domingo, 20 de dezembro de 2009

'faz-me falta'

Me sinto andando pelo escuro, atrasada sem hora certa, e algo me diz que enquanto não souber onde quero chegar todas as horas serão as mesmas, iguais, pares de nada, díspares de mim, voltadas para um dentro tão quieto quanto vazio. Pensei em te pedir pra ficar, pensei em te pedir que viesse, pensei em te pedir para surgir, e nunca abri minha boca, nunca escorregou som dos lábios, mordidos, fremidos e imaturos por demais pra dizer simplesmente 'quanta falta tu me faz'
Ás vezes acho que esperei, tento crer que esperei, nutri alguma forma de esperança ou expectativa, que já não era assim tão sem porto, sem saber onde chegar, que tenha esperado tuas palavras, teu riso ou tua voz sem jeito rindo-se nervosa 'também não sei o que te dizer, veja bem', eu espero ter esperado, tua comunicação efêmera perenamente intacta nas vias de mon coeur.
Entende? Eu só quero saber nesse tempo sem hora o que foi enfim que desejei.
Se tua umidade de céu de chuva, se eu e minhas palavras empilhadas em suas caixas de rasa lógica, se solidão, pois continuamos tão sós, e tão só de nós estamos, felizes e tranquilos, sozinhos, minerando um amanhã indizível.
E há também as palavras nas quais não posso entrar, e prefiro deixar-te só, para não te invadir assim a alma com perguntas que mais ou menos já sei onde te levarão, e te amando terminarão por me levar também, guardo teu silêncio, é melhor que te machucar.

Um comentário:

  1. 'e nunca abri minha boca, nunca escorregou som dos lábios'
    [...]
    'guardo teu silêncio'

    silêncio numa ponta, silêncio na outra... e o cordão que liga os dois silêncios é a falta.

    hm...

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