segunda-feira, 30 de novembro de 2009

saudades, e coisas efêmeras

                                        
                              bobagem

                                sem maldade no coração
é só um sonho

               mas que bom que surgiu assim

                            melhor que vir vestido de fantasma

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

eu nem ia escrever de nada hoje, fora algumas ideias toscas jogadas numa folha naquele momento medonho do intervalo, em que mesmo não tendo nada contra a quem me rodeia, simplesmente desejo ser somente eu e dizer coisas que jamais diria a alguém que obviamente está ocupado em coisas 'mais práticas', e vem cá, tem maior praticidade do que 'ei, você acha que fez a coisa certa pra vida, quer dizer acha que faz o que melhor mantém tua vida seguindo naquele certo que tu achou que um dia ela se pareceria?'
Não, não tem, mas apesar da autocrítica e da filosofia serem coisas extremamente aplicáveis e lógicas, elas parecem ter alguma ruptura mágica com a praticidade e simplesmente não parece legal abordar alguém que está fazendo móh esforço pra ser 'útil' com uma pergunta dessas, que se a pessoa levar o desafio a sério, é bem capaz de se deprimir. Então muito 'utilmente' não falei nada, e segui rabiscando, ando fazendo coisas 'do bem' ultimamente, quer dizer, fazendo mais 'coisas do bem', e isso inclui perder diversão, porque sempre é divertido ver alguém não saber responder algo quando há dois minutos atrás parecia tão convicto.rs...
dae que é tarde, tenho que dormir, mesmo que tenha conseguido folga pra essa tarde, tenho que parar com essa mania de dormir metade da noite no sofá, fazer intervalo na escrita e zumbizar até quase de manhã. Sei que o ideal, Seria, mas enfim, se eu pudesse responder aquela perguntinha lá de antes, diria que não é de hoje que sei que não faço as coisas que sei que deveria, e já me deprimi e des-deprimi por isso =)
mas aí acaba o segredinho de aquela pergunta nem é assim tão vital, vital mesmo é o que a gente sente e faz com a resposta que tem em mãos, no final tudo é um jogo de espelhos próprios e de  como nos vemos refletidos e refletindo...
Se é só um espelho, que face do outro vejo e não sou? Fatos? Ah, sim, mas eu ainda me gosto de saber que muito de feio que vejo, não me é, apenas algo exato de bom em mim me faz ser o espelho ideal pra tal reflexo surgir. Dói? Dói, mas até a dor é temporária no motivo e na constância.

Por fim,



S
de saudade
de nome
de sutil
de soul
de soleil
de silêncios
de sul
S


[t'amo, meu bem]

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

'The changes that have come over me' - Caledonia

Dia que começou bem torto, segunda feira de ressaca, terça feira lerda, saí da cama aos tropeços, procurando o relógio... tocou telefone, todas as coisas decidiram acontecer ao mesmo tempo, ok. Pausa. Olho pro blog 'mas que lixo ando escrevendo' - e embora tenha uso, não me conformo: por onde anda minha cabeça e essa Gabi que não reconheço?
Às vezes parece que tudo que pedi pra acontecer no ano passado, ou no começo desse ano, começou a acontecer por agora: ando calma, calma, até uma bebedeira eu inventei pra ver se deixava essa calmaria toda e essa estrutura pra lá de mental. Funcionou, eu acho...
Acordei recortada, meu humor tá mais leve, e minhas brincadeiras mais audaciosas,já tava com saudades de mim! Acordei aos tropeços, sempre assustada com o horário, mesmo quando não tenho compromisso, as horas sempre me importam, acordei aos tropeços catando tênis, querendo café, falando com o gato, espiando o dia, dando play no pc, vendo e-mails, lembrando de beijos, recordando risadas. Acordei. Parece que acordei em mim, despertei, e já era tempo, tempo de me encontrar no exato ponto que sou: algum momento entre as tardes de vento da primavera e as noites quentes de verão. 
Acordei olhando com menos culpa pra última tela em branco que me resta, imaginando tons de azul e expressões, olhei ao meu redor como se finalmente estivesse pronta pra fazer as mudanças todas que já sabia desejar. Deixei que os momentos viessem como quisessem vir, e os fui vivendo, um a um, nos espaços do dia, assim fui abraçando a noite e me querendo menos vazia, chegaram as mensagens, vieram as palavras, e até quem eu supunha mudo, abriu um sorriso e me fez falar mais do que imaginei ser possível dizer, e fiquei sem jeito, pelas palavras todas, pelas ideias desenhadas, e me veio um vergonha boba de afinal, nem ter feito nada.

