muito 'utilmente' não falei nada, e segui rabiscando, ando fazendo coisas 'do bem' ultimamente, quer dizer, fazendo mais 'coisas do bem', e isso inclui perder diversão, porque sempre é divertido ver alguém não saber responder algo quando há dois minutos atrás parecia tão convicto.rs...
dae que é tarde, tenho que dormir, mesmo que tenha conseguido folga pra essa tarde, tenho que parar com essa mania de dormir metade da noite no sofá, fazer intervalo na escrita e zumbizar até quase de manhã. Sei que o ideal, Seria, mas enfim, se eu pudesse responder aquela perguntinha lá de antes, diria que não é de hoje que sei que não faço as coisas que sei que deveria, e já me deprimi e des-deprimi por isso =)
mas aí acaba o segredinho de aquela pergunta nem é assim tão vital, vital mesmo é o que a gente sente e faz com a resposta que tem em mãos, no final tudo é um jogo de espelhos próprios e de  como nos vemos refletidos e refletindo...
Se é só um espelho, que face do outro vejo e não sou? Fatos? Ah, sim, mas eu ainda me gosto de saber que muito de feio que vejo, não me é, apenas algo exato de bom em mim me faz ser o espelho ideal pra tal reflexo surgir. Dói? Dói, mas até a dor é temporária no motivo e na constância.

Por fim,



S
de saudade
de nome
de sutil
de soul
de soleil
de silêncios
de sul
S


[t'amo, meu bem]

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

'The changes that have come over me' - Caledonia

Dia que começou bem torto, segunda feira de ressaca, terça feira lerda, saí da cama aos tropeços, procurando o relógio... tocou telefone, todas as coisas decidiram acontecer ao mesmo tempo, ok. Pausa. Olho pro blog 'mas que lixo ando escrevendo' - e embora tenha uso, não me conformo: por onde anda minha cabeça e essa Gabi que não reconheço?
Às vezes parece que tudo que pedi pra acontecer no ano passado, ou no começo desse ano, começou a acontecer por agora: ando calma, calma, até uma bebedeira eu inventei pra ver se deixava essa calmaria toda e essa estrutura pra lá de mental. Funcionou, eu acho...
Acordei recortada, meu humor tá mais leve, e minhas brincadeiras mais audaciosas,já tava com saudades de mim! Acordei aos tropeços, sempre assustada com o horário, mesmo quando não tenho compromisso, as horas sempre me importam, acordei aos tropeços catando tênis, querendo café, falando com o gato, espiando o dia, dando play no pc, vendo e-mails, lembrando de beijos, recordando risadas. Acordei. Parece que acordei em mim, despertei, e já era tempo, tempo de me encontrar no exato ponto que sou: algum momento entre as tardes de vento da primavera e as noites quentes de verão. 
Acordei olhando com menos culpa pra última tela em branco que me resta, imaginando tons de azul e expressões, olhei ao meu redor como se finalmente estivesse pronta pra fazer as mudanças todas que já sabia desejar. Deixei que os momentos viessem como quisessem vir, e os fui vivendo, um a um, nos espaços do dia, assim fui abraçando a noite e me querendo menos vazia, chegaram as mensagens, vieram as palavras, e até quem eu supunha mudo, abriu um sorriso e me fez falar mais do que imaginei ser possível dizer, e fiquei sem jeito, pelas palavras todas, pelas ideias desenhadas, e me veio um vergonha boba de afinal, nem ter feito nada.

Acordei no mesmo dia em que me quero dormindo, catando sonhos, fustigando corações, acordei como quem bem quis solidão alguma, recheada de fatos e carícias, acordei como quem quer abrir a agenda do próximo ano marcando viagens, acordei como quem a anos não se perdoa não ter voltado ao masp, como quem se deve pequenos desejos que não custam mais que uma boa dose de vontade. Acordei pensando nos shows que tenho que ir, acordei lembrando da ilha, e da preguiça fútil que muitas vezes tenho de viajar umas 6h e ter uma bela paisagem pra abrir o olhar, e estender os braços no mar nas manhãs geladas em que simplesmente o sol aparece ilusório no horizonte. Acordei como se soubesse de todos meus erros para com o amor, e ainda assim sorrisse me desculpando porque seguirei amando do meu jeito até encontrar a medida, acordei em paz com todas as desculpas, as pedidas e as que por algum motivo nunca se moveram em meus lábios, acordei podendo esquecer o que antes me pedia para ser lembrado, tranquila porque algumas coisas enfim posso deixar seguir e ser como quiserem seguir sendo. Acordei quite com minhas dores, e até lembrando que muitas foram as que necessárias me deixaram tanto, mesmo tirando muito quando chegaram, lembrei das pessoas que chegaram, e de outras que partiram, e vi um espaço tênue se formando entre aquilo que é e o que já foi, acordei como se tivesse agora no peito, sentindo, todas aquelas coisas, pensamentos e pessoas que por vezes acho, me farão feliz para sempre, das coisas todas que sempre me  arqueiam a sombrancelha e inquietam minha imaginação, como se acordasse no coração com tudo que sei, faz minha alma voar.
Enfim, acordei, e, como é bom, estar enfim desperta.




