quarta-feira, 28 de abril de 2010



teu sono é como oração
um valente corsário em enterna contradição

Para tomar um café


Que tenha silêncios, imbuído do frenesi incoerente do dia que passa, das pessoas que passam, das passadas pessoas, que estenda um pensamento até a borda da xícara, limite fictício para qualquer ideia mais abastada, para tomar um café e não pensar em mais nada, para tomar um café e descobrir tudo, para encher o tempo, para criar um segundo, pedaço de tempo mágico abrindo mais os olhos para o espaço, e ver a mulher com a agenda do escritório frente a si, e seus cabelos refletindo um frio suave, como se fosse pele arrepiada no sair escuro da madrugada, e ver a mão tentar em vão pensar, anotar, e perder-se, ver como seus olhos rapidamente parecem se preocupar, para em seguida sorverem outro gole de mundo.



e um chão qualquer
que me lembre teus passos
um dia qualquer de sol
para passear com você em mim
do que falta, que é tão pouco
perto do que há

Sorver um gole do mundo é de repente poder aumentar a alma sem doer o corpo, é de repente amar o que nunca se viu, mas então vê-lo com maior e infinita nitidez de tudo o mais já visto até o instante. Descobrir dentro de si, não somente réplicas e simulacros, mas todo um transverso de possíveis e nem sempre felizes desfechos, o sonho ruim ainda é sonho, o acordar-se é só isso de dar de cara com a realidade.  E para a realidade ainda há o café, a poesia, os amores impossíveis e toda sorte de possíveis momentos redentores.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

poesia para um boe#

a poesia me salvará
Pkna_Imperatriz dit :
*dos dias
*e das noites
*das grandes vagas
*de nenhuns instantes
*a poesia me salvará
*no cordão da calçada
*no relógio
*no sonho
*no método e na estrada
*a poesia me salvará
*me dará asas
*verei o céu do alto
*e o mundo imenso carcomido de asfalto
*a poesia me salvará naquele instante
*em que o estomago encolhe
*as pernas fraquejam,
o corpo sua
*as vozes somem
*na luz que se vai
*no escuro que permuta
*a poesia me salvará nessa e em qualquer outra curva
*deixe ao homem a linguagem
*a fome aos que comem
*o amor aos que abraçam o pranto
*a poesia me salvará dessa e de outra miséria
*pois será meu prato e minha sede
*a poesia, o mundo, o homem, o outro, imenso gigante, eterno pequeno infante
*a poesia me dará no tudo
*o nada que não posso abarcar