Acordei no mesmo dia em que me quero dormindo, catando sonhos, fustigando corações, acordei como quem bem quis solidão alguma, recheada de fatos e carícias, acordei como quem quer abrir a agenda do próximo ano marcando viagens, acordei como quem a anos não se perdoa não ter voltado ao masp, como quem se deve pequenos desejos que não custam mais que uma boa dose de vontade. Acordei pensando nos shows que tenho que ir, acordei lembrando da ilha, e da preguiça fútil que muitas vezes tenho de viajar umas 6h e ter uma bela paisagem pra abrir o olhar, e estender os braços no mar nas manhãs geladas em que simplesmente o sol aparece ilusório no horizonte. Acordei como se soubesse de todos meus erros para com o amor, e ainda assim sorrisse me desculpando porque seguirei amando do meu jeito até encontrar a medida, acordei em paz com todas as desculpas, as pedidas e as que por algum motivo nunca se moveram em meus lábios, acordei podendo esquecer o que antes me pedia para ser lembrado, tranquila porque algumas coisas enfim posso deixar seguir e ser como quiserem seguir sendo. Acordei quite com minhas dores, e até lembrando que muitas foram as que necessárias me deixaram tanto, mesmo tirando muito quando chegaram, lembrei das pessoas que chegaram, e de outras que partiram, e vi um espaço tênue se formando entre aquilo que é e o que já foi, acordei como se tivesse agora no peito, sentindo, todas aquelas coisas, pensamentos e pessoas que por vezes acho, me farão feliz para sempre, das coisas todas que sempre me  arqueiam a sombrancelha e inquietam minha imaginação, como se acordasse no coração com tudo que sei, faz minha alma voar.
Enfim, acordei, e, como é bom, estar enfim desperta.




Bonjour ;D

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

faible, très...

