sábado, 29 de maio de 2010

Como me arrependo de não ter bebido mais...
Não só e também isso.
Arrependida de não ter passado na Koralle e assim não ter mais do azul que eu preciso, que eu nem sei bem qual é, mas sei com certeza que não é nenhum-zinho dos pigmentos que tenho aqui, a tela se arrasta, logo quando quero terminar - Sim, como me arrependo de não ter bebido mais ¬¬'

E porquê infernos amanhã é dia de faxineira no apartamento, e diabos mais uma semana que nada se move da mesa de desenho, e mais um sábado que sairei perambulando pela Cidade Baixa procurando qualquer coisa pra fazer que não seja escutar aspirador de pó e todos os outros ruídos provenientes de mãos não necessariamente ordeiras... 
Odeio reclamação, tanto quanto detesto me sentir insatisfeita, eis o que um azul não faz: invertendo meus valores básicos. Ok. Concentrarei, amanhã Koralle, talvez cruzar o parque e brincar com meu sobrinho, depois um chimas com a Flávia ou o Briza, pessoas boas, coisas boas, risadas e possível falta de coerência. Depois pintar e decidir se vou naquele aniversário que não tô com a mínima vontade de ir porque tenho outro pra ir no domingo...que esse sim, é imperdoável não ir. 
Quero o sábado perfeito, que inclui comer bem e não aquelas refeições toscas e corridas da minha semana, beber uma boa cerveja, produzir, rir, se possível o tempo todo como sempre, e em algum momento da noite, estar sentada na escada do quintal com meu pulguento enquanto tenho grandes idéias sobre o que pode ser melhor pro resto de uma noite de sábado: um aniversário burocrático ou qualquer outra frugalidade doida que me dê prazer :D
Enquanto isso desenho de mesa de bar que eu e Diogo fizemos em julho passado quando ele teve por POA, essa semana vou procurar os que eu fiz enquanto bebia pelo Rio, rs...

quarta-feira, 26 de maio de 2010




Abri as gavetas, tava tudo tão fechado, tão mal e descaradamente guardado. Nem lembrava mais, nem fazia mais diferença o que ali estivesse, abri as gavetas e não foi à toa, pronta pra jogar tudo fora, fosse o que fosse que guardado estivesse já não me interessava mais. Cansada daquela poeira toda que no fim só dava alergia e uma garganta seca, rasgava o respiratório: necessitava urgente de ar.
Queria coisas novas, fosse o que fosse como fosse se fosse, novo, fosse o que fosse se fosse, que estivesse fechado ali com certeza o tempo já teria puído, lambido freneticamente com seu tic-tac incessante que diz e reduz a hora viva morte viva, no fundo com sorte seria um punhado de cinzas ou algo quase invisível e impalpável às mãos. Abri as gavetas, nada concensiosa, fosse o que fosse, iria embora e seria agora. Pros choques, pros medos, pra dúvida, pra dívida, pra quase tudo na vida a gente dá um jeito. Um leve e indistinguível pó se erguia na fraca luz que esgueirava pelas cortinas, e nenhum cheiro de mofo surgiu amargoso e indispensável, nada nem um ocreoso nauseabundo atacava o ar, nada com pontas ou lâminas, feio ou agudo, no fundo do baú para o qual uma chave faltava, haviam somente lembranças. Alguns risos inertes, pedidos esquecidos, desejos calados, como um estalar de dedos seco no silêncio, a verdade era que fosse o que fosse, nem poeira, nem cinza e tão pouco morto estava, mesmo que estático, mesmo que combalido e a parte, nada do que fora deixara de ser. E foi então que um espaço se abriu no estômago e um asco dominou a garganta, era o ar que infiltrado por tanto tempo destrancava agora as vias todas, as respiratórias e as imaginárias, e fazia rodar a cabeça, acelerar o pulso e afastar os pés do chão, comprimi os braços, era preciso estar em algum lugar que não ali, agora, era preciso no  mínimo um pouco de distância, fosse o que fosse aquilo, uma dúvida não havia: era forte. Respirei fundo, um momento sem perdão me tocou os lábios, elevei as mãos, não para me recompor ou buscar o que fosse de mim, mas tentar catar com os dedos a forma do pecado, sentir-lhe o jeito e quem sabe até pergunta-lhe a graça, quem sabe numa tentativa ingênua de desfazer antigas culpas ou apenas pelo mero e cretino critério humano de a tudo querer dar um nome. Sentei-me na cama,surpresa, incrêdula, pelo tudo, pelo nada, pela falta de confissões, pelas orações erradas, e ainda mais, como um ataque, sabia porque as gavetas estavam tão bem fechadas, sabia agora porque desejar que tudo não fosse mais que cinzas e ainda mais porque da coragem de querer se desfazer disso.



quinta-feira, 20 de maio de 2010




       Silêncio. Silêncio às vezes é como descanso, é como mudar junto com o inverno da minha cidade, é estar dentro da minha vida antes de qualquer outro lugar para estar, silêncio é conduzir espaço pra se escutar, é precisar menos por fazer mais. Eu gosto do sabor da paz, e da ausência de conflitos, gosto do meu café no Majestic, gosto dos abraços rápidos e fugidios, gosto da espontaneidade dos beijos como anjos avoados, gosto de me encantar com as capas dos livros e contar histórias para dentro, construir minha própria memória, e ter as coisas, fatos, textos e homens pelos quais serei praticamente uma eterna apaixonada. Gosto de segurar na tua mão e dizer 'me sinto bem', e deduzir o efeito que isso tem no teu coração pela maneira como me olhas. 
Gosto de passar os instantes a te observar, memorizando teus gestos, escrevendo meu dicionário, vou te conhecendo, me sabendo, tudo meio lento-rápido-demais-aquela-história, de como aquele casaco te veste bem, de como perdemos o horário do cinema porque o vinho era bom e boas eram todas as outras coisas acontecentes ou não, porque estávamos juntos, no frio, apenas querendo dizer coisas, que nem eram nada perto do óbvio: gosto de você.

O inverno, decididamente me faz bem.

terça-feira, 18 de maio de 2010

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Até um meteorito prestes a se chocar contra a Terra seria menos megalomaníaco.
O que me faz pensar:

Os piores desastres sempre são os humanos...





se eu estivesse precisando me animar
você com certeza não seria a inspiração







antes fosse uma dica*




domingo, 9 de maio de 2010

então começou a escorrer pelas paredes do quarto, água e água por todos os lados,
quis pegar meus pincéis e pintar
quis pegar minhas vontades e desenhar
teu corpo pálido
caído de sono ou contrariado, do lado de fora
dizendo sempre que é tudo muito arriscado e escuro
e que nas florestas de paralelepípedo as ruas rosnam
as vontades serpenteiam, os copos agéis
as loucuras todas são meios
e que num passeio qualquer
entre uma grade, um muro, um desenho colonial
pedras, contrastes, claros e escuros
os bichos
doidos
são todos intrusos
entre a vontade
sumária
primária
que sempre há de haver
entre eu
estar com você



ainda terá aquele dia em que nos encontraremos
para além dos trilhos cruzados
dos textos casados
das ideias todas
promíscuas parábolas com as quais tentamos soletrar o mundo
o dia
aquele
para além dos limites
em que entre um chacrinha, um capuccino e algumas heinekens e muitos cigarros
sorrirei de lado
entre tímida e maldosa
eu sei
'você sempre soube'
você sabe
'como se você também não soubesse'
jamais brigaríamos pela última caneta do mundo
isso é amor