quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O dia é absurdo quando a gente ingere coisas invisíveis, quando fala mudo, quando olha no escuro, e vê formas, e vê cores nas sombras e luzes no preto, o dia é absurdo quando deus não chega, quando a preguiça não se vai, quando a gente não mente, mas simplesmente não sabe o que dizer, e nem gesticula mínimo gesto na clara fisionomia: apenas deixa o olhar morrer nas letras estendidas no plano, o plano que mexe que é plano profundo, claro, frio, submundo.
Instalar impressora, ler recados, não responder, não abrir e-mails, nem retornar ligações, deixar a vontade seguir sumida que nem se sabe mais de onde veio e pra onde vai, e deitar na cama, margear lençóis azuis, azul estar, amarelo ser, 'dá verde' diria alguma alma sabedora.
O dia é longo quando o sono se muda sem deixar bilhete, quando a geladeira não fala com quem tem sede, quando não cede a nossa vontade o ambiente, o dia é música quando a cabeça esvazia, o corpo muda, e a gente fantasia, o dia faz cócegas quando o sono inibe o racicíonio, quando no delírio eu rio de ideias que nem tive, quando eu leio, leio e penso, mas as palavras não chegam, e eu fico solta - space: the final frontier.

"Just because I don't say anything,
Doesn't mean I don't like you.
I open my mouth and I try and I try
But no words came out.(...)"

O dia é alegre, ruidoso, contra-senso, modesto, rude, carinhoso e bem humorado quando eu finjo que não sei o que diabos me falam, e ouço, ouço de sorriso nos lábios os maiores desconsolos, o dia é bolo de maçã quando eu tenho sonhos de chuva, quando a porta emperra, quando a lua some, a internet falha, e eu me despespero com o telefone que toca, e não sei: se esqueço o forno, atendo a porta ou digo alô, incrivelmente desastrada, eu sozinha sou o meu maior perigo - não morre a mesma pergunta: como mãos tão habilidosas moram no corpo de alguém tão desastrado? - Alôw? [me cai o tefenone da mão, deus abençoe o viva voz, que fora o susto pra quem escuta o tombo, me permite dizer ' que oi, sim eu tô bem']. Existe o desfazer, por que não tem o despenso? Ou muito me engano ou não é tão simples dispensar um pensamento, tem coisas que eu não precisava começar a pensar, por que a memória está sempre falsamente ativada, e essas coisas que eu esqueço, não tornam o dia mais desastrado ainda? Não sei... eu gosto do horário de almoço, de não falar nada, com ninguém, de ficar sentada no sol olhando pros meus pés imaginando oitocentas mil amarrações possíveis pros cadarços do allstar, imaginar, eu imagino o tempo todo, até sem me dar conta, quando eu não tô autistando nisso é porque estou tentando desenvolver osmose com alguma forma, descobri que as espirais que desenho imitam os detalhes da alça da minha xícara (?) - um dia eu olhei, olhei aquilo 'mas onde foi q eu vi issoooo?' - na minha frente, geniale. O dia é riso, o dia sempre é riso, mesmo quando tem choro, aí do nada brota um sorriso, um dia se eu for um cão quero ser um vira lata só pra continuar me alegrando a toa =)
O dia é gato - mas que audáááciaaa'. O dia é suspiro - youtube mázinho. O dia é mázinho - onde foi que eu deixei essa chave? O dia é dissimulado - como foi que esquentou e eu nem vi? O dia é autêntico - eu sou assim! O dia é ingênuo - como foi que eu não vi? O dia é sugêneris - nem me fale... O dia é chato - bisonho.O. O dia indiferente - vou indo. O dia melancólico - adoro isso. O dia com cara de poucos amigos - mais ou menos. O dia é dinâmico - nem te conto.
O dia é Gabi - . . , . . ;D

Nenhum comentário:

Postar um comentário

i Sem PingOS