De leve encostei a mão no vidro, frio, contato, fiquei desenhando sem prestar atenção, é o que uso pra pensar, enquanto desenho não preciso ter respostas, não preciso falar, e antes falo tanto comigo enquanto desenho, e é tão estranho estar aberto e fechado ao mesmo tempo... Você fica aí de costas, e embora me tenha dado as costas, eu sei, espera que eu fale, que fale ou diga qualquer coisa, porque você não quer saber o que direi ou do que se trata essa coisa toda, mas ansia com necessidade que eu abra uma fresta por onde consigas esgueirar os braços desastrados e dispendiosos. Não vês quanto tempo e emoções gastas assim, agindo como quem quer me dar as costas e no entanto jamais as dará porque de verdade nunca se moveu? Sim, dispendes sem saber.
Silêncio, desenho, posso advinhar tua respiração cada vez mais irritada, desculpe, possivelmente eu não diga nada, e você saia daqui com uma raiva triplicada, daquelas que só uma boa e curtida nostalgia pode curar.
Eu não sei, enquanto desenho o invísivel na transparência do vidro, percorro ideias, as tidas e as nunca antes ocorridas, lembro de tudo que já te disse, das perguntas todas das quais infantilmente fugistes, correndo pra baixo da cama mais próxima, com medo de responder e doer. Lembro das tuas fugas assim como de tuas vindas e chegadas irradiantes, sorriso na campainha, novidades, sonhos e expectativas, e quase te imaginava com alguma toalha de banho amarrada ao pescoço, uma espada de papel como um infante audacioso, em pés de vento querendo dominar o mundo. Procuro pelas respostas...não as tenho, nunca me destes o que mais avidamente te pedi: me explica como é isso em ti?
Enquanto ranges os dentes, me achando doida, fria, insensível, sem noção - isolada num pedaço de vidro, longe, muito longe da tua necessidade de escravidão. Te enraiveces eu estar longe, te machuca que um vá e outro fique, mas me diz: quando foi que não te estendi a mão a cada nova curva do caminho? Que cansastes, ficastes, deixando para depois, esperando o momento certo. O depois chegou, que você tem em mãos?
Pouco, muito pouco, perto desse teu desespero todo em ser algo, alguém, seguir e costurar o mundo e ir se desistindo e se acreditando a cada sorte ou infortúnio.
Podia, te dar a mão, outra vez, te reter mais com minhas ideias que com tuas realidades duvidosas, eu podia, mas não vou, e isso vai doer, em ti, em mim - que vou sempre me perguntar se errei - mas a gente vive escolhendo no que acreditar, e escolhi que não vai doer, porque nessas estações doidas da vida, enquanto uns vacilam outros acertam, e há sempre o novo e o velho a ser redescoberto, escolhi, assim como ando escolhendo não me deixar assombrar, nem pelos malabaristas de fogo, e nem pelas perdas ou azares.
Sim, tu já dizia: 'só tu mesmo pra levar um disparate desses até o fim.'
Escolhi não me assombrar, que importa se ainda tenho que seguir racionalizando, se tenho meus sentimentos como quem decide quantos cubos de gelo por no copo? Pra me tirar daqui, assombrações já não bastam, medo já não cumpre, não tem dor física ou moral, no que escolhi acreditar é difícil de mexer, da fé a total ingratidão, me dê um sentimento que eu ainda não tenha tido chances de por as mãos.
É, eu bem que imaginei, não tenho nada pra te dizer, nem lamentar ou vociferar, escolhi economizar uns cubos: - 'bate a porta quando sair, por favor?'

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

¿

pluies...


       aujourd'hui
         maintenant
         Que dois-je faire?

              Simple.

                

                  J'aime-vous.  






                                                                                

[chove..][hoje][agora][que faço eu?][simples][t'aime]¿

terça-feira, 17 de novembro de 2009

falar de amor

mesmo agindo como uma pirralha, ela queria falar de amor.
eu não me importava, sei lá. mas não era por isso que as dúvidas iriam deixar de chegar antes que mais perguntas sem respostas também se fossem. Mas será preciso outra para ter um fim?
não sei, e era mesmo preciso sempre me baterem ao invés de me passarem a mão com carinho e me dizerem as coisas baixinho em diminutivo até que eu entendesse o que era bonito?
me acostumei, com as batidas, as fracas e as iradas, as portas, os punhos e a indiferença de cara cerrada, as batidas todas do meu coração em peitos de nuvens e manhãs sem margem, dias, amores, loucuras e tatuagens, escrevia na tela um socorro, escrevia acometida eu mesma de verbos, e tensões que se acumulavam em meus ombros e vazios que levava pra encher com o cansaço de meus próprios pés. em soco, minha mão foi ficando anestesiada e sem perceber, perdi, perdi tanto procurando tudo que meus dedos endureceram os toques mais puros, e fui sangrando até a noite sem encontrar o dia, o dia mágico d'um céu sem desenho que viesse pra curar, pra responder as perguntas, mas então era o sexo, e as palavras, e o ato mudo e fundo, provérbio que me entontecia, sem carinho seria a palavra única que eu conhecia.
teu rosto, só uma face
tua face só um recorte
o recorte tudo que tenho
o que tenho hoje
é o que nunca tive
eu não sei te dizer, tenho medo de não saber o que é teu rosto e te deixar só por puro desconforto.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

