quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Chove rios, chove a cântaros, de repente cruzo a rua não tendo como ignorar que minhas pernas se ensopam, que as sapatilhas são ilustrativas, e olho e vejo: pancada de chuva de verão. Aliás, pancadas não faltam, cada vez que me bato, batem todos esses cacarecos aqui de dentro, e é uma vontade, um bilhete antigo, poesias esquecidas, palavras, conversas, o cheiro, um cheiro doce de madeira que acaba com o ar, e é eu e meu coração todo aparafusado dessas coisas de pessoas e fatos, e é eu, tentando entender onde começa o você e o eu, olha eu tô tentando, te digo 'olha, eu nunca deixo de tentar.' te digo 'sou teimosa'. E chove, é água demais pra tão pouco caminho, tempo e espaço, e eu já procurei respostas, quieta nas coisas, ou jogando minha voz pelas paredes, não interessa, sou teimosa, sento na cabeceira antes de apagar a luz e escrevo, vou falando assim de tudo um pouco do que deixei e deixaram em mim, te digo 'olha, tô tentando', tentando saber, na ânsia louca de apreender o que quer que seja de sutil que se passa... [hora de ir]

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