Bonjour ;D

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

faible, très...

De leve encostei a mão no vidro, frio, contato, fiquei desenhando sem prestar atenção, é o que uso pra pensar, enquanto desenho não preciso ter respostas, não preciso falar, e antes falo tanto comigo enquanto desenho, e é tão estranho estar aberto e fechado ao mesmo tempo... Você fica aí de costas, e embora me tenha dado as costas, eu sei, espera que eu fale, que fale ou diga qualquer coisa, porque você não quer saber o que direi ou do que se trata essa coisa toda, mas ansia com necessidade que eu abra uma fresta por onde consigas esgueirar os braços desastrados e dispendiosos. Não vês quanto tempo e emoções gastas assim, agindo como quem quer me dar as costas e no entanto jamais as dará porque de verdade nunca se moveu? Sim, dispendes sem saber.
Silêncio, desenho, posso advinhar tua respiração cada vez mais irritada, desculpe, possivelmente eu não diga nada, e você saia daqui com uma raiva triplicada, daquelas que só uma boa e curtida nostalgia pode curar.
Eu não sei, enquanto desenho o invísivel na transparência do vidro, percorro ideias, as tidas e as nunca antes ocorridas, lembro de tudo que já te disse, das perguntas todas das quais infantilmente fugistes, correndo pra baixo da cama mais próxima, com medo de responder e doer. Lembro das tuas fugas assim como de tuas vindas e chegadas irradiantes, sorriso na campainha, novidades, sonhos e expectativas, e quase te imaginava com alguma toalha de banho amarrada ao pescoço, uma espada de papel como um infante audacioso, em pés de vento querendo dominar o mundo. Procuro pelas respostas...não as tenho, nunca me destes o que mais avidamente te pedi: me explica como é isso em ti?
Enquanto ranges os dentes, me achando doida, fria, insensível, sem noção - isolada num pedaço de vidro, longe, muito longe da tua necessidade de escravidão. Te enraiveces eu estar longe, te machuca que um vá e outro fique, mas me diz: quando foi que não te estendi a mão a cada nova curva do caminho? Que cansastes, ficastes, deixando para depois, esperando o momento certo. O depois chegou, que você tem em mãos?
Pouco, muito pouco, perto desse teu desespero todo em ser algo, alguém, seguir e costurar o mundo e ir se desistindo e se acreditando a cada sorte ou infortúnio.
Podia, te dar a mão, outra vez, te reter mais com minhas ideias que com tuas realidades duvidosas, eu podia, mas não vou, e isso vai doer, em ti, em mim - que vou sempre me perguntar se errei - mas a gente vive escolhendo no que acreditar, e escolhi que não vai doer, porque nessas estações doidas da vida, enquanto uns vacilam outros acertam, e há sempre o novo e o velho a ser redescoberto, escolhi, assim como ando escolhendo não me deixar assombrar, nem pelos malabaristas de fogo, e nem pelas perdas ou azares.
Sim, tu já dizia: 'só tu mesmo pra levar um disparate desses até o fim.'
Escolhi não me assombrar, que importa se ainda tenho que seguir racionalizando, se tenho meus sentimentos como quem decide quantos cubos de gelo por no copo? Pra me tirar daqui, assombrações já não bastam, medo já não cumpre, não tem dor física ou moral, no que escolhi acreditar é difícil de mexer, da fé a total ingratidão, me dê um sentimento que eu ainda não tenha tido chances de por as mãos.
É, eu bem que imaginei, não tenho nada pra te dizer, nem lamentar ou vociferar, escolhi economizar uns cubos: - 'bate a porta quando sair, por favor?'

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

¿

pluies...


       aujourd'hui
         maintenant
         Que dois-je faire?

              Simple.

                

                  J'aime-vous.  






