segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Adora


Eu sempre venho aqui falar de sentimentos, tantas pessoas ao longo desses meus tempos, elogiam o que escrevo, sendo o blog um resumo do que crio. Mas poucas pessoas conhecem o mundo por trás de minha escrita ou de minha maneira honesta e passional de viver as coisas.
Alors, quero falar de alguém especial, alguém que gosta de Adele, de Loane, Vanessa Paradis, Kate Nash, alguém que gosta de cores, alguém que gosta de fazer doces, que gosta de flores, de viajar, de alguém que não se cansa de amar. Minha mãe. Brasileira até não poder mais, dona não de casa, mas de razões e entendimentos.
Sim, eu escrevo. Quase desde que por gente me entendo, escrevo. Escrevo e desenho.

Mas eu já contei que sempre escreveram para mim? Acho que não. Minha mãe costumava escrever quando estava grávida, nos seus espaços de tempo sem tarefa no trabalho, escrevia para os futuros filhos, creio fosse a maneira que encontrava para cobrir o espaço que ainda nos separava, ou para falar do espaço que não tínhamos, tão próximos estávamos a ela. Foi depois do meu nascimento que retornou à Faculdade de Letras, embora ela diga que foi para dar um exemplo aos filhos, eu aqui nos meus botões acredito que foi pela busca continuada de espaço. Paixão por asas e liberdade, por viagens e paisagens. Mundo dos livros e seres humanos do mundo. Humanidade.  Já tive alguns outros blogs, que por razões distintas, extintos foram, rs. Há algum tempo, recebo cá umas visitinhas dessa minha brasileira amada, e mesmo que aqui nunca tenha escrito sobre ela, em nada que escrevo deixo de dizê-la, nem haveria como: nunca deixou de existir aquele espaço que nos tornou uma, sim, ele trocou de forma e lugares, passou do gosto pelas cores para a garota estudante de Artes, passou das aulas de português para uma escrita própria  e uma compulsão por livros e autores que há muito já extrapolou o comum. Minha paixão por leitura, sua sede por saraus, meus ímpetos, seus registros. E a aceitação inevitável que passa pela raiva ao clamor inequívoco do amor entre mãe e filha. Tão difícil às vezes, e nas dificuldades tão simples: saber a quem estender a mão e a quem recolher em abraços. Laços. A vida costurou minha existência na tua, por vezes nos emaranhou, estranhou, mas lindamente nos fez essas parecidas tão diferentes.
As mágoas são curtas, quimeras somente. Perene é o vívido vivido dividido.
Eu não teria obrigadas suficientes, pois não lembro agora quem escreveu “aos olhos de um filho a mãe é sempre Deus (...) Obrigada por mesmo sem me entender, me compreender, obrigada por amar o que amo como se seus amados o fossem, por mostrar que incertezas são começos de certezas para o coração, por me sorrir quando fecho os olhos para a alegria, por ser a primeira a lutar por mim e a única a não desistir, por me ensinar a lutar mais que tudo, por mostrar que não há tamanho que demasiado seja para o que se quer conquistar.
Dos livros com cuidado, com carinho, risadas soltas, dias de sopa, magras, gordas, raivosas, contidas, vaidosas práticas, práticas nervosas, enervantes cativantes, seja lá do tamanho que for, se for coisa alguma isso que chama amor, tenhas absoluta certeza és o satélite do meu pequeno planetinha, onde passo os dias a revolver vulcões para evitar teimosas erupções, onde me privo de discutir com a vaidade rosa, e converso com meninas que seguem coelhos e acreditam em cartas, donde cavaleiros de triste figura mostram belos traços de crença.

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