Tô sonolenta, fui pra casa de uma amigona ontem, que está morando com uma galera muito legal, e ri pâncreas, com muita cerveja, é claro, ressaca, dia de futebol na cidade, minha volta pra casa foi meio cinematográfica, até uma passeata no meio do caminho teve, avá...dae pensei: sempre quando a gente não tá bem é que essas somas de eventos bizarros acontecem. Dae pensei o óbvio: mas também, quem é que sai de casa todo alegre, dizendo: hoje eu vou andar de ônibus só pra encontrar aquela passeata suuuuuuuper legal. QUEM? Ninguém né, ou ninguém desse mundo, ou ninguém bem consigo mesmo.
:D
Fora as outras mil coisinhas inesperadas que compõem um bom e saudável dia inesperado não é mesmo?
Esses dias em que a vida parece um filme de comédia em que quanto mais a personagem central se fode, mais e mais a gente fica esperando qual será o próximo evento que superará o azarão anterior, o que invariavelmente só leva a uma sequência de acontecimentos impossíveis numa escala progressiva.
 Como por exemplo, descer do ônibus morrendo de calor, pegar aquela rua reta, que dá direto na frente do prédio, atender o celular, e ao aproximar-se da esquina, ouvir meu sobrinho me chamando e abanando os bracinhos, muito guapo e tranquilo debaixo da sombra, com seu boné totalmente apropriado,e eu ali, querendo desaparecer, querendo estar o oposto do que estou: suada, de ressaca e com paciência duvidosa. Dae atravesso a rua, cumprimento o Theo, sorrio, ludicamente é claro, enquanto ele, muito faceiro, escorado na sua bike, me conta que jogou o jogo de dados e moedas, que eu não entendo uma vírgula do que seja, mas não desanimo: sigo sorridente, dou um abraço rápido no meu irmão, e cruzo a rua de novo. Entro em casa e descubro na sala o que é um jogo de dados e moedas: esparramadérrimos no sofá, meus dados de General/Yahtzee e as minhas moedas antigas... nem tiro a mochila das costas, talvez por cansaço, talvez por uma prevenção qualquer de no caso de haver alguma catástrofe maior em andamento,poder simplesmente evaporar no ato com tudo que preciso preso às minhas costas. Junto todas as moedas que enxergo, jogo os dados no potinho. Entro no quarto, e muito claro, eu vejo, sem linha do horizonte do meu desejo, sem Manuel Bandeira que me guie, em cima da cama o tripé da câmera me sorri, astucioso no seu contorcionismo máximo. MAS, tudo bem.  Quero ar, quero ligar o PC, enfim esvaziar minha cabeça e fragmentar o corpo, tudo pra descobrir que o controle do ar condicionado sumiu. OK. Respiro. Respiro parada no meio do quarto como uma micro partícula que acaba de decidir que não vai se abalar. Dobro a direita, molho o pescoço na pia do banheiro, caminho até a cozinha: ainda há água gelada, nem tudo está perdido.
Retorno para o quarto, ligo o PC, me concentro na busca do controle do ar, aquele bipe infame parece arcode de violino pro meu ouvido hoje, nem calculo os minutos para que tudo refresque.
Abro meus e-mails, decido que não vou ler nada de trabalho, nada, que esqueci do relatório que preciso refazer uma parte, que esqueci que tenho que mandar uma listagem de material de apoio pedagógico pra uma direção, enfim, esqueço que esqueci. Decido que vou escrever um e-mail, zonza zonza que estou de tanta confusão, me faltam parafusos para elaborar qualquer coisa, vou escrevendo, os melhores amigos ficam online, troco as fofoquinhas básicas e triviais do meu fim de semana, amanhã eu não dou aula, e isso é um luxo inesgotável pra quem sabe o que é dar aula na segunda. Admito que senti saudade de quem é especial demais na minha vida e por acaso inescrupuloso está longe no momento, escrevo mais um pouco, paro, mando alguns sms pra vários cantos do globo: hoje é domingo e estou com saudades esculturais de todo povo bão de ma vie.
Relembro o sorriso da Mariana, o frânces da Lara, o livro quieto e guardado na mochila, relembro a menina doce e cruel de Curitiba, olho pro calendário: quero ser feliz.
Dou algumas risadas a toa, sem nenhum compromisso, escuto a Vanessa Paradis cantar 
Moi je préfère l'hémoglobine
Moi j'aime les dessins animes/Il faudrait qu'on nous change les piles”
É, preciso trocar as pilhas, tá certo, como a mosca letárgica, e naquela ideia do bem em desligar o ar e aproveitar a ventilação natural do quarto que descubro que alguém também brincou com minhas bolinhas pula pula, quase me assassino ao pisar numa das que menos gosto: ela é verde com bolinhas amarelas, nunca simpatizamos... me refaço do susto, e até rio, rio ainda mais quando me telefonam perguntando se não to afim de ver um filme do Alejandro González, e eu definitivamente não estou num momento bom para encarar um cinema. Penso e repenso Deus, fé e otimismo umas mil e trezentas vezes enquanto me perdôo por não ir ao cinema no domingo,eu deveria ter ido ao Mix bazar, ou deveria ser um urso e hibernar até a estação melhorar, sabes?
Mas não, não né, eu não me deixo enganar pela verdade: ainda deve valer a pena estar acordada. Então me divirto fazendo algo banal e corriqueiro, vejo todos os brinquedos que ainda quero ter na minha casa, aprecio um pouco de música, vejo o gato preguiçoso deitar em cima da calça nova que nem usei ainda: assim como comprei, deixei: jogada em cima da cama, entre livros, e outras coisas, e com todo esse universo de objetos pra hospedar o corpo dorminhoco, o ingrato escolhe justo aquele breve trecho de tecido...
Mas não, não né, me recuso a desconsiderar a positividade da coisa toda: se até o gato escolheu a calça pra deitar e dormir, é porque no mínimo o tecido é realmente bom e dá conforto. Gatos são ases do bem estar quando se trata de descanso. Pensandopositivo.com Vestir essa calça vai ser como dormir de pé [/bléeeehpéeessimo isso]
Tá bom, nada
Como ler aquele poema bom e genuíno, aquelas umas palavras que um dia unidas por um laço de amor, poeta, fazem da vida essa coisa não menos eterna mas tão e tão sedutora que cala o homem pensativo com seu andar supremo e único.
“Caminho por uma rua
Que passa em muitos países
Se não me vêem, eu vejo
E saúdo velhos amigos
Eu distribuo um segredo
Como quem ama ou sorri
No jeito mais natural
Dois carinhos se procuram
Minha vida, nossas vidas
Formam um só diamante
Aprendi novas palavras
E tornei outras mais belas (...)
E fui correndo poemas, alguns na memória, outros em gavetas, arquivos soltos, momentos tolos, fui me maravilhando, espanto de fim de domingo, operadora fora do ar, dia de vitória do adversário, domingo de brincar com o não divertido da coisa, do inverso. De me fazer lembrar daquele sonho maluco de um dia ser bilionária, e simplesmente comprar um navio pra encher com todos malucos incríveis que conheço, e gente ficar correndo o mundo sem preocupação nenhuma, só bebericando, criando e sendo feliz ou triste, mas como diria o Álvaro “Não me peguem no braço!”  E não haver fome ou angústia maior que a sede bela e anárquica de ser um ser humano simples e amoroso justamente por humano sê-lo.  Zeraria todas as coisas danadas e problemáticas da vida, e receberia o desastre com a minha melhor risada, a cada momento inequívoco desbravar um mundo que de sentido não entende é nada.
É isso, até que não foi tão ruim quanto pensei que poderia ser, e no final, foram felizes para sempre. Bom domingo.

