quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

antonio casamenteiro

o que seria casar - uma de suas preces essa semana, ela pensa, sonha e ama, e vai casar. ou seja, tentar somar seus sonhos com os sonhos do outro a querer sonhar. tenho minhas dúvidas sobre o que seria casar, e não fosse por ela, jamais escreveria sobre isso, até porque só escrevo sobre merda, merdas da minha vida, até o que parece bom, não é, algo que no fundo foi uma merda pela simples efemeridade inerente do que é bom.  posso começar por aí, te dizendo que acho que casamento tem que ser uma coisa boa, mesmo que por vezes difícil, mesmo que desde o começo, em decidir casar, difícil, mas deve ser bom.
casamento lembra algo que gosto muito:cumplicidade. cúmplice no riso que não chega a nascer naqueles momentos em que deve imperar a educaçao, cúmplice na pausa, entendimento, entendimento é cumplicidade. acho que quem se entende se apóia simultaneamente, então acho que cumplicidade conjugada gera entendimento e força. não é só não estar sozinho, mas ter o apoio perene e legítimo da compreensão do outro, acho que quem se compreende acaba se unindo. é. casar tem tudo a ver com união. mesmo que as vezes se unam uns defeitinhos feios, mas e daí, se até na rua, na sociedade escura, defeitos se unem e ainda assim as coisas funcionam? acho que casar também deve servir para funcionar, porque quem se entende, e é cúmplice, forte e unido, acaba por ajudar o outro naturalmente, ajudar a manter as coisas funcionando, coisas, bobagens estúpidas as vezes, favores, gentilezas e grandes favores.
mas e isso, ora, isso,
não é nada, pra quem já nasce gentil na estrada, pra quem carrega o coração com tanto cuidado que tropeça nos próprios pés, pra quem se dói em madrugadas que rasgam dias de gentinha ordinária e cretina, pra quem não só não equeceu de sonhar como colonizou pedaços de céu consigo mesma, e ela me pergunta 'o que seria casar' - pra mim que tenho meia dúzia de ideias perdidas sobre qualquer coisa, e só amor, muito amor, neste coração e no outro, aquele que bate segundo após segundo sem pensar em desistir do que quer que seja a alma acredite.
talvez por isso, ela sabe que amo
sei que ela sonha
em alguma ponta de nuvem nos encontramos
só te digo: casar deve ser igual a parar de resistir a chuva e se entregar a água que de qualquer forma vai vir com tudo, ganhar espaço e ainda te deixar encharcada. melhor abandonar esse guarda-chuva e sorrir.

2 comentários:

  1. repito: gente, se existisse uma cerimônia, queria esse texto como meus votos.


    to encharcada de amor.
    e sabe de uma? me casei contigo também.
    na escrita.

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  2. Nosso casamento é antigo, desses cheios de dias iguais se abrindo como nuvens pra instantes magnificos - escrever. ser. sentir. pensar. viver.
    infinitivos infinitos que amamos tanto.
    te trago comigo, Verdinha. -dó ré mi- <3

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