[brevemente]

e foi simples assim,
de repente fiquei triste,
de uma tristeza calma e sincera
fiquei chutando pedrinhas imaginárias
balancei a cabeça
não adiantou, a lágrima que tinha nascido não se afastou
ergui o rosto, inspirei
tentei trazer pra dentro algo que ocupasse o espaço que o vazio estava tomando


ar veio, ar se foi
senti frio
quando estou triste sinto frio,
á minutos o vento nem me incomodava
agora busco meus braços, não me sinto
fecho-me
sou um ponto na paisagem nublada da tarde
e como dói
mas por quê?
não consigo entender, e me dói mais ainda não saber
preciso ir
mas não sei mais pra onde
e como sempre, me mantenho
é a postura, a única que tenho
parecendo o que não sou até que eu mesma quase creio
sou um ponto
algo fajuto e mudo
entre um extremo e outro da cidade
caminho e a dor não me deixa
parece pesar um mar na alma
um sal na boca
não seja boba são só lágrimas
e desisto, desisto das compras
das pessoas que pretendia dar um olá


atravesso quadras, cruzo pessoas, sintomas
melanomas do meu olhar
me sinto espremida aqui dentro
dentro das ideias, os sentimentos por vezes
fogem
e rugem
sem que consiga
amestrá-los a tempo
a lógica toda
o senhor tempo
e a inquietação súbita
de quem se vê roubado de si
coração apertado, respirar difícil
lá vou de pulso
impulso
acelera
por Deus
não
pânico na rua, não
espaço que me conforte
entro no primeiro café alheio
três minutos de respiração no banheiro
alívio, dor, derrota
essa frustração que vem toda torta
não me caibo
escrevo, por Deus
escrevo
e sinto
dor.
por quê dói..? e não tem quem responda
não tem porta
esquema
língua
filosofia
e sistema que me diga
que quando dói sou o mais humana de mim que tenho
e me encontro sem, desprovida de sentido, capacidade, conhecimento
vontade
de filtrar a carne
de perfurar, rasgar, cortar
até a dor ir
até a luz me sumir dos olhos como súbito desmaio
me repreendo mentalmente
mas como pode doer tanto?
deixo pedaços pelas ruas
sou toda cacos e ressabios
me doem os sons
me afligem os sustos
vontade de entrar pra baixo do chuveiro e acabar com isso
e mutilar até silenciar
não a mim
mas a essa dor hedionda

e não
e as promessas?
e as coisas todas? e o caminho até então?
e perder
por Deus
me perder
de novo
de tanto doer
a casa cresce
encolho
viro grão
onde estão as coisas todas que me fazem tão bem, tão eu?
a arte, as imagens, as ideias, os livros, mesas de bares, amigos
por Deus,
como eu posso não poder?
tranco a porta do quarto
com medo
medo de mim
das minhas ações
do que não sou capaz de não desejar
mas apenas de conter 
contida
me enfio embaixo das cobertas 
e abafo no travesseiro os berros
da dor
de frio

quero que em algum lugar tudo tenha valido a pena
quero que em algum momento tudo se diga simples de sentido
abandono os planos e as certezas
seguro os braços, prendo minhas mãos longe de mim mesma
eu só preciso sofrer até que a dor se vá
e possa me tocar sem me ameaçar
é só.  momento de uma existência
pego a faca da razão
corto a alma
separo do corpo
morri em sentidos
irei planar até que possa voltar
a ser. ponto.