sábado, 17 de abril de 2010


O café
as horas
o passo
a silhueta do teatro
a voz da garçonete
o queixo do menino que você ama
o circo
a tontura
o semáfaro
os reflexos
a louca heresia
a heresia nenhuma
as coxas, costas e lados
a vontade do simples
as meninas desconhecidas que são um grande amor
o grande amor pelo todo
a subnutrição de branco
o subtrair impróprio
tua voz alcalina
minhas respostas mudas
pra quando maio chegar
o vinho
as taças
desenhos
toalhas molhadas
risos místicos
o azul cobalto que você ama
e eu odeio, odeio
a grade antiga da casa do pai do beto
que eu amo
e você odeia odeia
um mundo todo que eu quero
e as coisas que você despretenciosamente
dispensa
aquilo que nem ligo
e o muito com o que te importas
o chantilly
o amargo
o doce e o cruel
a esquina nublada
as crianças jovens
pirralhas
a zenit lembrando
o apartamento berrante
E caio pra todas horas
e o mercado público
e as feirinhas
trechos de ladainha
shhhsssssss
ei
maio
tá demorando
a menina da franja
a mochila
vazia, vazia
a cabeça cheinha
pernas bambas
abraço presumido
eu e nada
cão falido
segunda vou a londrina
impossível não abrir a porta
e as coisas todas
cheias de você

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Sei lá como estou. Estou? já estive?
É, devo estar, ainda mais depois de alguns anos que estive...?
Já não sei.
Liquido as horas
Vendo dando os segundos que se quiserem levar
Prestigio uma coisa aqui, outra lá
pedaço de poente, verso de mar
de alma, percalço e gente
e tudo o mais que não posso levar

domingo, 11 de abril de 2010

se você crê que isso é mesmo o máximo que pode fazer

sinto muito

passou longe antes de chegar perto

o mais não é limite, é meta
ah
que o agora já passou
seguido de mais outro
e outro agora
de agora então
falsos santos só descansam quando os pecados são cantados como orações
dormirei no chão do quarto
vendo anjos enfumaçados
eu queria estar seminua, lendo poemas em voz alta
zanzando pelo quarto com uma taça na mão
e fazer sexo sem nem notar q o fazia, pq meu gozo ja era outro e se chamava poesia
sim, tem pra mim a escrita, isso que as vezes chamam de corpo, amor
desejo
solidão
e cruel empatia
as vzs me sinto um bicho
cheio de vontades e instintos, domesticado
pronto pra abanar o rabo pra copula ou pra chefe
só pq assim tem q ser
mas um bicho que na verdade
tem vontade de correr e morder
de estraçalhar
de uivar sozinho, extasiado
pelos feitos meramente instintivos
admito que


entrei em crise

que
 monto pedaços pra me conhecer


que não raras vezes

dependo de você

tanto o quanto você acha que depende de mim

admito

que muitas vezes digo 'tudo bem'

quando muito pouco está

admito
que digo 'que pena'

quando creio que nada foi mais justo

admito

que admitir não muda nada

mas faz de mim menos cínica

admito
que quando o vazio bate à porta, muitas vezes não sei o que fazer

aceito conselhos, por mais difícil que seja conceber



admito

que encho a mente de vinho, cerveja e etílicos
que corro o tempo vazio perseguindo acertos

que não gosto de deitar antes de me sentir satisfeita
que só chuto o balde com alguma certeza

admito

que quero e preciso refazer minha vida amorosa antes que eu mesma creia que não vale a pena mexer em nada


