sábado, 6 de fevereiro de 2010

quando vou cair
quando não quero me levantar
quando quero desistir
e decido que vou continuar
quando me inclino mesmo querendo me afastar
quando abraço, mesmo querendo chorar   

são tantos quandos     queando

vem você descendo a rua, dentro do meu estômago, sacolejando minha coluna, soltando minhas vértebras
e maltrata-me o fígado, te cuspo com vontade e ainda te sinto na garganta, é seco, úmido, quente e frio, esses teus momentos em mim, me olho no espelho e te vejo em meus olhos, dançamos nus pelo espelho, teu olho invisível fala, me apiedo, rápido, mas sim, e tomo-te as mãos, tem força pálida os nós, teus dedos escorregam, e eu deixo, não tenho mais ânsias de ti, embora tanto te queira, deixo que corras um momento, sem pressa, te vejo pelas costas, a andar, sempre pontilhando com teus pés de vento a calçada, coisa tão efêmera, teus passos eternos, marcam uma vida, uma calçada só um lugar por onde todos passam, e cada um do seu jeito, e toda coisa com seu encanto, passageiam por esse mundo sem notar o sutil que deixam. Te amo, e te detesto, me lembras a carne, a falta, principalmente a falta, me és tanta falta que não sei porque te vejo, aí nos meus olhos, grudado nas paredes da minha história, personificando meus mitos e interferindo na minha trajetória, às vezes desejo ser planeta, terra, coisa sólida, noutras simples estrela, apagada desde agora em qualquer memória, às vezes queria ser poema, lido, sentido, não tido, mas sempre ficado, um livro deitado, uma voz seca, um sorriso tardio, uma vontade incontrolável, um cachorro dormindo, um gato se espreguiçando, uma música que toca na hora certa, uma lágrima fujona, uma manhã de frio, uma noite de verão, uma pancada de chuva, um mar, um pingo de tinta, um traço perfeito, um edredom macio e com cheiro de sono, uma cama calada, uma paz que vem do nada, um desejo que chega com tudo, uma vergonha apercebida, um engano sutil, um abraço quieto, um copo cheio, uma sede saciada,

tanto de tanto quando querendo       

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