segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

caía a primeia gota de chuva quando prendi meus olhos na calçada e já não aguentava mais segurar meus braços, ou manter minha cabeça presa em uma discussão, olhava para dentro e me ouvia: por que será tão difícil lidar com uma diferença? e uma diferença que cai no momento errado é capaz de transformar tudo, será mesmo isso?
talvez, lá no fundo eu sei  que não é isso, ou só isso. talvez saiba que lá no fundo não é isso que importa, porque o importante é invisível aos olhos, e quase sempre imperceptível às críticas, o importante é o que após todos os conflitos permanece intacto, o que sobrepõe-se aos desvios, sejam divinos ou humanos, aquilo que mesmo sendo batido a ferro, surge imperioso, se mostrando como ponto final imprevisível e no entanto tão óbvio. aquilo que sempre esteve lá, e quase ninguém notou, era aquela cor que mesmo não predominante, sempre havia, e foi de tela a  tela se transformando, isso, era o  importante, o que não era visto ou que não quis ser visto, mas que nem a cegueira foi capaz de tornar inexistente.
caíam já muitas gotas, não só de chuva, mas de tantas partes minhas, quando esse pensamento curto deixava sua sombra imensa por tudo que o olhar pousava, e na pressa toda eu só queria estar em casa, que não era a casa, mas esses lugares fechados nos quais se sinta minimamente confortável, o suficiente pra chorar. lágrimas não faltavam, faltava era ar suficiente, num ar condicionado tão sufocante quanto desnecessário, eu só queria a temperatura exata, a conformidade de um momento

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