segunda-feira, 19 de abril de 2010


Tô sonolenta, fui pra casa de uma amigona ontem, que está morando com uma galera muito legal, e ri pâncreas, com muita cerveja, é claro, ressaca, dia de futebol na cidade, minha volta pra casa foi meio cinematográfica, até uma passeata no meio do caminho teve, avá...dae pensei: sempre quando a gente não tá bem é que essas somas de eventos bizarros acontecem. Dae pensei o óbvio: mas também, quem é que sai de casa todo alegre, dizendo: hoje eu vou andar de ônibus só pra encontrar aquela passeata suuuuuuuper legal. QUEM? Ninguém né, ou ninguém desse mundo, ou ninguém bem consigo mesmo.
:D
Fora as outras mil coisinhas inesperadas que compõem um bom e saudável dia inesperado não é mesmo?
Esses dias em que a vida parece um filme de comédia em que quanto mais a personagem central se fode, mais e mais a gente fica esperando qual será o próximo evento que superará o azarão anterior, o que invariavelmente só leva a uma sequência de acontecimentos impossíveis numa escala progressiva.
 Como por exemplo, descer do ônibus morrendo de calor, pegar aquela rua reta, que dá direto na frente do prédio, atender o celular, e ao aproximar-se da esquina, ouvir meu sobrinho me chamando e abanando os bracinhos, muito guapo e tranquilo debaixo da sombra, com seu boné totalmente apropriado,e eu ali, querendo desaparecer, querendo estar o oposto do que estou: suada, de ressaca e com paciência duvidosa. Dae atravesso a rua, cumprimento o Theo, sorrio, ludicamente é claro, enquanto ele, muito faceiro, escorado na sua bike, me conta que jogou o jogo de dados e moedas, que eu não entendo uma vírgula do que seja, mas não desanimo: sigo sorridente, dou um abraço rápido no meu irmão, e cruzo a rua de novo. Entro em casa e descubro na sala o que é um jogo de dados e moedas: esparramadérrimos no sofá, meus dados de General/Yahtzee e as minhas moedas antigas... nem tiro a mochila das costas, talvez por cansaço, talvez por uma prevenção qualquer de no caso de haver alguma catástrofe maior em andamento,poder simplesmente evaporar no ato com tudo que preciso preso às minhas costas. Junto todas as moedas que enxergo, jogo os dados no potinho. Entro no quarto, e muito claro, eu vejo, sem linha do horizonte do meu desejo, sem Manuel Bandeira que me guie, em cima da cama o tripé da câmera me sorri, astucioso no seu contorcionismo máximo. MAS, tudo bem.  Quero ar, quero ligar o PC, enfim esvaziar minha cabeça e fragmentar o corpo, tudo pra descobrir que o controle do ar condicionado sumiu. OK. Respiro. Respiro parada no meio do quarto como uma micro partícula que acaba de decidir que não vai se abalar. Dobro a direita, molho o pescoço na pia do banheiro, caminho até a cozinha: ainda há água gelada, nem tudo está perdido.
Retorno para o quarto, ligo o PC, me concentro na busca do controle do ar, aquele bipe infame parece arcode de violino pro meu ouvido hoje, nem calculo os minutos para que tudo refresque.
Abro meus e-mails, decido que não vou ler nada de trabalho, nada, que esqueci do relatório que preciso refazer uma parte, que esqueci que tenho que mandar uma listagem de material de apoio pedagógico pra uma direção, enfim, esqueço que esqueci. Decido que vou escrever um e-mail, zonza zonza que estou de tanta confusão, me faltam parafusos para elaborar qualquer coisa, vou escrevendo, os melhores amigos ficam online, troco as fofoquinhas básicas e triviais do meu fim de semana, amanhã eu não dou aula, e isso é um luxo inesgotável pra quem sabe o que é dar aula na segunda. Admito que senti saudade de quem é especial demais na minha vida e por acaso inescrupuloso está longe no momento, escrevo mais um pouco, paro, mando alguns sms pra vários cantos do globo: hoje é domingo e estou com saudades esculturais de todo povo bão de ma vie.
