quarta-feira, 31 de março de 2010




Foi tanto não é mesmo?

Lá fora, aquela menina que te adora, e você trancado aí dentro, preso, todo solto, solto na bola gigante do mundo, orbitando instantes vazios, quadros dispersos de vontades sintéticas.


Lá fora, aquela menina, contaminada, pulando versos, saltitando poças de chuva, colhendo o vento com a palma da mão, rodando, rodando sem um sim ou um não.

Há momentos em que ser fora é estar dentro.





Porque somos tristezas opacas, mergulhadas em amor.

obligeamment

não, nada ainda, talvez esperar mais uns anos, ou aquele sorriso perfeito, ou aquele olhar meio brincando, meio fugindo, rindo e se entregando...

#tensosNuncamais

                                                                                           

que você pretende com isso?

pois é... ainda não sei bem...

terça-feira, 30 de março de 2010

Bebericamos na varanda §°¨




Ei, lembra? Chegou aquele ar calmo, aquela brisa ventada que só o outono , aquela luz de pouco, que desfoca contornos, e parece aumentar a copa das árvores, dando-lhes um semblante manhoso, e é, o outono,  era eu pensando em você, e você me mandando essa mensagem
“ A felicidade é, sem dúvida, a coisa mais próxima da tristeza, neste mundo.”           

E eu pensando: é, ela sabe que o inverno não está longe... Mas ele ainda não chegou, ah, ainda não, ainda há a possibilidade de desfrutar do lanche no Armazém da Esquina, que cruzar a República sem encolher a cabeça entre os ombros, fechando os casacos imaginários, que nunca são suficientes, o gasômetro ainda oferece belas fotos e passeios, a Olavo Billac está cheia de chorões, os jacarandás sem flores margeiam os casarões, há novos bares engraçadinhos e os velhos e bons de sempre... E cá vou falando de Porto Alegre, por que será que a pessoa que mais me lembra essa cidade é justo essa gata perdida? Essa garota de mochila transitando em alguma rua de Curitiba, odiando uns tantos desenganos, amando bobagens, brincando com o cardápio da Casa Lilás e rindo de todas coisas simples e bonitas.

“Aizita traz o chá, bebericamos na varanda (...) manhãs frias, noites quentes, teu casaco xadrez, o meu roxo, e as pessoas todas enganadas, pensando que temos algum lance, quem sabe, quem há de compreender o que meu olhar encontra no teu, que riso é esse suspenso na alma, lido no espírito de tudo que não dizemos, porque te amo, e porque é sempre um erro pensarem que precisas mais do que ser amada como és, e não pelo que podes vir a ser, um desejo realizado, e tão maior e igual erro, é pensar que preciso algo mais do que amar-te indelével.  Tens a cara e os trejeitos da minha cidade e a simplicidade surpreendente sabedora da minha alma. Parece mesmo que te conheço desde um sempre hierárquico, como se a vida toda tivéssemos divido as mesmas paredes sob aquele teto inexistente onde o que mais víamos eram estrelas e luas, essa ligação perdida nos tempos e estradas, pousos, partidas e chegadas. Ainda trago vívida a imagem de nosso último capuccino, na banca dos estudantes, naquela noite com gosto de desgosto e incertezas, das últimas perguntas, aquelas, as mesmas que ficaram sem respostas, tua mão brincando na borda do pires , guardo adormecido o cheirinho do último abraço que me destes: o acordo sempre que estou sem sono e cheia de perguntas tontas, ele me faz companhia, e juntos nos velamos...
Que a Tristeza é parente da Felicidade, me dizes... Te creio. Por trás do ovo apunhalado por certo houve um nascimento não sabido, e é do que se faz a obra afinal: de todos nascimentos não sabidos à uma escolha de fim: para te mostrar o quanto estamos perto daquele balanço roxo, que te digo: ainda há o outono. E querendo ou não, é depois dele, no Inverno, que acontecem nossos melhores planos, aqueles que nem sabíamos que existiam, mas que de tão surpreendentes e maravilhosos, nos parecem tão nossos que não há como negá-los uma aleatória autoria.
“E como ficou esse post?”                                     
Aaah, meu bem, tá ficando, cheio de você, pontilhado de mim. E no meio do caminho tudo foi amor, tristeza opaca e alegrias insensatas... 

