terça-feira, 10 de novembro de 2009

[brevemente]

e foi simples assim,
de repente fiquei triste,
de uma tristeza calma e sincera
fiquei chutando pedrinhas imaginárias
balancei a cabeça
não adiantou, a lágrima que tinha nascido não se afastou
ergui o rosto, inspirei
tentei trazer pra dentro algo que ocupasse o espaço que o vazio estava tomando


ar veio, ar se foi
senti frio
quando estou triste sinto frio,
á minutos o vento nem me incomodava
agora busco meus braços, não me sinto
fecho-me
sou um ponto na paisagem nublada da tarde
e como dói
mas por quê?
não consigo entender, e me dói mais ainda não saber
preciso ir
mas não sei mais pra onde
e como sempre, me mantenho
é a postura, a única que tenho
parecendo o que não sou até que eu mesma quase creio
sou um ponto
algo fajuto e mudo
entre um extremo e outro da cidade
caminho e a dor não me deixa
parece pesar um mar na alma
um sal na boca
não seja boba são só lágrimas
e desisto, desisto das compras
das pessoas que pretendia dar um olá


atravesso quadras, cruzo pessoas, sintomas
melanomas do meu olhar
me sinto espremida aqui dentro
dentro das ideias, os sentimentos por vezes
fogem
e rugem
sem que consiga
amestrá-los a tempo
a lógica toda
o senhor tempo
e a inquietação súbita
de quem se vê roubado de si
coração apertado, respirar difícil
lá vou de pulso
impulso
acelera
por Deus
não
pânico na rua, não
espaço que me conforte
entro no primeiro café alheio
três minutos de respiração no banheiro
alívio, dor, derrota
essa frustração que vem toda torta
não me caibo
escrevo, por Deus
escrevo
e sinto
dor.
por quê dói..? e não tem quem responda
não tem porta
esquema
língua
filosofia
e sistema que me diga
que quando dói sou o mais humana de mim que tenho
e me encontro sem, desprovida de sentido, capacidade, conhecimento
vontade
de filtrar a carne
de perfurar, rasgar, cortar
até a dor ir
até a luz me sumir dos olhos como súbito desmaio
me repreendo mentalmente
mas como pode doer tanto?
deixo pedaços pelas ruas
sou toda cacos e ressabios
me doem os sons
me afligem os sustos
vontade de entrar pra baixo do chuveiro e acabar com isso
e mutilar até silenciar
não a mim
mas a essa dor hedionda

e não
e as promessas?
e as coisas todas? e o caminho até então?
e perder
por Deus
me perder
de novo
de tanto doer
a casa cresce
encolho
viro grão
onde estão as coisas todas que me fazem tão bem, tão eu?
a arte, as imagens, as ideias, os livros, mesas de bares, amigos
por Deus,
como eu posso não poder?
tranco a porta do quarto
com medo
medo de mim
das minhas ações
do que não sou capaz de não desejar
mas apenas de conter 
contida
me enfio embaixo das cobertas 
e abafo no travesseiro os berros
da dor
de frio

quero que em algum lugar tudo tenha valido a pena
quero que em algum momento tudo se diga simples de sentido
abandono os planos e as certezas
seguro os braços, prendo minhas mãos longe de mim mesma
eu só preciso sofrer até que a dor se vá
e possa me tocar sem me ameaçar
é só.  momento de uma existência
pego a faca da razão
corto a alma
separo do corpo
morri em sentidos
irei planar até que possa voltar
a ser. ponto.



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