°°°°petits mots de tous les jours°°°°



e as pessoas e os pedaços de música, poesia de som, palavra de nota composta em cifra - me Acorde
que me ficam ressoando na concha da memória
pra lembrar
e lembrar que preciso esquecer
 
certas músicas
como convém
certas pessoas
como insistem em ser
amando
julgando e jogando 
e por mais parecidas 
que as palavras sejam
que seus sons mentais submetam
são tão diferentes em si
os atos
que essas deixam...


foi quando a porta do quarto abriu, de leve, primeiro uma fresta de frase
'acordada lendo ou dormindo [?] gabi?'
'sonhando acordada que estarei dormindo daqui a dois parágrafos, rs'
e era tão simples não me fechar, e empurrar o sono como tantas outras vezes, 
passam os braços e pernas pela porta, em mãos
aquela forma curva que gosto tanto, sorrio com o canto do olho
'afina?' [nem em sonho, tão desafinada comigo mesma...que sonho]
'ha, sério? nunca vai rolar, mileanos que não encosto num violão.' [resquícios de namoro, instrumentos pelo quarto, festas de quinta a domingo, música ecoando pelos lados, e eu curiosa sempre vendo algo que não é pra ser visto, mas antes sentido: música.]
'ah, consegue sim, é só tu fazer aquilo de ficar brincando, tu faz mais sempre, sempre que senta na sala, antes do house fica dedilhando e nem vê né...[?]'
'ah, mas isso? isso é só mania né.'
'tu me disse que fez faculdade de arte porque tinha mania de desenhar em tudo..'
'mania às vezes rende, mas teu ouvido é melhor que o meu, tenho olhos que funcionam, vivo de ver.
'e sabe escrever, e desenhar e ganhar discussão'
me dou por vencida, discutir quando ia dormir e ainda por cima nua, não dá.
'me joga essa camiseta'
'gabi?'
 

me viro, tempo de ouvir o click da câmera.
'palhaço'
'preguiçosa'
ele fica brincando com a câmera, é estranho como vc pode se ver em outra pessoa com tão pouco tempo para influenciar, ele é ótimo em tudo q toque, sempre penso, 'brinco' como ele mesmo diz, um tempo, me visto, falamos, ele gosta do desenho dos brincos, acha que a orelha são várias bolinhas e 'como é q tu diz mesmo, gabi?' 'elipses'  'é, isso, bolinhas e elipses' e diz ser uma pena a gente não poder se desenhar o tempo [concordo]. sentanda ao sol sem tempo, domingo que serpeja, ouvindo sobre o melhor guitarrista do mundo, segundo ele, solos alucinantes - única pessoa q consegue me fotografar sem que eu sinta vontade de sumir, talvez porque como eu, ele também fique clicando aleatoriamente, dispersando imagens. 
 
senta do meu lado, e fica distraído, se incomoda, levanta, inquieto, nessa sempre insatisfação e falta de foco que a adolescência traz 'vontade mesmo a gente só tem pelo que gosta.' e são tantas as coisas pra gostar, aprender e rejeitar, aprender a gostar e a rejeitar. estranho. somos tão parecidos e tão diferentes, às vezes uma mesma vontade nos junta, e ele passa pela porta do quarto, sempre trazendo alguma coisa que no final não é nada, é um violão que ele quase nunca toca, um skate que só usa pra cruzar o bairro, um filme que pensa que posso gostar, é ficar me perguntando impertinências durante aquela uma hora que fico burra em frente a luz da TV, as fotos que tira são as palavras que não diz, e acho que só eu entendo isso como um 'te amo e gosto de ficar por perto'.
me sinto estranha, às vezes contigo não sei quem sou, não sou tua mãe, mas sou a única que pode te dizer coisas sobre ela, músicas, filmes, histórias de quando eras só um bebê, nem sei quem sou, mas tenho que segurar tua mão, cuidar teus horários, teus modos, e te dizer coisas que nem sempre gosto...
te olho aí inquieto com braços e pernas que parecem ter vontade própria
lembro dela
nem tem como ser diferente, teus traços
cada vez mais fixos a trazem a tona
e por vezes encontro em ti um olhar que tão bem conheço
e te amo, e nem teria como ser diferente
nesse domingo eu percebo que sempre vou amar qualquer coisa que a tenha
um tom de azul de uma blusa
uma tatuagem no pescoço
bolinhas e elipses
e tu
 
meu maior mistério pra descobrir quem sou 
quando estou contigo

e agora não parece mais estranho
essa intimidade nossa
fotografias e noites de pipoca
break e riso, domingos de sol,
 
