quarta-feira, 28 de abril de 2010


Para tomar um café


Que tenha silêncios, imbuído do frenesi incoerente do dia que passa, das pessoas que passam, das passadas pessoas, que estenda um pensamento até a borda da xícara, limite fictício para qualquer ideia mais abastada, para tomar um café e não pensar em mais nada, para tomar um café e descobrir tudo, para encher o tempo, para criar um segundo, pedaço de tempo mágico abrindo mais os olhos para o espaço, e ver a mulher com a agenda do escritório frente a si, e seus cabelos refletindo um frio suave, como se fosse pele arrepiada no sair escuro da madrugada, e ver a mão tentar em vão pensar, anotar, e perder-se, ver como seus olhos rapidamente parecem se preocupar, para em seguida sorverem outro gole de mundo.



e um chão qualquer
que me lembre teus passos
um dia qualquer de sol
para passear com você em mim
do que falta, que é tão pouco
perto do que há

Sorver um gole do mundo é de repente poder aumentar a alma sem doer o corpo, é de repente amar o que nunca se viu, mas então vê-lo com maior e infinita nitidez de tudo o mais já visto até o instante. Descobrir dentro de si, não somente réplicas e simulacros, mas todo um transverso de possíveis e nem sempre felizes desfechos, o sonho ruim ainda é sonho, o acordar-se é só isso de dar de cara com a realidade.  E para a realidade ainda há o café, a poesia, os amores impossíveis e toda sorte de possíveis momentos redentores.

2 comentários:

  1. Acordar.... um dia irei acordar disso tudo, gabi!
    Esperando o dia para sentarmos novamente juntas para chopps, cafés e chás!

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  2. hj seria perfeito... algo assim, sem pressa ou destino

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