quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

e lembra que eu queria um sofá vermelho, que você só queria era dormir em algo confortável, e que eu queria que tudo fosse confortável e bonito aos olhos como ao toque, mas que você sempre preferiu sair andando inquietamente por aí até a vontade te dizer parar, largado, sujo ou limpo, inconsciente no umbigo do mundo, e de cantarolares pelo meu corpo, distraído, procurando os cadarços, e dos risos e coisas contidas, e uma série de pedacinhos que me ocultastes em versos, me dando a mão, o olho uno, o inverno, desejo e todas as passadas questões, dos conhecimentos dos quais falamos, tanto, de tanto jeito, teu olhar em graça, me dizendo 'às vezes assim eu tenho medo, entende?' - e eu te entendendo, e não podendo dizer 'não tenha medo', e as horas que não passavam, preguiçosas, dormindo, todas nossas dúvidas adormecidas, enquanto te seguia o desenho, o do rosto, o torso das mãos, e tua palidez ressonante era líquida feito um incomum instante, e eram tão poucos mas tão muito nos poucos momentos que criamos, e como criamos, meu olho no teu era verso, e teu casaco jogado era prosa, e derramava letras, teu bolso, velejavam tuas coisas de sentimentos e lembranças na pequena nau, mochila, desenhos que revelavam omitindo 'gostou?' - e eu, não, não gostei daquilo, mas teve tanta mais coisa e não coisa, matéria e essência, que eu gostei, e tantas mais bobagens que gostei tanto, roubastes tudo do que quis teu fosse, 

'não entende? eu te daria...'

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