sexta-feira, 26 de março de 2010

Não consigo dormir com fome, é eu deitar, e a barriga começar a zumbizar 'medácomidamedácomidamedácomida', e quem é que com sono quer comer algo muito elaborado? Praticamente ninguém, a não ser os veteranos assaltantes de geladeiras indefesas.

Sono. Olho pra embalagem vazia de danette, era uma vez um danettezinho que serviu aos meus fins [/iludir a fome e deitar] cansada, e como é bom, depois de dias de nada, estar cansada e dormir de cansaço depois de me iludir com um danette ( : 
cansada, sem ser cansada de sentir dor, e puxar o sono pra aproveitar a inconsciência da mesma, sem talento pra sofrer, acho que pra problematizar, chocar, tacar fogo na discussão, ser impetuosa, arrogante, irônica, audaz, mordaz [/como diria Lara: 'vil'] Ok. Posso ter propensão [/não ouso chamar de talento coisas tão assumidamente mal vistas/gosto da minha imagem, quem não gosta de proteger a sua, mente. Pior que o cínico só o hipócrita que disser que não L I G A a mínima pra dita, mas OK].
Às vezes, não ter talento para sofrer soa frieza, e é mesmo frio pular fora daquilo que tem cara, cheiro, cor e [/gosto que nem preciso provar] de sofrimento? É. Cara de furada, de 'trauma', 'drama'.
Aquela coisa que já foi vista e vivida até o caroço, aquela história que soa familiar, sabes? Que não exige genialidade para identificar o padrão 'me darei mal com isso'. Quem diabos, é imbecil ou maluco o suficiente pra topar uma coisa dessas?
Feio? Pode ser... Mas vil, vil mesmo é quem, além de farejar, vislumbrar e identificar um sofrimento, incutir a outro a culpa de passar a vivê-lo novamente. Fácil. Ei, eu vi que era uma furada, mas a culpa é sua depois, tá?
Nem, não gosto da palavra culpa, é tão 'santa'. Mas que deve ser bueno aceitar a merda e depois passar a culpa adiante, ah deve. 
Honesto? Honesto é assumir cada um a sua parte desde o princípio: isso não me faz bem, posso escolher, escolho o que melhor me faz sentir. Ponto. O tempo passa, as coisas são assimiladas, pessoas esquecem mágoas, e creio que esqueçam mais facilmente se evitarem tantas vezes as mesmas mágoas, mas tá aí o esquecimento que nada mais é outra forma de lembrar: lembro que esqueci, mas não esqueci que lembro.
Na hora pode ser chato, soar vil, indiferente, frio. Mas frio mesmo é não querer calor nem pra si mesmo, e achar que o cobertor do outro também deve ser consumido nessa fome pérfida de culpas e desculpas.
Quantas vezes levei a mão a testa momento seguinte àquele em que me vi adentrando na cilada de livre e espontânea vontade? 'um, merda, Gabriela, de novo?!' sacudindo ao fundo da mente.
Quebrar padrões, um eterno lego, logos cidadão, a cada novo encaixe, um sim ou um não. 
Escolher? Sim. Ou alguém acha que super naves de lego nascem sozinhas, e que se por acaso ,você tem um prediozinho que mal pára em pé e o amiguinho já tem dois edifícios, dois carros e uma espaço-nave super-ultra-muito legal, a culpa é da caixa de legos? Hum... ah tah, achei que cada um fizesse o melhor com o que tem... Não é o papo de pensar no futuro - 'amanhã me machucarei' - mas é o papo de não querer voltar no passado - 'acho que de novo' - cuidado com toda frase mental ou verbalizada que comece por 'acho que, de novo', quase certo que você sabe no que está entrando e não parece ter escutado bem a si mesmo.
Qualé, indo para frente, entendendo o que ficou para trás, prestando atenção no que está na minha cara A g o r a!
Amo o presente, às vezes não compreendo o passado, tenho sonhos, e como sonho é aquilo que 'não existe', deve estar ou não em algum lugar do futuro, mas não vivo o sonho, vivo o agora - cansada, meio fome, meio feliz, meio preocupada, vontade enorme de estar bem, pelo menos tanto quanto estava antes disso tudo começar... Mas e dae? Começou, e fui vivendo cada dia, cada momentinho, ruim e bom, evitando algumas coisas, sendo ajudada a evitar outras na hora da emoção. Só não esqueço, que muitos desses dias deitei na cama, tendo como única tranquilidade, apenas a fé no dia seguinte, demorou um pouquinho, e o dia seguinte daqueles tantos outros que me doeram, foi o de hoje. Hoje. Não guarda promessa nenhuma de um futuro sem mais complicações e desavenças, interiores ou exteriores, mas é o hoje, o agora, e este momento bom, genuíno e efêmero, me basta. Afinal, respiro, respiro até....? Não sei, nem quero saber, desde que não me falte o ar 
A G O R A.

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