terça-feira, 21 de setembro de 2010

ces jours...

Tem vezes que os dias paracem ter tônica própria, você enrola, dá uma de mestre da jogada, acha mesmo que vai lançar um tom.. e tomá lá que o dia te faz, rs... Tenho o hábito de refletir nos meus domingos, motivo pelo qual não gosto de sair no dito. Domingo pra mim é um dia que se escreve com 

s i m p l i c i d a d e, 
p r i v a ci da de, 
e s p o n t a n e i d a d e 
e
t r a n q u i l i d a d e.


Ok, hoje não foi domingo, foi uma segunda, mas era como se fosse. Foi um domingo curioso, alegre, cheio de tinta, tumultuado, casa cheia, comemorativo, sair pra encontrar amigos, foi um domingo de falas bruscas e entendimentos parciais, resto de briga, de resto de relação, não é bom, mas também não dói. Talvez não doa porque hoje entendo muito mais do que tempos idos, e o que eu não entendo trato com mais calma. Parece que é a tônica do mês:
r e l a c i o n a m e n t o s. 
Vulgo Amor. Vulgo acho que sinto algo. A verdade é que todo mundo que conheço anda sentindo algo, alguns se desesperando, outros se encantando, alguns brigando com pedras teimosas e caminhos repetidos, mas é verdade, o pessoal anda cutucando platão.
Sempre brinquei que eu deveria fazer uma lista das coisas indispensáveis na pessoa que fosse amar, ria com isso e dividia com amigos, e cada vez que me chega um sms, uma ligação, um post, uma visita chorosa, eu penso: e eu eim, quando é que vou por minha lista em prática? rs... Nesses momentos me sinto meio ilha, já senti e percebi tanto, mas continuo desligada de uma porção maior, cercada de águas e mais águas, recebendo a mudança das correntes.
A verdade não me atrai, nela não cabe muita coisa, e o mundo é cheio de tipos de pessoas, postular não é pra mim, cogitar me seduz, imaginar me prende e conjecturar é a minha cara, rs.
Então, neste domingo, que não é domingo, lá vão algumas conjecturas sobre o assunto da hora. L'amour.

Amar não é ser indispensável, amar é fazer-se parte sem buscar ser o todo, quando queremos o todo de alguém nos angustiamos e acabamos por sufocar de angústia justo quem dizemos amar...
Quem ama, não machuca, é duro ou forte na exata medida cabida aos anseios e sentimentos de quem ama, há muitas maneiras de se dizer a verdade ou  real, quem ama nunca dá o golpe maior que o próprio abraço.
Amar é ser livre, é ter domingos em segundas, e segundas em sábados, é querer o outro tão livre como se deseja liberdade, quem escolhe muitos critérios para se relacionar acaba preso em si mesmo e pode nunca alcançar aquela pontinha do outro... que é justo a que interessa. Uma coisa eu aprendi, cada pessoa tem algo a dar, muitas vezes não sabemos é como receber por estarmos presos a um presente específico. Só se pega as coisas que querem ser pegadas, o resto é teimosia e machucado no muro.
Amar é acrescentar sem invadir, é deixar que o outro chegue sem ser puxado, e às vezes é se deixar puxar das próprias afirmações. Amar é estar aberto a mudanças, pois é este o maior presente do amor: a possibilidade de transformação. Um amor para ser somente o que se já se sabe ou conhece de si é como massa pré-cozida, alimenta mas não tem sabor. E por que não dizer, o amor é algo pra se usufruir, fruir e flui e também: saborear.
Eu vejo gente insistindo em amar, eu vejo gente desistindo antes de tentar, eu vejo gente chorando sem dor, e gente que não percebe a dor que cava. Eu vejo, porque eu já insisti, porque já desisti, porque já chorei sem nem me esfolar e porque já caí no meu próprio poço. Eu só posso ver aquilo que já vivi. Vejo as pessoas se sabotarem muito antes do mundo ser essa sabotagem neo-feudal, algumas na ansia de se encontrar, outras desejando justamente não poder ser culpar. 
Vejo as pessoas brigando com meias e manias, ou criticando possíveis atitudes, mas raramente as vejo olhando para dentro, e perscrutando as suas nem sempre sensatas atitudes...
Sou uma erradora contumaz, vivo errando, e quanto mais eu erro, mais vivo, porque dos meus erros nascem meus melhores devaneios, os mesmos que alçam minhas futuras atitudes. 
Eu não sou humilde, não sou paciente, não sou calma, não sou uma série de coisas.  E nem ninguém o é. Porque Ser é um verbo para existir e não para Estar. Estar errado, estar calmo, estar com paciência...

Então não direi 'Amar é'
Direi 'esteja' porque é o único caminho pelo qual o amor pode mostrar o que pode ser.


Um dia ainda faço a minha lista hahhahahha

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