quinta-feira, 8 de abril de 2010

sabe que te amo?



eu sei, você vai dizer que eu supero, que sou linda e louca e rápido me desespero
eu sei que você irá dizer as melhores coisas, e que talvez até me escreva
eu sei, não teimo a dizer: não te vás, fique, um jeito daqueles nossos a gente dá

porque te amo minha letrada, deitada na cama, manhã de graça, dia nublado
vinhos em xícaras, cachaças no aparador, e poemas, livros, pessoas e dilemas
e nossas mães, e os filhos que não temos, os medos dos outros dos quais rimos
a loucura nossa comungada no alheio se traduz naqueles versos tão usados
que sabemos de memória, nos gritos histéricos, aos vizinhos antropólogos, monólogos
chatos, insones

A rua não tem a metade do tamanho, mas sem você me vão quilômetros de mim
A mesma cidade nossa, baixa, insana, boemia desconcreta, incerta e profana
festas, falsos intelectuais, fatos, as histórias contidas entre essas e outras quadras
não me faça andar um quarteirão em vão, se no final daquela rua imunda e cretina
eu não tiver uma campanhia pra tocar, nem teu rosto a me esperar
belo belo
o jeito esquivo, o olhar agudo, pernas longas, filete de estudo
as brigas, as palavras, como escreve, onde estás
você reclama, inflama pelo que não lembras como escrever
mas então me diga, como se escreve a falta que só me faz você?


Você vai dizer que logo logo, estarei a como sempre sorrir, mas me diga, la rá pia
águia dos profundos céus rasgados no alto do morro, teu olhar estende um campo ambíguo
descreve em nós de dedos claros, falanges todas nuas, expressões deveras tuas..

é triste, é necessário, é vão e mesquinho, já diria o Paulo Mendes Campos, até a dor tem sua medida...
e não, sofrer com e no tamanho do que nos causa dor é ato de amor
dor legítima, desce queimando, não desvanece nem tira encanto, mas arde os poros do coração
a cada novo momento relembrado até então
da blusa de lá, a camiseta preta, allstar branco, tua mente opereta
sapatilhas, rivera, norte, sul, no campo todo, destilas como canto

é mesquinho, é quase um desalinho, te amar tanto
e não ter muito o que dizer agora, e você me conhece, não sou de preencher horas
então
La rá pia de mim quem sois
abra os braços, deslize cegamente, contornes os obstáculos
vá no largo profundo teu, deixe pra lá essas ideias absurdíssimas como tu mesma dizes
essas se lavam como roupas brancas: com paciência, dedicação e tempo.

Como nós duas, allstar branco que nos aguente. Te amo-tu. Minha sempre, Deusa Literária.

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