admito

que odeio a inércia
e isso me faz escrever, ser mais eu, respirar e criar

admito

que tenho tanto medo do pó do fim dos tempos, quanto Drummond ou Pedrosa

e não só temo, como não raro me ajoelho dentro de meu estômago encolhido
rezando intermináveis poemas, e lama

admito

que lanço um olhar pra sujeira da alma, e por vezes lamento tamanho lodaçal prematuro e aborrecido

admito

que vejo belezas póstumas
deixo a vida dispersar antes de me incomodar em dar respostas

admito

que barquinhos no rio, flores de ipê roxo e tristeza, saõ uma linda primavera

e que nada mais romântico e juvenil, e perenamente doce
que beber café tem todo seu charme e sedução


que a sedução é quase sempre necessária e vigente
seja qual for a situação

que seduzo ideias e cavoco afeições

admito

que já quis dar tchau sem pensar

e um oi sem a menor noção

que sou fria e quente, morna e nublada
como qualquer outra geração

que perfaço frases e retenhos escritos
procurando achar alguma real perfeição
que também eu sou um platão inescrupuloso
em busca da máxima forma

que conjugo os verbos no tempo errado
que traço, apago, e refaço

admito o óbvio que me enraivece

mítico é todo o erro
comum toda cisrcunstância

sábado, 10 de abril de 2010

monsieur

COMICs²

 Um novo membro vem até nós e se apresenta.


- Makeba.


Nós o acolhemos com todas as boas vontades do mundo.

              [ItsATrap!]

Sua verdadeira identidade: Yoda Makeba.



[/ei mestre, passa o sal?]                                                   

COMIcs°

- Próximo livro que vou ler tenho certeza que não vou gostar.

- E você vai ler mesmo assim?

- Aham.

- Mas pra quê? Tipo...

- Ah, sei lá, porque eu tenho que ler.

- Você não acha que isso é sofrer de bom grado?

- Você acha?

- Não sei. Você é quem diz que tem certeza que não vai gostar...

- Eu disse isso? Ah, a propósito, ficou muito bom o seu cabelo viu?

- .... hã o.O

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Meus detalhes


berros adormecidos

gritos esporádicos
                                                                                                             
                                                          
cordão oscilatório, timbre de ocasião

caretas e caras em qualquer estação

dit___

Artista e obra, obra e artista, humano em obras, obra humana...

*me conte_____dit _a sensaçao que eu tive
 daquilo que dialogava entre si e para si
foi de que aqueles pedaços de papéis  eram como momentos intensos
 limite indeterminável entre palavra e traço
quando parece que nao sabemos mais como dizer



algo doce


                                      entre desespero

















e aceitação

quinta-feira, 8 de abril de 2010

She

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        

Foi acordando assim, meio dormindo, meio sonhada, os cabelos inquietos, o frio misturado às ansiedades. ansiedade não vista, não sabida, apenas sentida, se quiser imaginada, tinhas as mãos brancas, e a face que parecia eternamente descansada, lembrava mesmo uma adolescente, e isso não a mudava em nada.
Aos poucos os olhos conseguiam discenir algumas formas, como se o foco ficasse brincando de abrir e fechar, e daí as cores formavam nuvens difusas, como coroas dos objetos que no momento pareciam meramente espalhados. Tateou o teclado com vontade de que ele escrevesse por si e não necessitasse da sua frágil coordenação motora pra isso, vacilou até a cozinha e aqueceu a água para o café, aos poucos lembrava que havia dormido muito pouco, e isso estranhamente nem a incomodava, obedecia ao corpo e suas vontades, cedo ou tarde, adormeceria novamente, mesmo que os trabalhos se empilhassem na montanha de rascunhos e outras coisas pendentes, mesmo que o telefone tocasse, que as pessoas lhe exigem esses ou outros meios termos: dormiria e então seria somente ela e o silêncio habitado de suas ideias.
Tinha uma relação estranha com o sono, que vinha desde os primórdios desta vida: demorava a querer dormir, e quando dormia não gostava de ser acordada. No passo normal de uma vida normal, o não querer dormir acabou ocupado, primeiro pela leitura, depois pelas primeiras festas, depois e mais depois por todos aqueles momentos únicos que a gente sente que tem que viver, e dormir a gente deixa é para depois. E depois pelas angústias da faculdade, ou pela simples febre pululante de conhecimento, notas, trabalhos, mesas de bar, livros, desenhos. E depois, por ela mesma. Ocupar novamente o espaço do não querer dormir, como se a vida pudesse ser esse eterno emendo continuado sem  o sono, seu fiel intervalo. 
Talvez soubesse, que na noite o silêncio é quebrável, mas que no dia somos apenas mais um, mais um ruído disperso nas vontades barulhentas e gritantes do mundo. Só gostava de uma coisa no dormir: poder sonhar.
Sonhar era aquilo que traduzia em outras passagens o mundo inteiro que lhe escapava enquanto insistia em estar acordada. Sonhos bons, Sonhos maus... Eram somente uma amostra das polaridades da mesma dicotomia que ela percebia no cotidiano, embora sonhar lhe trouxesse outros âmagos, era como ver uma linha fina, mas suave que aquela que a aranha destila estender-se em voltas infinitas dentro do impossível, sonhar lhe envolvia a alma, e sonhada era como amanhecia. Assim, cabelos inquietos, sem emitir uma sequer palavra, nada a cortar aquelas finas linhas, tão presentes ainda em sua fisionomia, desenhada no semblante uma calma lúcida, embora ausente de todos os outros instantes.
Esperou o tempo a ser esperado, não mexeu em nada, apenas desgrudava-se pouco a pouco das sensações, dispôs os olhos pelo espaço, enxergava agora mais nítido quaisquer contrastes, e via o gato despretencioso, e ouvia pela primeira vez o dia ruidoso, lembrava-se vagamente de ter trabalhado, frases, cenas, momentos outros não tão longes, mas impossíveis de pegar no agora, olhou para o calendário, pensou em datas, lembrou de dinheiro, pensou que tudo era  nada, o que então dava no mesmo.
Como dar o play numa música aleatória qualquer, e de repente perceber que a distância entre sonho e realidade, entre estar adormecido ou desperto, é muito mais breve e sutil do que se imagina, quando a realidade canta o sonnho acordado.