nossos momentos
nesse domingo percebo
que mesmo sem me saber
nossa história também está sendo escrita
percebo
domingo
que não tem como ser diferente
amarei qualquer coisa tua
presente
ou imaginada
dita
ou apenas mostrada
'mais je n'ais pa su, que ma chanson et faite de tout petits mots, ceux de tous les jours'
eu não sabia, que minha canção era feita de pequenas palavras, essas de todos os dias.
 abre a porta, a gente brinca de ouvir
essas palavras loucas
 

 [estou te escrevendo em mim]










porque o post está em processo.
e porque sofá é tudo de melhor pra descansar as pernas conscientemente.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

em terapia . . . .
Tô ficando estranha. Não, não tô, gabriela, pára de drama. É, tô é ficando bêbada.
- Que horas são mesmo?
- É tri cedo.
[é cedo e já tô me sentindo bêbada?!]

- Gabi, por que tu acha que eu sou assim?
- simples. porque você está fazendo a mesma coisa que fez a meses atrás. me perguntando o que já sabe, e eu continuo fingindo pra vc q não entendo.
- então por que vc não fala da sua vida? de ti? as vzs qdo pergunto de ti tenho a sensação que nunca sei nda, nda alem daquilo q eu lembro de ter vivido cntg.
- porque a minha vida é isso. é vida.  vou vivendo e acontecendo e o que fica é isso. coisas.
-  mas tu é tão legal, e inteligente e essas coisas todas que uma pessoa legal é.
- é, mas talvez as pessoas legais não sejam assim tão legais né, porque a gente não pode ser legal o tempo todo pra fazer algo mais concreto. ja ouviu dizer q ser legal é idiota? pois entao, economiza na leitura. é mesmo.
- por que tu diz isso?
- ué, tu não disse que eu não falava de mim? é como acho que é.
- então vc é idiota?
- poxa, todo esse tempo e tu ainda tem dúvida?
- hahahha tu não fala sério, tu nunca fala sério. e qdo tá séria fala menos ainda.
- por que falar sério o que eu sei que posso falar de qq jeito q vc igual vai sair pensando se é ou não é?
- nossa... mas assim tu parece convencida, sabia?
- sabia. pareço, mas só seria se não fosse real.
- ah, Gabi, e tu vai dizer agora que sempre sabe, rsrsrs
- não, capz, ngm sabe tudo sempre, qdo nao sei daí eu sou eu.
- ah é, e o que é ser 'eu'?
- hahhahhaha . pra mim q tu pergunta? tô ficando bêbada, e sei disso, vou chegar em casa com essa folha e achar que sei escrever porque tô feliz, e não querer que nda interrompa isso, eu tô feliz e pronto. e vou achar essa conversa muito legal e importante, mas vou ter q pensar sobre qdo estiver sóbria, mais um dos mil e trezentos motivos pelos quais nao posso te viver sem no meu exagero. Posso pedir a conta?
- por que?
- porque o espaço da folha tá acabando.
- mas e eu?
- ah, mas eu não posso riscar em ti.
- e se eu deixasse?...
- ... nossa... seria um risco.

- e?
- seria outro risco te dizer o que passou na minha cabeça agora. quanto que deu mesmo??



e se eu deixasse vc riscar? ..Seria um risco.


plurie


º°º°...Cia. dó ré mi...°º°º



domingo, 8 de novembro de 2009

aussi


que eu continue tendo sorte.

... [s'il vous plt]
'lua em áries. de fato'


muito perspicaz.
super inovador.
já ouviu falar de ironia, sarcasmo e eufemismo?
não?
que pena, ajudaria bastante agora.



bián, oui? ...