segunda-feira, 29 de março de 2010

*;

Era tão linda, de uma beleza tão calma daquelas que resguarda uma selvageria ainda não vista, e todo o ar se conspurcava, miúdo e unido, dando passagem a beleza devassa.


                      ruru/                                                   

Você quem disse.

não, você disse antes, ou melhor, comentou.

ah, aquilo?! era só um comentário.

ah eh
verdade
u.U

#tensosNuncamais

#fiascoU

            Its a    TraP                              


-Tá sabendo né.

- o quÊ?

 - não era mentira!

- mentira?!

- é, pois é, me disseram a mesma coisa...

jesuis*

Hoje tive alguns desencontros

Mas também tive muitos encontros

é... eu espero. afinal

é
o
que
é
e
e
e
é

moulin°°º¨*


Hoje me deparei com aquele seu escrito, vi velhas fotos, e quase todas as coisas, incluindo eu mesma, me levaram até você.
Me levaram até os tempos sem tempos, até a penumbra do apartamento, até sua voz semi consciente chegando aos meus ouvidos também semi conscientes, e lembra daquela vez que ficamos sentados no chão do apartamento falando sobre física quântica e eu adentrei na idéia de que os móveis não estavam ali? Sim, e você parou tudo, e disse que se não parássemos de pensar naquilo, enlouqueceríamos. Eu era intensa. Você era protetor.
Lembro do frio, do vento, dos teus porres, das minhas broncas com as torneiras esquecidas abertas, ‘sempre né Marcello, sempre’, lembro das HQs teimosamente divididas, e da dificuldade de decidir quem era melhor e quando. Peter Parker, Destino, aquela saga do Demolidor, o quanto o Xavier era emo. Lembro das garotas, as iludidas, lembro da tua fome de amor e teu medo da perda de significado. Lembro do homem e do menino. Telhas quebradas, vidraças reclamonas, mães desesperadas, tias nervosas, de cada briga para sempre, de cada união mais forte do que nunca. Lembro daquele comandos em ação que você perdeu e passou anos se lamentando, lembro da primeira vez que você zerou Zelda, absorto e desligado, interessado e dispersivo. Lembro dos trabalhos de última hora, das provas em cima do momento, lembro da poesia escabrosa que te fez chorar... O homem, e somos todos iguais... daquela paixão surda que você manteve por tantos livros, daquela confiança quase religiosa um no outro. E lembro do teu ombro, e de como choramos aqueles pelos quais precisamos chorar. Eu lembro de você, com todo meu coração, inalo esse instante, resguardo intrínseco ainda qualquer partícula nossa. Te amo, e te amar é algo como  macarrão pré-cozido, voilà, alors, nada precisa ser feito. Te amo e isso não é uma proposta, é sentimento regido pela incondicionalidade do tempo e das coisas todas as quais relegamos desamor e falta de interesse.  Mas se em algum momento pareceu que eu saí da tua vida, ledo engano, ledo engano... permaneço na mesma brecha universal, pendurada de cabeça pra baixo no beliche, ainda leio antes de dormir, ainda confio nas pessoas, ainda acredito no amor, ainda ajo conforme o que acredito, ainda vou mudando sendo a mesma, paralelo nosso movimento segue análogo e intransferível: vai-se terra, ficam os homens sobre ela, e o amor, ah sim, o amor continua a girar.
Moulin.



