sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

sobre você chegar, me diga

as pessoas querem
eu também quero
atenção                                              


eu acho

que todos querem um pouco de afeição

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

antonio casamenteiro

o que seria casar - uma de suas preces essa semana, ela pensa, sonha e ama, e vai casar. ou seja, tentar somar seus sonhos com os sonhos do outro a querer sonhar. tenho minhas dúvidas sobre o que seria casar, e não fosse por ela, jamais escreveria sobre isso, até porque só escrevo sobre merda, merdas da minha vida, até o que parece bom, não é, algo que no fundo foi uma merda pela simples efemeridade inerente do que é bom.  posso começar por aí, te dizendo que acho que casamento tem que ser uma coisa boa, mesmo que por vezes difícil, mesmo que desde o começo, em decidir casar, difícil, mas deve ser bom.
casamento lembra algo que gosto muito:cumplicidade. cúmplice no riso que não chega a nascer naqueles momentos em que deve imperar a educaçao, cúmplice na pausa, entendimento, entendimento é cumplicidade. acho que quem se entende se apóia simultaneamente, então acho que cumplicidade conjugada gera entendimento e força. não é só não estar sozinho, mas ter o apoio perene e legítimo da compreensão do outro, acho que quem se compreende acaba se unindo. é. casar tem tudo a ver com união. mesmo que as vezes se unam uns defeitinhos feios, mas e daí, se até na rua, na sociedade escura, defeitos se unem e ainda assim as coisas funcionam? acho que casar também deve servir para funcionar, porque quem se entende, e é cúmplice, forte e unido, acaba por ajudar o outro naturalmente, ajudar a manter as coisas funcionando, coisas, bobagens estúpidas as vezes, favores, gentilezas e grandes favores.
mas e isso, ora, isso,
não é nada, pra quem já nasce gentil na estrada, pra quem carrega o coração com tanto cuidado que tropeça nos próprios pés, pra quem se dói em madrugadas que rasgam dias de gentinha ordinária e cretina, pra quem não só não equeceu de sonhar como colonizou pedaços de céu consigo mesma, e ela me pergunta 'o que seria casar' - pra mim que tenho meia dúzia de ideias perdidas sobre qualquer coisa, e só amor, muito amor, neste coração e no outro, aquele que bate segundo após segundo sem pensar em desistir do que quer que seja a alma acredite.
talvez por isso, ela sabe que amo
sei que ela sonha
em alguma ponta de nuvem nos encontramos
só te digo: casar deve ser igual a parar de resistir a chuva e se entregar a água que de qualquer forma vai vir com tudo, ganhar espaço e ainda te deixar encharcada. melhor abandonar esse guarda-chuva e sorrir.

lição das coisas e nada mais

me pediu que não falasse sobre algumas coisas, nem perguntei nada, se era assim, então que assim fosse, veio falar de como seria o ano
não quero que isso me atrapalhe
nem isso nem nada nem ninguém
quero nadar e muito bem conjugar o nada
nade comigo, ou só me deixe nadar
o que faço de melhor surge no nada
noite passada, eu até pensei em dizer, isso e outras coisas, mas era uma noite só e ainda assim tão curta que desisti, não quis diminuir a noite com coisas e ideias que não cabem em um dia, e enuviar o que poderia ser somente belo pelo que era, uma noite, apenas uma noite, passada, refúgio de sonhos, sinos e nomes, tantos nomes, formas, atos e possíveis, que desisti, apenas porque não era necessário tentar, entende?
aí que tá, eu parei de tentar muitas coisas, será que só ando fazendo o que sei que dará certo?
possível
multiplico amigos, muitos, quanto mais interessantes, diferentes e dinâmicos eles são, menos eu preciso possuir algo ou alguém pra ser meu, e estar por mim. ramifiquei meus amores para que não passasse fome, parece meio feio dito assim, não é entende? foi só minha maneira de buscar permanecer nessa aridez irresoluta, essa realidade absurda e ordinária.
não me sinto particularmente bem agora, mas tenho a impressão que se não fosse a azia eu estaria muito bem, très bien, porque eu gosto de beber, e essa azia me irrita, me tira o prazer que poderia amenizar um fungador avariado [leia-se nariz indefidamente entupido], penso nas coisas que escreveria se, fora minha vida não ser lá um espetáculo de vida, meu corpo não estivesse em desordem...
provavelmente algo que tivesse um tom mais otimista e menos serio, sim mal estar me deixa mal humorada de verdade, foi então que ela apareceu, e em instantes eu já sabia: eternamente docemente cruel. Relembro o gosto de alguns cafés, numa esquina qualquer do teatro guaíra, sentada de óculos, brincando com o olhar externo. sempre fomos cruéis.
claro.
merecemos melhor, como ela diria.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