Relembro o sorriso da Mariana, o frânces da Lara, o livro quieto e guardado na mochila, relembro a menina doce e cruel de Curitiba, olho pro calendário: quero ser feliz.
Dou algumas risadas a toa, sem nenhum compromisso, escuto a Vanessa Paradis cantar 
Moi je préfère l'hémoglobine
Moi j'aime les dessins animes/Il faudrait qu'on nous change les piles”
É, preciso trocar as pilhas, tá certo, como a mosca letárgica, e naquela ideia do bem em desligar o ar e aproveitar a ventilação natural do quarto que descubro que alguém também brincou com minhas bolinhas pula pula, quase me assassino ao pisar numa das que menos gosto: ela é verde com bolinhas amarelas, nunca simpatizamos... me refaço do susto, e até rio, rio ainda mais quando me telefonam perguntando se não to afim de ver um filme do Alejandro González, e eu definitivamente não estou num momento bom para encarar um cinema. Penso e repenso Deus, fé e otimismo umas mil e trezentas vezes enquanto me perdôo por não ir ao cinema no domingo,eu deveria ter ido ao Mix bazar, ou deveria ser um urso e hibernar até a estação melhorar, sabes?
Mas não, não né, eu não me deixo enganar pela verdade: ainda deve valer a pena estar acordada. Então me divirto fazendo algo banal e corriqueiro, vejo todos os brinquedos que ainda quero ter na minha casa, aprecio um pouco de música, vejo o gato preguiçoso deitar em cima da calça nova que nem usei ainda: assim como comprei, deixei: jogada em cima da cama, entre livros, e outras coisas, e com todo esse universo de objetos pra hospedar o corpo dorminhoco, o ingrato escolhe justo aquele breve trecho de tecido...
Mas não, não né, me recuso a desconsiderar a positividade da coisa toda: se até o gato escolheu a calça pra deitar e dormir, é porque no mínimo o tecido é realmente bom e dá conforto. Gatos são ases do bem estar quando se trata de descanso. Pensandopositivo.com Vestir essa calça vai ser como dormir de pé [/bléeeehpéeessimo isso]
Tá bom, nada
Como ler aquele poema bom e genuíno, aquelas umas palavras que um dia unidas por um laço de amor, poeta, fazem da vida essa coisa não menos eterna mas tão e tão sedutora que cala o homem pensativo com seu andar supremo e único.
“Caminho por uma rua
Que passa em muitos países
Se não me vêem, eu vejo
E saúdo velhos amigos
Eu distribuo um segredo
Como quem ama ou sorri
No jeito mais natural
Dois carinhos se procuram
Minha vida, nossas vidas
Formam um só diamante
Aprendi novas palavras
E tornei outras mais belas (...)
E fui correndo poemas, alguns na memória, outros em gavetas, arquivos soltos, momentos tolos, fui me maravilhando, espanto de fim de domingo, operadora fora do ar, dia de vitória do adversário, domingo de brincar com o não divertido da coisa, do inverso. De me fazer lembrar daquele sonho maluco de um dia ser bilionária, e simplesmente comprar um navio pra encher com todos malucos incríveis que conheço, e gente ficar correndo o mundo sem preocupação nenhuma, só bebericando, criando e sendo feliz ou triste, mas como diria o Álvaro “Não me peguem no braço!”  E não haver fome ou angústia maior que a sede bela e anárquica de ser um ser humano simples e amoroso justamente por humano sê-lo.  Zeraria todas as coisas danadas e problemáticas da vida, e receberia o desastre com a minha melhor risada, a cada momento inequívoco desbravar um mundo que de sentido não entende é nada.
É isso, até que não foi tão ruim quanto pensei que poderia ser, e no final, foram felizes para sempre. Bom domingo.

Um comentário:

  1. te ler me dá uma paz que só é compreensível a quem te conhece.
    me leva no navio tb? :)
    *amo-te*

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