domingo, 28 de março de 2010

Natal

Acordo com os marceneiros
seria o pai de Jesus? não sei, não sei.
tento me situar no espaço tempo - horas?
Ligo o celular: três mensagem-zinhas chegam Juntas.
Serão os três Magos?
Não, nem é Natal, mas que tá ficando parecido, tá. Daqui a pouco alguém vem bêbado me abraçar.
Quem me conhece sabe que detesto Natal e Ano Novo. E que só participo dessas coisas porque tem bebida, e hoje em dia, graças a Deus, tem meu sobrinho [/que ainda não se comporta diferente só porque é Natal] Então eu posso beber, jogar algum Mario e ainda ter uma companhia honesta e bastante agradável. Pra mim as pessoas podiam beber e decidir gastar sem freios mais vezes ao ano, ou simplesmente quando lhes desse vontade, ou viajar para lugares bonitos e brindar na areia sempre que a vida pedisse para ser brindada. Ao inves de querer horários e mesas bem postas. Mas nem é Natal, e eu não quero bancar a rabugenta do Natal, até porque me divirto ao menos observando essas coisas...
A primeira mensagem tem um ar frustrado, daquelas frustrações consigo mesmo, e está carregada de ressaca moral e possivelmente fede a Tequila, vem do interior do meu Estado e dá vontade de abraçar, por na cama, esperar acordar e tomar um café com muita literatura - ma fleur, eu já não te disse que todo sentimento já foi escrito? livros, ma chérie é tudo do que precisamos. Mesmo que a cabeça não pare para ler, segurá-los é também sabê-los de uma maneira íntima e impermeável, o café? Bien, café aquece a alma, é um ótimo motivo para fumar e por consequência ficar com os próprios pensamentos orbitando. Conversas de mesa de café. Já notastes que quando se toma café, nunca se conversa sobre algo, mas sobre todos pensamentinhos que vão saindo de nós mesmos? - Te gosto dêmás, embarque numa sexta e venha passar um fim de semana comigo, para não estarmos com ninguém. E durma, dormir também é pensar, e não pense quando acordar, fuja para o parque nessa chuvinha sem vergonha de molhar bobo e se molhe, o corpo tem a capacidade de educar a mente, sinta frio, calor, cansaço: pare um momento, continue - leia  Os últimos dias do Drummond!!! Te ligarei mais tarde e o lerei daquele jeito que sabes, gosto de ler para ti.
A segunda mensagem surgiu da Cidade Maravilhosa, e  era chorona e dengosa, dramática e esplendorosa, como o próprio Rio de Janeiro: esquina do desespero. Mas como não sentir inclinação por uma dama em desespero? Vontade de sentar com você na estação de metrô e dizer 'calma' - esquece, esquece esse turbilhão, essas pessoas indo e vindo, essa falta de energia repentina, esse trabalho todo de nada. Esquece, se o metrô não funcionar, o importante é não estar presa dentro de algum vagão calourento e sufocante, ainda temos pernas e pés, e com certeza esses hão de funcionar sem maiores instabilidades além das presumidas pelo desgaste. Quê que eu quero te dizer, ma belle? Não esqueça nunca de ti, que te tens e em ti residem todas as outras coisas, és a tua observadora do universo, eventualmente é bom pegar uma carona com o metrô, mas se ele não funcionar, não se esqueça de você. Por favor, me faça esse favor. E não se desespere, quase todas as coisas tem porquê mesmo que demoremos a sabê-lo. Tome um banho, arrume o quarto, caminhe pelo bairro, mexa em bobagens, deixe a mente operar em outros níveis, não fale, quanto mais você falar disso, mais informação repetida irá gerar. Simplesmente se ocupe enquanto a nova informação não chega. Boa ou mal. Ela com certeza está a caminho. E esteja bonita, sempre, nada pior do que estar na merda existencial e se tratar como mendiga - vale o mesmo: o corpo tem a incrível capacidade de educar a mente - Arrume-se, faça coisas, entre em contato com músicas boas e coisas legais, tristeza não usa perfume, mon amour - anime-se Rio! Única falha da sua cidade ao meu ver: vocês reagem mal ao mau tempo. É só a coisa mudar um pouquinho daquela beleza corrente e vocês já começam a achar que o mundo vai desabar. O mundo tem limites desconhecidos... E você também, procure-os, nos falamos mais tarde!

