sexta-feira, 6 de novembro de 2009

heidegger

O poema nasce na dobra da palavra
não sabe classe, não procura sua alma gêmea
O poema não tem esposa e filhos
É como qualquer um,
que às vezes se encontra sem nexo
poema é feito para ser sentido sem necessidade de permanência
Se colhe e logo é colhido na mais pura displicência
Os versos
nem sempre bons amigos
somam-se na pilha de velhos novos sentimentos de sempre

O poema não tem culpa se o homem não sabe viver
um desafeto, se enlouquece por pouco
Do escuro lança suas ironias
e assim o poeta às vezes se encontra em
total agonia, é a palavra solta, a sílaba polida

Poesia é gente, e é medo, astúcia e segredo
e na importância das coisas
tanto faz
porque poesia em si é essa vontade torta
de pegar o mundo e todas as coisas escondidas na pele
deixar de ser um
para ver todos

E no âmago mais solitário o homem é piada vaidosa

Porque poema não é coisa
é linguagem
quem diz, pois ser possível regateá-lo
Mente.
poema é como mãe, padre ou indigente
não importa o que professa,
a quantos alimenta
ou se vive na rua
o que cresce poema
morre poema
tal imodesta toda gente.

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