vício pela escrita
vício pelo café
cigarros
e também balançar os pés
vício por drummond e pedrosa
pela falta que não me fazes
isso de criar estende-se    dura um dia e mais outro
os vícios me acompanham, os nomes que amo mudam, só as coisas permanecem as mesmas. nao muda, as dores nao mudam de lugar, tento em vão mudar tudo que posso, cabelo, roupas, ideias, palavras, pra mudar

o que só quero que seja diferente. sei la porque, mas preciso quase sempre que as coisas sejam diferentes, ate mesmo as respostas, as pessoas, e quando posso até meus sentimentos, preciso sentir que as coisas se transformam, que existe essa dinamica,  que o mundo nao eh uma caixa morta onde tudo ja aconteceu outra vez...

tem um cachorro babando no meu chinelo, é, talvez as coisas não sejam exatamente mais as mesmas. o gato. do gato eu sinto falta.

lição das coisas 1/4

nada é pessoal. a pessoa aqui sou eu.

lição das coisas e 1/3

só faltou me oferecer uma xícara de café, afinal já me havia entupido tanto de si mesmo, que um digestivo vinha bem.



pena.



falta tato aos natos chatos vastos.

lição das coisas e 1/2

gosto da síntese
mas só porque é sempre ela que me diz as coisas mais doidas numa velocidade simples que a razão derraparia na primeira curva.

admito: maluquicéumaqueda MINHA.

Lição da coisas

pinta de boca aberta
sopra ideias
que diluem-se na ponta do pincel
e materializam-se na tela.

nada    como saber   respirar.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

caía a primeia gota de chuva quando prendi meus olhos na calçada e já não aguentava mais segurar meus braços, ou manter minha cabeça presa em uma discussão, olhava para dentro e me ouvia: por que será tão difícil lidar com uma diferença? e uma diferença que cai no momento errado é capaz de transformar tudo, será mesmo isso?
talvez, lá no fundo eu sei  que não é isso, ou só isso. talvez saiba que lá no fundo não é isso que importa, porque o importante é invisível aos olhos, e quase sempre imperceptível às críticas, o importante é o que após todos os conflitos permanece intacto, o que sobrepõe-se aos desvios, sejam divinos ou humanos, aquilo que mesmo sendo batido a ferro, surge imperioso, se mostrando como ponto final imprevisível e no entanto tão óbvio. aquilo que sempre esteve lá, e quase ninguém notou, era aquela cor que mesmo não predominante, sempre havia, e foi de tela a  tela se transformando, isso, era o  importante, o que não era visto ou que não quis ser visto, mas que nem a cegueira foi capaz de tornar inexistente.
caíam já muitas gotas, não só de chuva, mas de tantas partes minhas, quando esse pensamento curto deixava sua sombra imensa por tudo que o olhar pousava, e na pressa toda eu só queria estar em casa, que não era a casa, mas esses lugares fechados nos quais se sinta minimamente confortável, o suficiente pra chorar. lágrimas não faltavam, faltava era ar suficiente, num ar condicionado tão sufocante quanto desnecessário, eu só queria a temperatura exata, a conformidade de um momento