A terceira mensagem era curiosa...Tinha um tom de explicação já previamente explicada, e uma coisa assim 'eu não sei e às vezes quero achar um jeito de dizer' -  Dicaaaaaaaaaaaaaaaaaaa: muita coisa não precisa ser dita, e justamente quando é ambivalentemente sabida...E eu adoro você, se estivesse aí seria tremendamente carinhosa e lhe daria uns cascudos muito dos merecidos =D
Vou aproveitar a deixa que você deixou e emendar que eu gosto muito do seu sorriso também, que tem muita coisa bonita em ti que vai muito além da imagem bela que também és, sabes? Por algum motivo tendi a ser mais da imagem que de qualquer outra linguagem, achas mesmo que não sei ver o que vejo?
É, mon cher, é. Je vois, je vois... [Jê voas - eu vejo] e não é só a imagem do sorriso, mas aquele que brota lá dentro e não se explica, apenas sente-se presente e vivo. Enfatizo: adoro-te. 
Um xêro e também um abracinho de Gabi, já ouvi falar que responde quase todas as perguntas...


Nem era Natal, e viste? Ora, tô dizendo, existem dias bem melhores que Natal ou Ano Novo. Porque vocês existem em todos eles.
Comigo.
                  fazia Tempo                                                                      


que não sentia ressaca
apesar do pesares

                      sorriu


           morrer faz bem mais sentido sentindo-se você mesmo. E não outro.
                     ele gosta das coisas todas. gosto quando ele sorri. ele gosta de mim. somos parecidos diferentes e diferentemente parecidos. 



no fundo não importa.

sentimento confundido é a mesma coisa que gostar.
e para gostar não existe porquê.

sábado, 27 de março de 2010

sexta-feira, 26 de março de 2010

Não consigo dormir com fome, é eu deitar, e a barriga começar a zumbizar 'medácomidamedácomidamedácomida', e quem é que com sono quer comer algo muito elaborado? Praticamente ninguém, a não ser os veteranos assaltantes de geladeiras indefesas.

Sono. Olho pra embalagem vazia de danette, era uma vez um danettezinho que serviu aos meus fins [/iludir a fome e deitar] cansada, e como é bom, depois de dias de nada, estar cansada e dormir de cansaço depois de me iludir com um danette ( : 
cansada, sem ser cansada de sentir dor, e puxar o sono pra aproveitar a inconsciência da mesma, sem talento pra sofrer, acho que pra problematizar, chocar, tacar fogo na discussão, ser impetuosa, arrogante, irônica, audaz, mordaz [/como diria Lara: 'vil'] Ok. Posso ter propensão [/não ouso chamar de talento coisas tão assumidamente mal vistas/gosto da minha imagem, quem não gosta de proteger a sua, mente. Pior que o cínico só o hipócrita que disser que não L I G A a mínima pra dita, mas OK].
Às vezes, não ter talento para sofrer soa frieza, e é mesmo frio pular fora daquilo que tem cara, cheiro, cor e [/gosto que nem preciso provar] de sofrimento? É. Cara de furada, de 'trauma', 'drama'.
Aquela coisa que já foi vista e vivida até o caroço, aquela história que soa familiar, sabes? Que não exige genialidade para identificar o padrão 'me darei mal com isso'. Quem diabos, é imbecil ou maluco o suficiente pra topar uma coisa dessas?
Feio? Pode ser... Mas vil, vil mesmo é quem, além de farejar, vislumbrar e identificar um sofrimento, incutir a outro a culpa de passar a vivê-lo novamente. Fácil. Ei, eu vi que era uma furada, mas a culpa é sua depois, tá?
Nem, não gosto da palavra culpa, é tão 'santa'. Mas que deve ser bueno aceitar a merda e depois passar a culpa adiante, ah deve. 
Honesto? Honesto é assumir cada um a sua parte desde o princípio: isso não me faz bem, posso escolher, escolho o que melhor me faz sentir. Ponto. O tempo passa, as coisas são assimiladas, pessoas esquecem mágoas, e creio que esqueçam mais facilmente se evitarem tantas vezes as mesmas mágoas, mas tá aí o esquecimento que nada mais é outra forma de lembrar: lembro que esqueci, mas não esqueci que lembro.
Na hora pode ser chato, soar vil, indiferente, frio. Mas frio mesmo é não querer calor nem pra si mesmo, e achar que o cobertor do outro também deve ser consumido nessa fome pérfida de culpas e desculpas.
Quantas vezes levei a mão a testa momento seguinte àquele em que me vi adentrando na cilada de livre e espontânea vontade? 'um, merda, Gabriela, de novo?!' sacudindo ao fundo da mente.
Quebrar padrões, um eterno lego, logos cidadão, a cada novo encaixe, um sim ou um não. 
Escolher? Sim. Ou alguém acha que super naves de lego nascem sozinhas, e que se por acaso ,você tem um prediozinho que mal pára em pé e o amiguinho já tem dois edifícios, dois carros e uma espaço-nave super-ultra-muito legal, a culpa é da caixa de legos? Hum... ah tah, achei que cada um fizesse o melhor com o que tem... Não é o papo de pensar no futuro - 'amanhã me machucarei' - mas é o papo de não querer voltar no passado - 'acho que de novo' - cuidado com toda frase mental ou verbalizada que comece por 'acho que, de novo', quase certo que você sabe no que está entrando e não parece ter escutado bem a si mesmo.
Qualé, indo para frente, entendendo o que ficou para trás, prestando atenção no que está na minha cara A g o r a!
Amo o presente, às vezes não compreendo o passado, tenho sonhos, e como sonho é aquilo que 'não existe', deve estar ou não em algum lugar do futuro, mas não vivo o sonho, vivo o agora - cansada, meio fome, meio feliz, meio preocupada, vontade enorme de estar bem, pelo menos tanto quanto estava antes disso tudo começar... Mas e dae? Começou, e fui vivendo cada dia, cada momentinho, ruim e bom, evitando algumas coisas, sendo ajudada a evitar outras na hora da emoção. Só não esqueço, que muitos desses dias deitei na cama, tendo como única tranquilidade, apenas a fé no dia seguinte, demorou um pouquinho, e o dia seguinte daqueles tantos outros que me doeram, foi o de hoje. Hoje. Não guarda promessa nenhuma de um futuro sem mais complicações e desavenças, interiores ou exteriores, mas é o hoje, o agora, e este momento bom, genuíno e efêmero, me basta. Afinal, respiro, respiro até....? Não sei, nem quero saber, desde que não me falte o ar 
A G O R A.

