domingo, 11 de abril de 2010

admito que


entrei em crise

que
 monto pedaços pra me conhecer


que não raras vezes

dependo de você

tanto o quanto você acha que depende de mim

admito

que muitas vezes digo 'tudo bem'

quando muito pouco está

admito
que digo 'que pena'

quando creio que nada foi mais justo

admito

que admitir não muda nada

mas faz de mim menos cínica

admito
que quando o vazio bate à porta, muitas vezes não sei o que fazer

aceito conselhos, por mais difícil que seja conceber



admito

que encho a mente de vinho, cerveja e etílicos
que corro o tempo vazio perseguindo acertos

que não gosto de deitar antes de me sentir satisfeita
que só chuto o balde com alguma certeza

admito

que quero e preciso refazer minha vida amorosa antes que eu mesma creia que não vale a pena mexer em nada


admito

que odeio a inércia
e isso me faz escrever, ser mais eu, respirar e criar

admito

que tenho tanto medo do pó do fim dos tempos, quanto Drummond ou Pedrosa

e não só temo, como não raro me ajoelho dentro de meu estômago encolhido
rezando intermináveis poemas, e lama

admito

que lanço um olhar pra sujeira da alma, e por vezes lamento tamanho lodaçal prematuro e aborrecido

admito

que vejo belezas póstumas
deixo a vida dispersar antes de me incomodar em dar respostas

admito

que barquinhos no rio, flores de ipê roxo e tristeza, saõ uma linda primavera

e que nada mais romântico e juvenil, e perenamente doce
que beber café tem todo seu charme e sedução


que a sedução é quase sempre necessária e vigente
seja qual for a situação

que seduzo ideias e cavoco afeições

admito

que já quis dar tchau sem pensar

e um oi sem a menor noção

que sou fria e quente, morna e nublada
como qualquer outra geração

que perfaço frases e retenhos escritos
procurando achar alguma real perfeição
que também eu sou um platão inescrupuloso
em busca da máxima forma

que conjugo os verbos no tempo errado
que traço, apago, e refaço

admito o óbvio que me enraivece

mítico é todo o erro
comum toda cisrcunstância

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