segunda-feira, 29 de março de 2010

moulin°°º¨*


Hoje me deparei com aquele seu escrito, vi velhas fotos, e quase todas as coisas, incluindo eu mesma, me levaram até você.
Me levaram até os tempos sem tempos, até a penumbra do apartamento, até sua voz semi consciente chegando aos meus ouvidos também semi conscientes, e lembra daquela vez que ficamos sentados no chão do apartamento falando sobre física quântica e eu adentrei na idéia de que os móveis não estavam ali? Sim, e você parou tudo, e disse que se não parássemos de pensar naquilo, enlouqueceríamos. Eu era intensa. Você era protetor.
Lembro do frio, do vento, dos teus porres, das minhas broncas com as torneiras esquecidas abertas, ‘sempre né Marcello, sempre’, lembro das HQs teimosamente divididas, e da dificuldade de decidir quem era melhor e quando. Peter Parker, Destino, aquela saga do Demolidor, o quanto o Xavier era emo. Lembro das garotas, as iludidas, lembro da tua fome de amor e teu medo da perda de significado. Lembro do homem e do menino. Telhas quebradas, vidraças reclamonas, mães desesperadas, tias nervosas, de cada briga para sempre, de cada união mais forte do que nunca. Lembro daquele comandos em ação que você perdeu e passou anos se lamentando, lembro da primeira vez que você zerou Zelda, absorto e desligado, interessado e dispersivo. Lembro dos trabalhos de última hora, das provas em cima do momento, lembro da poesia escabrosa que te fez chorar... O homem, e somos todos iguais... daquela paixão surda que você manteve por tantos livros, daquela confiança quase religiosa um no outro. E lembro do teu ombro, e de como choramos aqueles pelos quais precisamos chorar. Eu lembro de você, com todo meu coração, inalo esse instante, resguardo intrínseco ainda qualquer partícula nossa. Te amo, e te amar é algo como  macarrão pré-cozido, voilà, alors, nada precisa ser feito. Te amo e isso não é uma proposta, é sentimento regido pela incondicionalidade do tempo e das coisas todas as quais relegamos desamor e falta de interesse.  Mas se em algum momento pareceu que eu saí da tua vida, ledo engano, ledo engano... permaneço na mesma brecha universal, pendurada de cabeça pra baixo no beliche, ainda leio antes de dormir, ainda confio nas pessoas, ainda acredito no amor, ainda ajo conforme o que acredito, ainda vou mudando sendo a mesma, paralelo nosso movimento segue análogo e intransferível: vai-se terra, ficam os homens sobre ela, e o amor, ah sim, o amor continua a girar.
Moulin.



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