quinta-feira, 25 de março de 2010


                                                                                                                                                    

sabes

aWraA

pêon


deixe seu irmão guria [/morro rindo]


segunda-feira, 22 de março de 2010

Que fique só entre nós                                                                                   

domingo, 21 de março de 2010




Cheguei, e .


Poderia  simplesmente dizer, cheguei. Cheguei em casa, cheguei da rua, cheguei das coisas todas que não eram suas.. Dessa calçada polida e batizada que não tem cheiro de mar, nem da brisa que te acolhe, nem dos risos que escolhes. Nem das conversas que pouco ou nada me acrescentaram, e somente me fizeram mais um dia viva e viva. Cheguei, e foi com a ânsia distinta e todas as outras coisas mais que não podem ser ditas, ou muito ligeiramente sabidas.


Verdade que cheguei, num ponto extremo e confuso, numa serenidade apenas de momento, e num momento combatido e sozinho. Verdade que cheguei e não sei o que fazer com isso.


Se dissesse, diria “porque eu preciso que você me ajude a entender”


Distância
                         Distância
                                        Mas que não distancia.

sábado, 20 de março de 2010




estava incrédula, já não era a primeira vez, 



e provavelmente, não seria a última.



Um pouco lhe sorria por dentro, envolvida até o âmago daquilo tudo, outro pouco se lhe era severa: até onde seguir sem nenhuma espera?


Devaneios de mansidão

sexta-feira, 19 de março de 2010

É pra você sim, 
esse d o c e
esse cuidado
esse pedaço
do meu estado



e será?
haverá?
e por que tanto futuro se o presente está de bom tamanho?

porque é de mim o mais querer mais, assim como de todo e qualquer homem já nascido neste e em outro tempo.



continua. Porque continuamos.

terça-feira, 16 de março de 2010

                              O

                                     b
                                         r
                                            i
                                             G
                                                 a
                                                    da



Anotaria mais tarde, na mesma noite, antes de dormir, talvez enganado, e totalmente óbvio: a vida é dinâmica. (Caio)

domingo, 14 de março de 2010

                                                            percebe?

de avesso e inversão






pensando                                         
                                       
                                                            é  
acho que dá pra dizer que sim     
     e de qualquer forma se assim não for
                         penso que pra isso, dá no mesmo

Shakespeare____you should live twice_____in it and in my rime.

