segunda-feira, 19 de outubro de 2009

chorinho

eu quero

achar um cantinho

minueto baixinho, um dó menor

machuca isso

machuca construir  carinho
e soprar  fogo

rastro de incêndio: chamas pelo chão todo

trovão

eu podia
pedir a você
 ei, calma
grite baixinho
não é engano
na tua raiva
te escuto dizer mansinho

te
a
m
o
 covardia é julgar
sem saber
sem nem perguntar
dos sonhos que tive
e amei,
amei tão profunda e inesgotavelmente
que ei,
machuca isso
de estar sozinho o tempo todo
comido, mastigado pela solidão
olhando sem ver poente
se perguntando por que ?
da vida
das coisas tortas
dos sonhos de travesseiro em flor
das manhãs frias e bonitas
dos passos dados
nas ruas cheias de ninguém
quando a gente caminha com quem 


AMA




e indolor, calor dessa chama
me chama
machuca isso
de escorar os dias no batente
de por que vir de tão longe
sem ter pra onde ir
de abrigar loucuras
e amar
um suspiro preguiçoso


eu também,
também fui quanto fostes
é injusto
é vão
é mesquinho
traduzir teu descompasso
com desalinho


pra sonhar
mon poète
a gente há
de somar
sopra a areia
nasce o homem
fundamento de todo poema

já houve cama
já houve tempo
houveram verbos
e verbos haverão

amor,
você pode por favor gritar baixinho?
.m,i,c.

foram dormir
ah, sim

perdão
cabe aí?
na palma da tua mão?
o gesto
dos dedos
unos
que juraram
não
F E R I R
nem desacatar


te junto, mudo, junto
todo
teu mundo
é meu também
teu rancor
sinto tua voz longe
e leio as histórias que não me contas


metade da vida é feita de adivinhação


soletre


meu


C

R
A  
Ç
  Ã
    O




eu quero ser morango
e colher pés palito
uma vez
fui fada
e fiz um ninho

do ovo desenho

nasceu um passarinho
voou voou
sozinho
sozinho
quebrou a asa
morreu devagarinho.


SoL
e
t
r
a
r



meu


Coração
dessa vez devagarinho
pra não errar
não esquecer
e nem riscar por cima
nenhum espacinho
do pouco genuíno
não gosto de chorar
machuca isso
sozinho


voando eu chego


no meu cantinho.
abre asas
fecha aspas











Nenhum comentário:

Postar um comentário

i Sem PingOS