"Her face is a map of the world, is a map of the world
You can see she's a beautiful girl, she's a beautiful girl
And everything around her is a silver pool of light
People who surround her feel the benefit of it
It makes you calm
She'll hold you captivated in her palm

Suddenly I see(suddenly i see) this is what I wanna be
Suddenly I see(suddenly i see) why the hell it means so much to me
Suddenly I see(suddenly i see) this is what I wanna be
Suddenly I see (suddenly i see)why the hell it means so much to me
(...)
The power to be
The power to give
The power to see, yeah, yeah
She got the power to be
The power to give
The power to see, yeah, yeah
The power to be"

se avoir


tudo acaba entrando nos trilhos,
 (19:18) Pkna_Imperatriz :posso no momento nao ver onde diabos estao os trilhos
mas eu sei q as coisas so acabam qdo terminam
e posto q continua
 (19:18) Pkna_Imperatriz :ainda voltaremos aos malditos trilhos
road
road
=]
eu tou feliz
prepare-se, momento piegas
ai que lindo isso.
eu te amo, sabe?

sabe que te amo?



eu sei, você vai dizer que eu supero, que sou linda e louca e rápido me desespero
eu sei que você irá dizer as melhores coisas, e que talvez até me escreva
eu sei, não teimo a dizer: não te vás, fique, um jeito daqueles nossos a gente dá

porque te amo minha letrada, deitada na cama, manhã de graça, dia nublado
vinhos em xícaras, cachaças no aparador, e poemas, livros, pessoas e dilemas
e nossas mães, e os filhos que não temos, os medos dos outros dos quais rimos
a loucura nossa comungada no alheio se traduz naqueles versos tão usados
que sabemos de memória, nos gritos histéricos, aos vizinhos antropólogos, monólogos
chatos, insones

A rua não tem a metade do tamanho, mas sem você me vão quilômetros de mim
A mesma cidade nossa, baixa, insana, boemia desconcreta, incerta e profana
festas, falsos intelectuais, fatos, as histórias contidas entre essas e outras quadras
não me faça andar um quarteirão em vão, se no final daquela rua imunda e cretina
eu não tiver uma campanhia pra tocar, nem teu rosto a me esperar
belo belo
o jeito esquivo, o olhar agudo, pernas longas, filete de estudo
as brigas, as palavras, como escreve, onde estás
você reclama, inflama pelo que não lembras como escrever
mas então me diga, como se escreve a falta que só me faz você?


Você vai dizer que logo logo, estarei a como sempre sorrir, mas me diga, la rá pia
águia dos profundos céus rasgados no alto do morro, teu olhar estende um campo ambíguo
descreve em nós de dedos claros, falanges todas nuas, expressões deveras tuas..