                                                               

"Who will believe my verse in time to come,

If it were fill'd with your most high deserts?

Though yet, heaven knows, it is but as a tomb

Whicth hides your life and shows not half your parts.

If I could write the beauty of your eyes

And in a fresh numbers number all your graces,

The age to come would say, "This poet lies!

Such heavenly touches ne er touch'd earthly faces"

So should my papers, yellow'd with their age,

Be scorn'd, like old men of less truth than tongue,

And your true rights be term'd a poets rage

And stretched metre of an antique song:

   But were some child of yours alive that time,

   You should live twice, -- in it and in my rime.


                                                                                            

quinta-feira, 11 de março de 2010

Ele jamais lerá
o que não há para ser lido
ele,
em contra-partida
sempre lerá  o que houver escrito
lerá
e vê já
a não tardia consideração e amor

Cultivar, árvores, fortes ou não
que protegem ou fragilizam
mas, e ei de mim: cultivar
com lealdade
fiel
descansa, e não só os pensamentos
este
que sei, velejar com  o peito
embora temeroso
prosseguir sonhando
ah, e tem lado melhor?
mon amour, como te digo tratar
que sonhar descansado pronúncias de outro mar
e é por isso que te digo
tranquilize-se
estou lá.

quinta-feira, 4 de março de 2010

sono de quem viveu um dia bem vivido                                                    
                                                                                    
não tem regras não                                                      

só valeu muito a pena estar viva

quarta-feira, 3 de março de 2010

_____março



hoje é dia 3
março começou
na contra-mão literal do mês: tem um monte de coisa que terminou em mim
não tenho jazz
só vontades
ontem kerouac
hoje um jasmim qualquer
perdido num abraço
nem dado, nem dado
saí a noite, escureci, brilhei e cativei
março começou
e minhas seduções também
falamos de trabalho, tão simples, tão simples
e tão belo, belo
 e tão beat, não é mesmo? tão beat.
sem contemplações santas
te sinto em mim
sinto todo o trabalho de Deus
ensinando meu corpo a querer o teu
março começou
e eu também
a sentir desejos e coisas que atrasei no mês passado
às vezes penduro essas e outras contas, coisas
li todas tuas histórias, ri contigo das noites sozinho e ilusórias
e quando é o riso que se guarda de algo difícil
então como é bom ter com quem rir
sem aguardar respostas, pois as mesmas se deitam na cama
de graça, se ofertam
pegas em minhas mãos
março começou
contorno teus dedos
frémito e desejo
tens teus espaços, sem conheceres meus jeitos
no escuro se cria luz
na criação se cria, e como se cria
avessos de histórias
vês nos meus olhos: entendo tuas memórias.
e dizes gostar do que desconhece, só porque estou lá
e pra que eu fique mais, até te arriscas
a dizer: que vai gostar cada vez sempre mais
me arrancas uma respiração, estremeço e não nego:
estou em danação
março recém começou
e a santa já me deixa sem premonição
sou a carne pungente, o arrepio calado, a vontade atraída, o desejo convulso, calor de março
calor sem calma, calor que sobe a pele, doma com cegueira todos os sentidos
amordaça minha voz, ensurdece meus ouvidos, te escuto com o corpo, e de gosto nada nítido, só essa coisa de sentir o sal da tua pele escorregando pelas minhas mãos, salgando meu rosto, entontecendo a coluna, me torno ser, criatura abissal, que de membros se tornam apenas tentáculos buscando circundar teu corpo  na mais exata profundidade de meu desejo, nada me sabes do que sabes, as palavras todas, as artes intactas, as conversas longas, a solidão aplacada, hoje silêncio, amanhã som, rezas ávido em mim o verbo, sopro de vida, carinho sem porém, voo em meu corpo querendo tuas nuvens, querendo ver teu sol e me incendiar nos raios que evocas, abro a boca e o todo me provoca, não sei que parte de teu corpo mais me apetece, te quero todo, e no todo te parto, parte tua alcança o mais fundo de mim, me choco com tua presença
março começou
as pernas moles, a coberta que fugiu da cama, as roupas ausentes, as persianas latentes, teu suspiro rasgado, meus seios em sombra, uma sombra ampla colhendo o gozo, esplanando o peito, resguardo esse momento, antes que minha fome de ti cresça, cresça rompendo paredes e posições, movimentos transitórios, rotacionais, a alma voa porque o corpo é deveras terreno, e nessa terra árdua que saciamos tal cólera sôfrega e irracional, rodamos a noite toda, seres humanos, porém animais cheios de encanto, abóbada nebulosa teu rosto mais de uma vez me surgiu, torpe entre minhas mãos ávidas, te querendo e te tendo no querer mais 
março começou
sem jazz
sem kerouc
sou eu simples
incógnita passageira de Deus
singrando o mundo, nessa parte que me cabe
levantando com os pés mudos
as vontades inquietas, te olhando dormir
como quem mora num segredo incrível
recoberto pela paz análoga do existir apenas por ser
é
março começou
escuto os carros na avenida, escuto vozes e secreções cidadãs
sou eu, essa
sem querer te despertar desse segredo divino
abotoo minha camisa
e saio sozinha, óculos escuro em mãos
na dúvida
protejo os olhos
 essa luz de março me parece forte por demais



