quarta-feira, 11 de agosto de 2010






Talvez você preferisse que eu não tivesse pego aquela chuva, talvez você preferisse que eu esquecesse todas as coisas que persisto lembrar, que eu não tivesse gritado, te dado as costas aquele dia... talvez você preferisse que eu não ferisse, talvez deseje que eu nunca tivesse prometido, dito, torcido, desenhado aquelas voltas todas em torno de você. Talvez quisesse que eu chegasse com os cabelos exatamente como você se lembrava, só pra depois se lembrar que melhor seria nunca tê-los visto de jeito algum.

Talvez você quisesse eu fosse fogo fátuo, quimera sua, imaginação absurdiana, surto psicótico, episódio de mania, um dia de depressão, talvez quisesse eu nuvem perto do morro para só passar, me tornasse invisível sinônimo de nada... talvez quisesse, talvez pudesse, mudar passos, apagar, devolver antes de quebrar.


Talvez quisesse por eu não ter durado não ter jamais havido, e havido tenha, esquecido ficasse.





Naquela chuva fina, naqueles rocks de porão, naqueles frios tolos de casacos tortos, na cama morna, na quantidade de porém’s, nas risadas, nos confessos, nos lados do parque, e até nos degraus das escadas com luzes apagadas e desejos acessos. Talvez quisesse, talvez possa tragar com outros passos esses espaços.

Talvez mereça que eu pereça, que mastigue minha ilusória presença, talvez eu saiba disso e até queira. E queira insistentemente te imaginar, caminhando, de chinelos, pouca roupa pro tempo muito, feliz, olhando pra alguma garota que sorri só pra você, talvez te queira indo além, manifestar todo teu baú de desejos. Talvez eu seja alguma espécie de torcedora fanática que dá ares de pouca importância, mas daquelas que acompanha lance a lance sem nem piscar... talvez eu queira tudo que você quer, quase como uma segunda voz/vontade, e esqueça de te dizer por tanto já ter dito.

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