sábado, 23 de janeiro de 2010

imensa afeição

que me vale este teu mar afec-tivo,
doado, introspectivo
Pergunto-me:
sê pergunto-me, toda vez
que a dor vem aguda
falsa puritana moralista
custa-me o peito em cruz
  ajeitar-lhe casa
trato-te com zelo, carinho, afeto
meu ser predileto
e predileto-ei-de ver-te
sem problemas
pois é nato em mim
se-lo.
selo,
fecho meu sentimento por ti
como quem encerra no mastro uma bandeira..
estou em risco, em alto mar,
mas e daí?
sacudo pelo céu.
estou. nesse momento sou amor.
 pedaço gotejante, cheio de muito, rodando no perplexo A G O R A.
o poema
é aquilo
que capta na alma
o antes vestido de depois
falando de futuro daqui a pouco nascendo no agora

larápio

o amor passou batido,
passou latindo
cão desatinado
o amor passou rente ao meu lado
passou, ladrou
ladrão
levou-me sem mérito
o que nunca mais terei
amor, amor
como podes?

afanar-mes o pouco tardio que ganho
ainda que mero fruto do teu engano
Ou será meu, o engano
saber-te assim, veterano insano
e ainda assim salivar-me.

Onda de mar que beija-me

                              Pôr-solo de ninguém.

plim

não faz assim.

me disses.

entortas os lábios.

te digo: não é assim.


mas e dae
se tu não ligas.



Plim
      Plim
             Plim
                    m
                       m
                          m


Mas Ora, cala a boca.

esquema

enfrento a falta que já não faz,

me traz
contenta
do aquilo não sei,
homem verso
enverso no universo transverso

esquema

trouxe e levou.



[me dá?]

jardim

me jogue,


nãonãonão

me retenhas

acolhida na tua palma pequena

I m  e  n  S  o

jardim.

poema.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

deletérios

Se tudo fosse o que não é,
perfeito seria sem pretérito,
e eu não carregaria sombras ou plumas de talvez,, ah se tu soubesses o quanto me pesa tua imensidão, a  chegada do agora, por que não me colhes um depois longínquo, por que não me estende a palma suada e me deixa beber tuas gotas desajeitadas de fé ou qualquer coisa nua.
E impõe leões ascendentes entre teus medos, tão visíveis, teu pé direito torto, anéis invisíveis, tuas ideias sobem aos céus delirando nuvens de paixão.
Amas, e como não amarias então, se todo teu verbo reverbera poções, porções, entre atos falhos, porém genuínos em toda essa massa de vida que não poucas vezes te engole,
e te mastiga suave como quem saboreia um amanteigado, desmanchando pouco a pouco quem és na poeira tácita das coisas.
A mansidão deve ser isto
que se não é nada
chega a ser muito parecido
escrevia

            no tempo adoeci


pensava
             me fiz

fazia
           e escrevia

demorou,
mas até que consegui
da escrita, pensamento fiz

between love&hate

"A solidão contagia-se, e depois não há cura(...)


um a um
tentando voltar
ao seu lugar

sem nunca precisar de ninguém
nem novos amigos
e toda essa história que eu já vi
tente
pela estrada
talvez, no final de semana
talvez
com todo mundo aqui
e quem sabe
meus amigos,
gastando
e esperando

eu faça algo que não seja só
porque eu só preciso de amor
e é só isso
nessa luz tão fria
na noite certa
Ir, Ir
quando você era apenas uma criança
um pouco mais que uma árvore
levitando como pó de ossos
As dores incomodam
circulando
pulso-pulsa
pulseirinha
seu pique
seu jeito
colorido
muito vermelho                  o humor



te serve
depende


mas não gosta do invasor




um teatro de fora pra dentro

realizando seu espetáculo

sem um tostão, não vê
ora, com graça
o turista que passa
e se não fica
também não vai embora.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

eu
nunca mais vou escrever
algo que me doa
jamais algo que me deixe sofrer


e nem tanto me ponha aflita
na terra de livros e arduos
a escolher abracos
ao inves de tardios 'e ae's' gentis

porque nao quero a poeira em mil de um querer um tanto gentil
e nem embora um poema de rasteira
que surja do nada
e venha me dizer sem pressa
que no fundo
sou um

P
  O
      L
         I
           M
                 E
                      Ro

                                                     monomero-ei-me-ei

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010




"Tinha ideias romanticas da solidão, e da não solidão também,
 não raramente imaginava de olhos abertos,
 e se deixava levar no seu barquinho de papel,
 navegando sem pressa até o infinito."

i Sem PingOS