Escrevo porque o instante existe e minha vida está completa/hoje alegre/porém sempre poeta


segunda-feira, 1 de março de 2010

her name is Alice



Eles caminhavam pelo extenso gramado, com declives e pequenos sulcos, os pés silenciosos se adaptavam, caminhavam porque voltavam, porque tinham ido, ele alguns anos mais velho, ela, alguns anos mais nova. Não importava, caminhavam num silêncio tão sutil como claro: era óbvio que se entendiam. E de fato era bom que ela tivesse alguém assim: que a entendesse quando ela mesma não se entendia. Passaram por árvores, falaram de desenhos de sombra, tons de verde, marcas no solo, e por vezes também viam flores - tá vendo aquela marca ali? Que ninguém sabe de onde veio? É a vida, ela surge porque surge, porque sua razão principal é ser, estar é o verbo segundo, que nasceu para dizer como estamos enquanto somos. Você pode dizer que ela está estranha, que é uma marca abandonada, no solo, que está sem motivo de ser, que está sem saber quanto tempo existirá. Mas você poderá dizer que ela é abandonada? Pode dizer que ela é estranha só por ser como é? Pode dizer que ela é o tempo que existir?
- e a resposta vai ser: não. Não pode, porque graças, Deus não deu aos homens verbos suficientes para que invertam na linguagem o verdadeiro significado da vida.
Caminhavam sem palavras exatas, ele um pouco mais velho, ela, alguns anos mais nova, tão nova e tão cheia de pesos e marcas, essa era a primeira impressão que se tinha ao ver a garota caminhar. mas então ele olhava com mais atenção, sozinha estando junto, a garota caminha com segurança, embora não saiba onde o caminho vá dar, embora escolha as trilhas mais pela quantidade de luz que o caminho mostra do que pela direção, seus pés mantêm silêncio, delicados eles parecem não querer despertar nada, nada que já não esteja desperto a sua espera, e embora diga que nada sabe de nada, ele sabe - ela encontrou um caminho, pode não ser claro, pode ter raízes confusas, que sobem e descem tantas vezes que a vista se perde, pode ter chovido tanto que a terra preserva a marca de temporais antigos, pode haver galhos caídos pelo caminho, podas que enfim, cedo ou tarde acontecem, são necessárias para que mais viceje. E que mesmo sem saber a que, ou porquê, ela segue, há uma forte certeza de que o caminho é um caminho, e que guarda a cada momento um momento. 
Talvez ele sorria pensando que o caminho poderia ser mais curto, ou que a garota poderia dar menos menos voltas, mas enfim ele pensa - talvez tenha sido bom, tê-la levado pra ver estrelas, ter lhe dito dos ventos que sopram na sua terra, tê-la levado para ver e sentir a mudança das marés, ter contado tantas histórias sobre animais, lugares e instintos, ter dividido fielmente a sensação de saltar de helicóptero no meio da noite, sentir que algo lhe atravessa o joelho e só despertar pela manhã, cercado de vida e dor. Talvez tenha sido bom ensiná-la a caçar, mesmo que tudo que ela precise lhe chegue ás mãos através de palavras, palavras, talvez tenha sido bom deixar que logo ela lesse aquilo do que tinha curiosidade, ele gostava, de dar o livro certo, na hora certa, um pequeno jogo de adivinhas sem charadas, cada acerto era a certeza de saber o que lhe passava a alma. O quanto ele mesmo, sentira de medo, conflito, dor e solidão. Por que eram solitários por instinto? Porque tinham essa estrela de descobrir as coisas por si só, porque faziam longos caminhos como eremitas, porque eram estranhamente tão próximos e tão distantes ao mesmo tempo? Como uma lua e um sol, sem encontro, mas de existência análoga e íntima?
