terça-feira, 24 de agosto de 2010

tem dias


Tem dias que tudo parece o mesmo, mesmo que a gente não se aparte de que tudo, mas tudo mesmo é imprevisível, seja verdade ou mentira, ter certeza ou achar, ficar na dúvida ou nem nunca se decidir. Mesmo assim, tem dias que tudo parece o mesmo. E não é.

Parece a mesma conversa de todo dia, é a mesma cara, aquela voz acostumada, as mesmas ruas com seus sinais como passarinhos de metal que ficaram presos por um esquecimento de cimento, centímetro a centímetro prontos a apontar, a sinalizar quais passos dar. E até isso: seguir e prosseguir ou parar e esperar, parece o mesmo. O cotidiano trancado dentro do ser difuso, parece o mesmo. Os tempos perdidos, os lembrados, as rezas de infância, as nunca oradas, tudo parece o mesmo, e o mesmo que é bom não pode ser é nada. Morreu ali onde começou a ser pisado, clicado, focado, deixado de lado, morreu ali esperando a diferença de mais um parto, que parecia o mesmo, mas que trouxe ao mundo um ser totalmente diferente, que parecia o mesmo, mas que outro era e seus encantos portanto continha. O mesmo não pode ser, lhe faltam forças para forças ter, o mesmo parou ali, onde a garota subiu no ônibus e o trocador se encantou, o mesmo estacionou no momento em que alguém mordeu a bochecha acidentalmente e se deu conta de dentes e dor, que pareciam os mesmos, mas que novo sangue irrigaram para as papilas. O mesmo seguiu o dia não imaginando encontrar um som sequer fosse novo, morreu ali, onde a cidade inquieta cantava com suas vozes de trabalho, dor, amor e salvação. Morreu. Morreu do mesmo. Morreu mesmo. No exato instante em que além de escrever com palavras mesmas e hábitos tais, coloco um punhado de idéias mesmas de forma tal que, mesmo que o mesmo ache parecido, jamais conseguirá dizer se é mesmo igual.

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