                                                                                

[chove..][hoje][agora][que faço eu?][simples][t'aime]¿

terça-feira, 17 de novembro de 2009

falar de amor

mesmo agindo como uma pirralha, ela queria falar de amor.
eu não me importava, sei lá. mas não era por isso que as dúvidas iriam deixar de chegar antes que mais perguntas sem respostas também se fossem. Mas será preciso outra para ter um fim?
não sei, e era mesmo preciso sempre me baterem ao invés de me passarem a mão com carinho e me dizerem as coisas baixinho em diminutivo até que eu entendesse o que era bonito?
me acostumei, com as batidas, as fracas e as iradas, as portas, os punhos e a indiferença de cara cerrada, as batidas todas do meu coração em peitos de nuvens e manhãs sem margem, dias, amores, loucuras e tatuagens, escrevia na tela um socorro, escrevia acometida eu mesma de verbos, e tensões que se acumulavam em meus ombros e vazios que levava pra encher com o cansaço de meus próprios pés. em soco, minha mão foi ficando anestesiada e sem perceber, perdi, perdi tanto procurando tudo que meus dedos endureceram os toques mais puros, e fui sangrando até a noite sem encontrar o dia, o dia mágico d'um céu sem desenho que viesse pra curar, pra responder as perguntas, mas então era o sexo, e as palavras, e o ato mudo e fundo, provérbio que me entontecia, sem carinho seria a palavra única que eu conhecia.
teu rosto, só uma face
tua face só um recorte
o recorte tudo que tenho
o que tenho hoje
é o que nunca tive
eu não sei te dizer, tenho medo de não saber o que é teu rosto e te deixar só por puro desconforto.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

[brevemente]

e foi simples assim,
de repente fiquei triste,
de uma tristeza calma e sincera
fiquei chutando pedrinhas imaginárias
balancei a cabeça
não adiantou, a lágrima que tinha nascido não se afastou
ergui o rosto, inspirei
tentei trazer pra dentro algo que ocupasse o espaço que o vazio estava tomando


ar veio, ar se foi
senti frio
quando estou triste sinto frio,
á minutos o vento nem me incomodava
agora busco meus braços, não me sinto
fecho-me
sou um ponto na paisagem nublada da tarde
e como dói
mas por quê?
não consigo entender, e me dói mais ainda não saber
preciso ir
mas não sei mais pra onde
e como sempre, me mantenho
é a postura, a única que tenho
parecendo o que não sou até que eu mesma quase creio
sou um ponto
algo fajuto e mudo
entre um extremo e outro da cidade
caminho e a dor não me deixa
parece pesar um mar na alma
um sal na boca
não seja boba são só lágrimas
e desisto, desisto das compras
das pessoas que pretendia dar um olá


atravesso quadras, cruzo pessoas, sintomas
melanomas do meu olhar
me sinto espremida aqui dentro
dentro das ideias, os sentimentos por vezes
fogem
e rugem
sem que consiga
amestrá-los a tempo
a lógica toda
o senhor tempo
e a inquietação súbita
de quem se vê roubado de si
coração apertado, respirar difícil
lá vou de pulso
impulso
acelera
por Deus
não
pânico na rua, não
espaço que me conforte
entro no primeiro café alheio
três minutos de respiração no banheiro
alívio, dor, derrota
essa frustração que vem toda torta
não me caibo
escrevo, por Deus
escrevo
e sinto
dor.
por quê dói..? e não tem quem responda
não tem porta
esquema
língua
filosofia
e sistema que me diga
que quando dói sou o mais humana de mim que tenho
e me encontro sem, desprovida de sentido, capacidade, conhecimento
vontade
de filtrar a carne
de perfurar, rasgar, cortar
até a dor ir
até a luz me sumir dos olhos como súbito desmaio
me repreendo mentalmente
mas como pode doer tanto?
deixo pedaços pelas ruas
sou toda cacos e ressabios
me doem os sons
me afligem os sustos
vontade de entrar pra baixo do chuveiro e acabar com isso
e mutilar até silenciar
não a mim
mas a essa dor hedionda

e não
e as promessas?
e as coisas todas? e o caminho até então?
e perder
por Deus
me perder
de novo
de tanto doer
a casa cresce
encolho
viro grão
onde estão as coisas todas que me fazem tão bem, tão eu?
a arte, as imagens, as ideias, os livros, mesas de bares, amigos
por Deus,
como eu posso não poder?
tranco a porta do quarto
com medo
medo de mim
das minhas ações
do que não sou capaz de não desejar
mas apenas de conter 
contida
me enfio embaixo das cobertas 
e abafo no travesseiro os berros
da dor
de frio

quero que em algum lugar tudo tenha valido a pena
quero que em algum momento tudo se diga simples de sentido
abandono os planos e as certezas
seguro os braços, prendo minhas mãos longe de mim mesma
eu só preciso sofrer até que a dor se vá
e possa me tocar sem me ameaçar
é só.  momento de uma existência
pego a faca da razão
corto a alma
separo do corpo
morri em sentidos
irei planar até que possa voltar
a ser. ponto.