é triste, é necessário, é vão e mesquinho, já diria o Paulo Mendes Campos, até a dor tem sua medida...
e não, sofrer com e no tamanho do que nos causa dor é ato de amor
dor legítima, desce queimando, não desvanece nem tira encanto, mas arde os poros do coração
a cada novo momento relembrado até então
da blusa de lá, a camiseta preta, allstar branco, tua mente opereta
sapatilhas, rivera, norte, sul, no campo todo, destilas como canto

é mesquinho, é quase um desalinho, te amar tanto
e não ter muito o que dizer agora, e você me conhece, não sou de preencher horas
então
La rá pia de mim quem sois
abra os braços, deslize cegamente, contornes os obstáculos
vá no largo profundo teu, deixe pra lá essas ideias absurdíssimas como tu mesma dizes
essas se lavam como roupas brancas: com paciência, dedicação e tempo.

Como nós duas, allstar branco que nos aguente. Te amo-tu. Minha sempre, Deusa Literária.

terça-feira, 6 de abril de 2010

palavras/la mot
 e se são fora de lugar e se por acaso são sem hora, tralhas de um momento, pérolas de um deserto inaudível, são palavras, estão todas onde deveriam estar quando estão, pois veste o momento sua total rede de imprecisão aleatória, e cada passe é mágica, e cada mágica é única, e único é vontade de dizer.



 Vontade de dizer    você sempre vai me ver

Sonhadário

 
 
 
tudo aquilo que eu e você, e todos nós, já estamos cansados de tanto merecer
Está por vir

de rien, mon cher

Eu sei, não foi nada, foi simples, nem quis, nem falei, mostrei, roí as unhas e enrolei as pontas da minha franja enquanto pensava em porquê depois de tanto desinteresse vc ainda me olha... e porque? será que tem a ver com a ideia de eu desejar que você esteja desejando o que nem sei que sou porque se soubesse eu seria exatamente o que você quer?
Ou o simples fato de não poder tocar tua pele morna adormecida e reter na minha banal falta de significado o quanto tu significas para mim?
O que é isso? tempo, poeira, espaço, laços, tua mão que doma meus cabelos rebeldes e meus olhos inquietos enquanto me faz olhar nos olhos do que não vejo, porque não quero te ver me vendo, porque assim o que eu escondo me come enquanto teus lábios devoram meu pescoço e aquecem meu peito de uma fome voraz de mais de ti querer, e assim eu me perco porque apenas sinto no meu corpo o que você não me diz.
Nos movimentos e espasmos, no retroceder e instigar, no xingar com verbo a boca cheia de amor sabido.
De escolhas, por ali, por aqui, te definho e procuro o que não acho pra ver se me encontro no nó que demos, em conflitos que na verdade não temos, mas que precisamos pra nos dar, nos ser e poder segurar na mente o que o corpo não guarda.
E é tão simples e objetivo quando um corpo reage a outro, e as respirações se dirigem de rosto para rosto, em punhos que apenas forçam aquilo que se quer deixar ter, e que no entanto é seguro, está guardado, e o que buscas e o que busco não está em frascos, mas podemos cochilar aqui dentro, da vontade uma da outra de fazer.
De suar ambíguo, no esforço que não é esforço mas mera trajetória natural de corpos tocantes e tocados, o que não é amor mas é vontade, porque queremos, porque o corpo não é algo tolo e infantil que fica discutindo quem tem razão, é o mais simples e genuíno engenho da vida.
Porque todas essas pequenas perguntas são apenas parasitas, se o que vem de longe é a sombra do teu corpo velando o meu, ou os nós dos dedos brancos agarrando com força vontades invisíveis, prescrutando no depois o nada. É ele, o porém partido, de que não há mais nada além de um corpo, de formas, contornos, flexível ao desejo, impotente frente ao calor que emerge vencedor de qualquer falso pudor oculto.
Na garganta seca morre a voz que não precisa ser dita, porque ali na vontade consentida, ficam para trás os velhos tormentos, os maus julgamentos, as supostas vitórias intelectuais, financeiras e sociais, e existe no ato a cor crua de tornar-se um ser involuntário posto que devoto do próprio querer.
Ainda assim, as pessoas insistem em delírios de amor, e comparam sentimentos com sentidos, procurando proporções incabíveis não só pela lógica mas pelo óbvio de que matéria e conceito não se aplicam aos mesmos padrões.
E então se um corpo diz, como saber o que ele fala, se a fala em si é expressão primeva de quase todas contrariedades construídas pelo homem até hoje?


genuíno
audaz
mordaz
perspicaz
rápido
veloz
coerente
preemente
proeminente
controverso
verso

no corpo poeta
os versos se derramam e multiplicam-se na cama dos sentidos
dormem e gozam tantas verdades que razão nenhuma consegue abarcar
porque, pudera
se o corpo mentir
é porque morreu um humano e nasceu mais um idiota hipócrita pra abençoar nossos dias

segunda-feira, 5 de abril de 2010

eu ainda não sei se vou sentir falta.