Acabava o caminho, ela parara, olhara o percuso e agora se voltava, dizia com os olhos: é hora de voltar.
Sem saber porque, ele a escuta perguntar coisas - como vai o jardim? e o cachorro? - perguntas bobas, que ele sabe ser a senha: sim, o tempo todo ela soube cada pensamento dele, durante todo o caminho, ela sabia o quanto ele pensava nela, e vinha agora nessas perguntas, dizer que não só não havia constrangimento, como estava disposta a abrir mais de si.
- O jardim. Ah, o jardim, às vezes ele pensava que só havia feito aquele jardim por nada, pelos outros ou como gostava de dizer: para si. Mas, no fundo, sabia, havia feito aquele jardim porque era a continuação do antigo quarto dessa garota, que era tão parecido com ela como o possível, uma flor eventual, surgida sem que ninguém esperasse flor por aqueles dias, músicas nos sons de bambu, cada planta ocupando um espaço especialmente desenhando, nos dias de cactos, nos dias de chuva, na estação dos pássaros, na umidade do inverno e na dureza do frio, o jardim se transformava, mas vivia o ano todo, e o ano todo mudava. E era ali que ela caminhava quando o vistava, e mesmo que muitos dias se passassem sem que a visse ali, ela sabia o que havia mudado em cada planta, sentada na janela, não raro o chamava de preguiçoso e dizia que o jardim podia crescer mais.
Mas e como fazer uma garota teimosa dessas crescer mais? Era a pergunta dele, pronta ela está, por que não cresce? Será que fui mesmo tão preguisoço assim? 

Caminham, é a primeira vez que se tocam, ela lhe abraça e caminham juntos, quando como que um pensamento mais do vento e das ávores, ela lhe olha e diz: é preciso ter momentos de paz, como esse, pra sentir a engrenagem das coisas, não? Acho que o simples acontece quando respiramos intimamente.

De repente é como se o gramado ficasse mais verde, as árvores mais fortes, como se cada micro ser daquele caminho ganhasse o seu momento ao mesmo tempo, e como tudo parecia vivo e em movimento. Ele ri, e diz que a paz é realmente sempre necessária. Ela pára, olha pro horizonte e diz: sabes, sempre odiei paisagens -mas e por que? - porque paisagem é coisa do homem, renascentista, natureza não é estática, passível de ser caracterizada simplesmente pelo olhar. Mesmo nesse silêncio sem mudança aos olhos, tudo ali tá mais vivo do que poucos homens que tanto a desenharam, talvez estiveram um dia em suas vidas.
Ele, fica em silêncio, depois olha pro chão, depois olha pra essa figura curiosa, tão nova, que ás vezes parece tão frágil...  então tem certeza, que afinal não foi preguiçoso, e que nem ela o é. Que aquilo que parece não mudar e nem crescer, está vivo, e que as mudanças prosseguem em seu ritmo e lugar, independente do que vejam os olhos.

Eles caminham, ele um pouco mais velho, ela, alguns anos mais nova, mas ambos atravessam o mesmo gramado, existem no mesmo tempo e continuam vivos.




her name is Alice

i Sem PingOS