°°°°petits mots de tous les jours°°°°



e as pessoas e os pedaços de música, poesia de som, palavra de nota composta em cifra - me Acorde
que me ficam ressoando na concha da memória
pra lembrar
e lembrar que preciso esquecer
 
certas músicas
como convém
certas pessoas
como insistem em ser
amando
julgando e jogando 
e por mais parecidas 
que as palavras sejam
que seus sons mentais submetam
são tão diferentes em si
os atos
que essas deixam...


foi quando a porta do quarto abriu, de leve, primeiro uma fresta de frase
'acordada lendo ou dormindo [?] gabi?'
'sonhando acordada que estarei dormindo daqui a dois parágrafos, rs'
e era tão simples não me fechar, e empurrar o sono como tantas outras vezes, 
passam os braços e pernas pela porta, em mãos
aquela forma curva que gosto tanto, sorrio com o canto do olho
'afina?' [nem em sonho, tão desafinada comigo mesma...que sonho]
'ha, sério? nunca vai rolar, mileanos que não encosto num violão.' [resquícios de namoro, instrumentos pelo quarto, festas de quinta a domingo, música ecoando pelos lados, e eu curiosa sempre vendo algo que não é pra ser visto, mas antes sentido: música.]
'ah, consegue sim, é só tu fazer aquilo de ficar brincando, tu faz mais sempre, sempre que senta na sala, antes do house fica dedilhando e nem vê né...[?]'
'ah, mas isso? isso é só mania né.'
'tu me disse que fez faculdade de arte porque tinha mania de desenhar em tudo..'
'mania às vezes rende, mas teu ouvido é melhor que o meu, tenho olhos que funcionam, vivo de ver.
'e sabe escrever, e desenhar e ganhar discussão'
me dou por vencida, discutir quando ia dormir e ainda por cima nua, não dá.
'me joga essa camiseta'
'gabi?'
 

me viro, tempo de ouvir o click da câmera.
'palhaço'
'preguiçosa'
ele fica brincando com a câmera, é estranho como vc pode se ver em outra pessoa com tão pouco tempo para influenciar, ele é ótimo em tudo q toque, sempre penso, 'brinco' como ele mesmo diz, um tempo, me visto, falamos, ele gosta do desenho dos brincos, acha que a orelha são várias bolinhas e 'como é q tu diz mesmo, gabi?' 'elipses'  'é, isso, bolinhas e elipses' e diz ser uma pena a gente não poder se desenhar o tempo [concordo]. sentanda ao sol sem tempo, domingo que serpeja, ouvindo sobre o melhor guitarrista do mundo, segundo ele, solos alucinantes - única pessoa q consegue me fotografar sem que eu sinta vontade de sumir, talvez porque como eu, ele também fique clicando aleatoriamente, dispersando imagens. 
 
senta do meu lado, e fica distraído, se incomoda, levanta, inquieto, nessa sempre insatisfação e falta de foco que a adolescência traz 'vontade mesmo a gente só tem pelo que gosta.' e são tantas as coisas pra gostar, aprender e rejeitar, aprender a gostar e a rejeitar. estranho. somos tão parecidos e tão diferentes, às vezes uma mesma vontade nos junta, e ele passa pela porta do quarto, sempre trazendo alguma coisa que no final não é nada, é um violão que ele quase nunca toca, um skate que só usa pra cruzar o bairro, um filme que pensa que posso gostar, é ficar me perguntando impertinências durante aquela uma hora que fico burra em frente a luz da TV, as fotos que tira são as palavras que não diz, e acho que só eu entendo isso como um 'te amo e gosto de ficar por perto'.
me sinto estranha, às vezes contigo não sei quem sou, não sou tua mãe, mas sou a única que pode te dizer coisas sobre ela, músicas, filmes, histórias de quando eras só um bebê, nem sei quem sou, mas tenho que segurar tua mão, cuidar teus horários, teus modos, e te dizer coisas que nem sempre gosto...
te olho aí inquieto com braços e pernas que parecem ter vontade própria
lembro dela
nem tem como ser diferente, teus traços
cada vez mais fixos a trazem a tona
e por vezes encontro em ti um olhar que tão bem conheço
e te amo, e nem teria como ser diferente
nesse domingo eu percebo que sempre vou amar qualquer coisa que a tenha
um tom de azul de uma blusa
uma tatuagem no pescoço
bolinhas e elipses
e tu
 
meu maior mistério pra descobrir quem sou 
quando estou contigo

e agora não parece mais estranho
essa intimidade nossa
fotografias e noites de pipoca
break e riso, domingos de sol,
 
nossos momentos
nesse domingo percebo
que mesmo sem me saber
nossa história também está sendo escrita
percebo
domingo
que não tem como ser diferente
amarei qualquer coisa tua
presente
ou imaginada
dita
ou apenas mostrada
'mais je n'ais pa su, que ma chanson et faite de tout petits mots, ceux de tous les jours'
eu não sabia, que minha canção era feita de pequenas palavras, essas de todos os dias.
 abre a porta, a gente brinca de ouvir
essas palavras loucas
 

 [estou te escrevendo em mim]







i Sem PingOS