quinta-feira, 10 de junho de 2010


São pequenas coisas, sabes?
pequenas como o espaço entre os lábios dela ao dormir, pequenas como os espaços entre minhas roupas e eu, pequenas como todos aqueles instantes que antes você diria imprevisíveis, pequenas como o risco espaço tempo de um sorriso matutino despercebido. Como todos aqueles momentos de angústia e solidão, de mãos geladas de suor invisível, teor palpável, dúvidas imensas, que de tão grandes nem entravam na cabeça, tremores, desconforto intestino-emocional - as dores, as inquietações, os silêncios enormes e os espaços cada vez maiores...
São as pequenas coisas, sabes?
Não sei como, não sei porquê, mas são elas as coberturas de todos esses outros espaços mordazes, como margaridas banais podem ser flores únicas? Como as mesmas chuvas encardidas de inverno podem fazer diferença?
Basta que o concreto predomine pra tornar qualquer flor uma especiaria, assim como basta o calor de mil sóis dentro da cabeça pra uma chuva corriqueira ter todo seu valor. Basta no fim, ter espaços pra plantar outras coisas que não a mesmice dolorida de sentir-se só.

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