Tava fazendo força, mas tava estragando tudo, querendo ideias, continuada e viciada em fazer análises, e tava errando, e cortando o verbo, e conjugando com preguiça minhas histerias particulares e nocivas. 
E parei querendo prosseguir, com as manias todas e as coisas que sempre deram certo porque afinal poucas deram errado até hoje, e admitindo que na maior parte das vezes tenho mais sorte do que azar, seja com trabalho, com homens, com conhecer as pessoas certas, as almas todas doidas doidas que me enaltecem, seja no traço certeira, na palavra mestra, e que seja mentira ter nascido sob a influência da carta que simboliza sorte em qualquer tarot do mundo, eu tenho sorte, sorte é o que mais tenho.
Porque até quando tô errando e estragando tudo me aparece algum santo anjo homem mulher ser do mundo e muda, muda tudo, e eu vou, simplesmente vou seguindo essa sorte toda. 
De ser eu, e ser única, sagitariana, franca, de portas e braços abertos, e pernas, ônibus e aviões que me levam onde quero, porque meu coração vibra e sonha, e minha alma anárquica se despreende com a facilidade de uma folha outonal quando espaços e laços me pedem que vá, e siga, e faça, eu vou. 

Vou sendo essa mulher confusa e ao mesmo tempo genial, cheia de sinceridades nuas, vontades cruas, desejos atentos, olhos observadores, gestos de prova, gestos de amor, e não tenho medo e nem ligo quando ando na rua, se a vida quiser me dar perigo, me dará, e que uma vez, quem acredita, o cara que quis me assaltar acabou me convidando pra sair - conversar - é, eu tenho sorte, em quase sempre saber e ter o que dizer, e encantar fácil fácil, e ter essa coisa minha de ser curiosa, mas uma curiosa pensante, que usa quase tudo que fica sabendo pra pensar em outra coisa a ser descoberta e querida. 
E andando entre os trilhos do trem, pensando - por que estou estragando tudo, por que sei que tô errando e não ligo? - acho que me acostumei. A ter sorte. 
A não precisar me mexer ou expor pras coisas acontecerem, os aviões pousarem, os homens se apaixonarem, as pessoas me quererem, os atrasos coincidirem, Deus me afaga a face de quem sorrindo sem fôlego se sente abençoado uma vez mais. 
E até as dores ficam pequenas nesse corpo de pernas e mãos e olhos, as mortes e suas lembranças, as lembranças preenchidas com um punhado de amor e carência. [me abraça?]. E não ser fácil, saber que minhas reações e argumentos tem força, e fingir que não ligo, porque se ligar então será em vão tê-las e mostrar a que vim e o que sou. 

Sou a palavra dura quando você quer permanecer se enganando, sou doce quando você está achando a vida tediosa e sem planos, sou o plano A, teço, rezo teorias, leio, leio muita filosofia e coisas, coisas de gente, e me sento pra observar o todo para lidar com as partes, e porque algumas pessoas acham que a vida meramente é algo a ser vivido, e não percebem que imprimem isso nos seus atos, tratando como se tudo sempre estivesse lá, para quando quisessem, e daí quando sofrem com algo definitivo, se percebem tão fracas e vãs que nem todo significado escrito ou dito até hoje é capaz de apaziguá-las. 
E observo isso como quem não vê nada, mas apenas mais uma das muitas facetas dos homens sobre a Terra, e penso naquilo tudo que já foi dito sobre amor e amar, e no quanto tudo é tão despreparado para ser amor.
Mas, ei, eu ainda sou eu, e ainda cheia de franquezas e fraquezas, e ei, muita sorte, não?
Uma sagitariana convicta, que se diverte com uma brincadeira estúpida e infantil, nina o sobrinho, afaga o gato, conversa sobre qualquer coisa, sabe o que é sofrer, acredita na vida, é meiga e terrível ao mesmo tempo - docemente cruel - que não atende o telefone, mas que liga antes de você saber que precisa dela, que sacode a cabeça com algum ato impensado, e surpreende a voz com silêncio, ou ofende sem dizer porquê, porque ela sabe pelo que ofender e como mexer com o que incomoda, porque incomodar é o contrário de aceitar passivamente que aqueles que ela ama apenas permaneçam nos mesmos pensamentos e enganos, e porque quando ela conta um pensar autêntico, não espera que você compreenda, mas muito antes te usa para saber que pode pensar aquilo...