mas também, acho que isso não importa agora.

eu só sinto.
muito.
tudo isso.

domingo, 4 de abril de 2010

L'automne




Éveillé






Acordo com o som da porta batendo e um ar gelado tomando conta do espaço, levanto no escuro e procuro a chave da porta, sim, nenhum dos dias que passei aqui foi preciso chavear a porta do apartamento. Nem tão pouco preocupar-se com nada. A não ser eventuais mosquitos famintos, bônus de estar praticamente vizinha a uma reserva ecológica – se la vie. Procuro o celular, que também não teve uso, das raras vezes que o danado teve sinal, era uma torrente de mensagens e nada mais.


As mensagens... aiaiai Desculpas ao pessoal que mandou mensagem na quinta e na sexta querendo saber de festas, eu mesma não fiz questão de abrir nenhum e-mail, nem do Beco, e nem qualquer outro sobre diversão permissiva, simplesmente fui curtindo a chegada dos avisos, isso antes mesmo de saber que poderia viajar. Na real quem me conhece sabe que quase sempre faço isso: escolho no último momento a festa. OK.OK. Sou privilegiada, moro na rua mais conhecida da noite de Porto Alegre, posso sair, e não raro o faço, às 3h,4h sem destino, só com algumas mensagens no celular, saio caminhando e vou telefonando, descobrindo quem está onde, ou entro em algum lugar e reencontro alguns bons malucos e de novo fazemos “Aquela” festa. É...


Desculpas ao pessoal das mensagens, quem me conhece sabe que qualquer festa que eu vá, costuma ser “A” festa... E por falar em Beco, a pré-Natal que fui, demorei a voltar e arrecadei uma mordida no braço que até hoje não sei de onde veio... “minhas” festas são boas porque: nunca dão errado, não têm prazo pra terminar, são divertidas ever, costumo me dar bem com todo mundo e ter sorte, demais até, no que acaba por surgir algumas regalias – bom relacionamento boêmio : ) Coisas do signo. Dizem.


Um beijo pro Mathias, que pra quem não sabe, eu tirei inconsciente do Beco e levei até em casa. É, né Mathias, e você querendo voltar ao Beco...tsc tsc prendre soin mon ami, prendre soin! [acabei de ler e responder seu e-mail, nãaaaaaaao, eu não mudei de número de celular e sim, tá tudo ok comigo hehehhe]


Vou esclarecendo, fait de Le beaux jour et eu, decidi aceitar o convite do meu pai pra passar uns dias em Morro dos Conventos, SC. Quem conhece, sabe que é lindo, e se conhece, só digo: fiquei do lado do Bar das Dunas, é, ali, bem no auge de tudo de melhor que acontece no morro e no esporte do balneário... Fez sol toujours, o mar tava susse, o rio lindíssimo. Vizinhos doidos, les fous, plus, passei o tempo rindo, tomando cervejinhas infindáveis, comendo churrascos intermináveis, e o melhor de tudo: Partir d’um éclat de rire [muitas, muitas gargalhadas]


Ri dêmás. MESMO. Se rir é bem coisa de Gabi, gargalhar então... EUH!


Estudei um bocade de français, oui, j’em! Aliás, rire de plus com isso, inventei musiquinhas idiotas, traduzi frases célebres, filosofei, e tudo muito bem guardado em copos de cerveja estupidamente gelada =D


Recebi algumas mensagens saudosas – inclusive uma que chegou agora “fazendo falta” (mudei o celular de posição para usar a luz de Le écran et voilà: sinal. De 20segundos mas legal, também faz-me faute pessoa querida, avise Zordon que super agradeço o sinal de 20 segundos (: - E bee~meu cel não tava desligado nãaaaaaaaaaao. Também senti tua falta, ma fleur;*


Mas voltando às mensagens: nem de todos eu sinto falta ou me importo. E tenho meus motivos para tal, que só a mim dizem respeito. Sei que você lê meu blog. Então espero que seja a última vez que preciso me manifestar sobre: pare de querer falar comigo. Eu te desculpei, mas já estou até repensando se agi certo ao fazê-lo: você não merece nem as minhas desculpas ao insistir em querer contato. E não é tão burro, então é capaz de ter feito este mesmo raciocínio sozinho. Você não me fez bem e ponto. Eu não tenho mais nada a falar sobre isso, aja como adulto, aceite que algumas coisas não dão certo, não dê uma de criança na idade da possessão, ou dê: mas em outra freguesia, meu caro. A vida é minha, e nela fica quem eu decidir que seja melhor para mim. Siga pelo menos com a lição de não se repetir, mas não me busque para consertar nada, porque eu simplesmente não sou centro de reabilitação de marmanjo mal educado. Se ligue e passe bem, ou não, mas passe longe. Eu não gosto de usar meu blog pra atitudes escrotas, e ao meu ver, que seriam desnecessárias, se você se comportasse como um adulto e não como um púbere.






