quinta-feira, 20 de maio de 2010




       Silêncio. Silêncio às vezes é como descanso, é como mudar junto com o inverno da minha cidade, é estar dentro da minha vida antes de qualquer outro lugar para estar, silêncio é conduzir espaço pra se escutar, é precisar menos por fazer mais. Eu gosto do sabor da paz, e da ausência de conflitos, gosto do meu café no Majestic, gosto dos abraços rápidos e fugidios, gosto da espontaneidade dos beijos como anjos avoados, gosto de me encantar com as capas dos livros e contar histórias para dentro, construir minha própria memória, e ter as coisas, fatos, textos e homens pelos quais serei praticamente uma eterna apaixonada. Gosto de segurar na tua mão e dizer 'me sinto bem', e deduzir o efeito que isso tem no teu coração pela maneira como me olhas. 
Gosto de passar os instantes a te observar, memorizando teus gestos, escrevendo meu dicionário, vou te conhecendo, me sabendo, tudo meio lento-rápido-demais-aquela-história, de como aquele casaco te veste bem, de como perdemos o horário do cinema porque o vinho era bom e boas eram todas as outras coisas acontecentes ou não, porque estávamos juntos, no frio, apenas querendo dizer coisas, que nem eram nada perto do óbvio: gosto de você.

O inverno, decididamente me faz bem.

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