Porque os desejos nascem junto com as oportunidades, e nenhum sonho deixa de ser sonhado,  mas também nada é imbatível, seja a vontade do homem ou a própria vida.
É.
Eu ainda sou, uma sagitariana sortuda e feliz.
Ainda sou alguém que imprime mais magnetismo que recusa, alguém que sei, é sabido, não tem medo de mexer nem com o estranho descabido, e a candura de um amante afogado em amor, todo o desespero de uma alma jovem forçosamente erguida num plano de moções, tirada pra sábia, nerd, compreensiva, questionadora, carinhosa, fria, sensível, companheira, e livre. 
Sempre pontuando nãos com sims e porquês com ajustes, àqueles que acham que falar sobre desistência é pensar em ou ser um [desistente], fica a dica: jamais pode-se falar sobre o que não se pense de todos os ângulos. Como uma boa sagitariana, que não acredita ser possível, por mais tempo que exija, qualquer porta estar lacrada eternamente, pensar e refletir bem é rotineiro tanto quanto passar a mão no queixo a cada nova pergunta feita na ponta do lápis da vida. Aprenda. Ser livre, feliz e pensar pode ter a ver com sorte, com sorte, mas com certeza não depende só disso.
No fundo, eu só achei que estava errando ou estragando tudo, não vi que pensando isso estava apenas imprimindo mais de mim no mundo.
Porque na verdade eu sou
tudo isso que você sabe
e mais
e ainda mais um pouco do
que não sabe
mas
de leve
as vezes
quase
toca





sexta-feira, 6 de novembro de 2009

obli

acho que não consigo evitar
de me apaixonar
seduzida pelo mais rápido olhar que te lance
estarrecida com tua simplicidade quase berrante
e te cai tão bem
isso tudo

palavra - me faz
palavra - me dá
palavra - me é

te leio
confluente
alarido mental
te canto
cafajeste que sou
te bebo sozinha
egoísta torpe e feliz
te analiso
quero entender
te entendo
preciso te ter

e te tendo subo um prumo
oblíquo desmudo
obli, oblijê, oublier, oblijan,t,
és tanto, como não te ter encanto?
e não me deixar a teu belo desmando?
me soas
soo em você
me inclino, 
obrigo
esqueço,
sou cortês
me reclamas
com os olhos
passados
tens futuro
deixou de ser
quando foi
o que bem quis

palavra
que não retrocedo
volto atrás
ou cometo

quem não te teve
que em paz releve




[paz? eu deixo para depois.]

heidegger

O poema nasce na dobra da palavra
não sabe classe, não procura sua alma gêmea
O poema não tem esposa e filhos
É como qualquer um,
que às vezes se encontra sem nexo
poema é feito para ser sentido sem necessidade de permanência
Se colhe e logo é colhido na mais pura displicência
Os versos
nem sempre bons amigos
somam-se na pilha de velhos novos sentimentos de sempre

O poema não tem culpa se o homem não sabe viver
um desafeto, se enlouquece por pouco
Do escuro lança suas ironias
e assim o poeta às vezes se encontra em
total agonia, é a palavra solta, a sílaba polida

Poesia é gente, e é medo, astúcia e segredo
e na importância das coisas
tanto faz
porque poesia em si é essa vontade torta
de pegar o mundo e todas as coisas escondidas na pele
deixar de ser um
para ver todos

E no âmago mais solitário o homem é piada vaidosa

Porque poema não é coisa
é linguagem
quem diz, pois ser possível regateá-lo
Mente.
poema é como mãe, padre ou indigente
não importa o que professa,
a quantos alimenta
ou se vive na rua
o que cresce poema
morre poema
tal imodesta toda gente.

i Sem PingOS