domingo, 30 de agosto de 2009

Catavento°º°º°

E então tem essa menina, e ela é mais nova que eu, e tão intensa como eu fui um dia, e várias vezes eu já quis dizer várias coisas para ela. Como quando a conheci e ela era aquela pessoa parada ali, e estava frio, e desejei profundamente não ser apenas mais uma pessoa na vida dela, eu quis dizer - Olha menina, você tem que me escutar, além de ser linda, você é foda, é fera, firme, humor dilacerante, desculpa eu sou maluca, eu nunca fui você um dia, nem quero, e também não quero ter você, e pouco me importa se o mundo não te der razão, se você for engolida nessa pátria de muitos, nação de alguns, estado calamitoso de todos. Mas menina, eu sei lá, entende? Já surtei meu olhar com o mundo, já busquei me "redimir" comigo mesma. E você está parada aí, inclinando a cabeça e sempre se negando como se não soubesse de nada, atrás dessa franja totalmente despropositada que guarnece esse seu rosto de falsa gata enfossada. Presta atenção, eu nem tenho porque te gostar, e te gosto menina, como gosto, do teu drama, e se encolhe na cama, se atira no chão, se diz descontrolada, mas espera menina, não há nada, você transpira vida, é só isso, tudo parece muito apertado aí dentro, mas é só esse lance menina, de gostar, a gente se detona como bomba quando ama, dá tudo de si em qualquer tempo que é um miléssimo de segundo agudo do coração. E então parece que tudo vai explodir e você se sente em cacos, mas nada explode menina, a droga é que nada explode e você tem que se olhar no espelho todos os dias, e se ver, e se aturar até as coisas mudarem...


Era pra essa menina, que eu queria dizer uma porção de coisas, que me disse hoje em algumas linhas eventuais, de tarde de outono, que eu tava decapitada no meu absurdo cotidiano, me fatiando num pensar que eu nunca imaginei, quando se disse, quando se falou. Me refletiu, eu surtei menina, no meu drama a joão pessoa foi tragada a passadas desnorteadas pela josé bonifácio, onde, como você bem disse 'observar a bondade e a maldade das pessoas', e mesmo sentada aqui o que me traga inteira, é lembrar do teu rosto, sorriso, peito exposto me dizendo que sabe que todos somos maus, e me assusta a tua calma inquietante, como se essa verdade eminente fosse devorar minha vida, varrer em poeira meu coração catavento. E eu queria te dizer menina, já que muitas vezes não disse, que eu acho mesmo que não sabia que era isso o que eu via quando vi você pela primeira vez, em sua voz charmosa, tua intempestividade atordoante, tua solidez que se debate, é só hoje menina, isso desse lance de gostar, nos descasca, ficamos com as mãos nos bolsos, no frio, observando porque achamos que estamos vazios quando o amor apenas nos confunde. Essa fundição menina, ela vai triturar, misturar, tudo que já foi com o que é pra'quilo que vai ser.


E eu quero muito, dizer ainda, sem que dê tempo de perder a coragem, que agradeço às eventuais graças geográficas e gastronômicas, o dia em que te vi pela primeira vez, rosto inclinado, meio sorriso, profundidade, e até mesmo o tolo pensar que imaginei já ter sido como você um dia, ainda bem que não menina, porque você continua me fascinando e com você vou aprendendo mais pedaços de vida.

mon soeur

Um comentário:

  1. Gabirobaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.

    assim tu me mata!!

    amo tanto este texto.

    eh tao puro.

    te amo, demais.

    do-re-mi!

    ;*

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