terça-feira, 24 de agosto de 2010




Um dia correu e saiu soltando tudo,
desprendeu os muros das casas que de tanto ouvirem se fizeram mudos, espalhou um bando de palavras por aí, e com elas hálitos,
uns travessos, outros de medo, juras de amor com suas ausentes testemunhas, cumprimentos de bom dia, sobressaltos da noite, assobio de criança, conversas de velhos,
a moça que, afoita um dia extraviou por ali parte da sua solidão, que o moço disfarçado em forma de acaso resgatou alcançando o celular que ficara para trás,
quis soltar os muros, as grades dos edifícios, as portas de calçada, as fachadas das lojas, a entrada do parque, o passo da prefeitura,
todo e qualquer espaço passante um novo errante.
As ânsias saíram em debandada, nervosas demais que estavam para chegar, fosse lá onde fosse que chegassem o quanto antes,
e assim percebeu que de pouco adiantava tornar tantos livres se sempre haveriam aqueles que saíram na frente sem se importar com mais nada.



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