Mas voltando ao Meu post e às outras tantas pessoas queridas, que me gostam de verdade, com as quais me importar é mera conseqüência de um sincero afeto: é bom sentir saudades de vocês!!!


Sorvetchênho se deverteO às pampas, não fez zueira demais em Santa, não morfou, Zordon não convocou meus super poderes, que incluem: fazer rir, inventar palavras e onomatopéias, dizer tosquices, contar histórias, mostrar desenhos, fazer super caretas e estar presente.


Começou a chover na ilha, por isso acordei, e acordada comecei a escrever, ando com uns posts meio ‘confessos’ ultimamente,Je sais... Ando meio confusinha, meio inquieta, às vezes entusiasmada, noutras nem tanto, mas “Ando”, viva, inteira. Sentindo muito, de tanto, intensamente. Às vezes acho que estou amando, às vezes sei que estou com raiva, e me sinto mal por sentir essas coisas não tão legais... Prefiro estar amando. Nem que seja fugaz, difícil e quase irreal. Gostar é tão bom. Faz tão bem, facilita o riso, movimenta a coronária, aviva as idéias, e principalmente: amar produz mudanças.


Amar é aquilo, aquele segundo mágico em que Zordon te bipa e você pode morfar!


Amar é coragem e zelo, é força e sutileza, é lealdade impregnada do outro. Por isso é tão importante amar algo que nos faça bem: porque se o amor nos faz mudar, faz toda diferença como mudaremos. É, prefiro amar. Eu prefiro a coragem de mudar para melhor e fazer-me através do amor, alguém melhor pra esse mundo. Prefiro emanar e construir o meu melhor aqui. Acho que por isso procuro esse amor lindo, tão puro e nobre. Porque quero ser o meu melhor, o meu mais feliz, completo e pleno nessa vida. Já vivi muito plenamente tudo aquilo que amar o que não nos faz bem pode produzir. Quase perdi a mim mesma, tanto em ser, como em estar aqui hoje... Praqueles que conhecem essa história e sabem o quanto ela foi minha idade das trevas, faz todo o sentido eu dizer: quero aquele amor que faz bem. Ainda acredito nele, apesar de todos os machucados sérios, de todas horas escuras, da exaustão, da dor e da batalha de estar aqui agora.


Digo: só há batalha porque acredito no amor. Sempre acreditei, mesmo quando o amor parecia uma coisa terrível de força destruidora inimaginável. Só há batalha porque acredito no amor que faz bem: Sei que uma hora ele vai me encontrar, e mesmo que tenha medo, que vascile e desconfie, terá a coragem de mudar, e de me dar a chance de mudar para melhor.


Boba. Piegas. Ingênua. Sonhadora. É, pode até ser. A garota festeira, de idéias fortes, de atitude, é sim uma das pessoas que mais crê no amor. Naquele mesmo, dos épicos lidos, dos sabidos, e até dos atuais presenciados: o Amor existe. Leve o tempo que levar, faça as curvas que fizer: estamos caminhando um em direção ao outro, não haverá erro ou dúvida:


Eu sei que vou te amar.










Alameda de les anges, voilà, est moment de aimer!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

é do que vc precisa

poker
*é bom
é, uma garrafa de vinho
e meu frances
sei como é
pensar na vida..
é bonita sim, o encontro do rio com o mar é bem bacana
isso que tava observando
café é cheiroso
eu acho
*que absorvi informação demais
querer contrariar meus conceitos
morreu maria preá
to impressionada
*sim
*e eu nao posso achar não é?
entao eu espero
*parece rapido
*mas foi normal po
quero comer bem, dormir sem margens, ver aquela praia

tu sabe q eh reciproco.
je suis une stupide
isso sim..
ó a balburdia
era nada

its a trap


óóó nãããaaaaaaaaaaaaaaaaaaaoO

saudades imensas duma folga pretensa.
Então eu respiro  fundo, e inalo num misto de acidez e zombaria todo o tédio que o teto me oferta... 
Gotinhas de apreensão, misturadas com desejo descem minha garganta, tudo gira no pouco sentido que tudo insiste em defender que tem...


                P u e r i l


i Sem PingOS