quarta-feira, 15 de setembro de 2010

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In


De certa forma é bom estar assim, ao mesmo tempo que me destrói, me constrói, porque ser destruído envolve todos meus sentidos, os que sinto e os que sentem para mim, envolve lembrar que preciso me proteger, assim como lembrar que sou capaz de me arriscar pelo que quero. E até o querer em meio ao caos é em si mesmo uma lembrança de construção independentemente de qualquer desfecho. Como se sentir sem forças fosse a própria força crua, em seu potencial nu, nem negativo e nem positivo.
Amar dói? Eu não saberia dizer, acho que doer é uma fração de um desapontamento próprio ao qual os limites são sempre aqueles construídos pela nossa própria lógica emocional. Então eu não sei dizer se dói, afinal é tudo tão nu ainda, tão fresco que não houve tempo para solidificar qualquer mágoa, e isto sim também talvez envolva amor: não existir tempo dentro do mesmo para que as mágoas se tornem sólidas, pequenos blocos de granito pelos quais já é impossível ver bem os olhos do outro...Mas é claro que já vivi a mágoa, rs... em tempos diversos, em momentos diferentes, não era o outro que eu estava olhando, e sim aquelas coisas todas endurecidas dentro de mim, e se alguém quiser chamar isso de experiência, tudo bem, um dia eu já chamei de amor. 


In deux
Se alguém quiser chamar qualquer coisa de amor: que me importa? O amor não é uma coisa pronta, objeto polido e acabado, o amor seria mais ou menos como luz: depende do observador e do ponto em que o mesmo está posicionado no espaço-tempo. Se você viajar com os olhos fechados talvez nunca veja o amor, se ficar girando a cabeça para todos os lados, talvez passe tão rápído por ele que não o reconheça...  Mas talvez seja cartesiano demais dizer que quem não acredita em Deus ou no amor apenas não sabe aplicar um pouco de física elementar, talvez valha a pena dizer que mesmo que a física consiga dizer que a luz é uma energia, e consiga discernir suas partículas, a física ainda não pode dizer como a energia se forma, como ela de fato acontece. E voltamos: de onde viemos, para onde vamos...rs.


In trois

De todos esses 6 dias, houve um momento só em que vi o amor, e o chamei de  Desespero. Medo. Solidão. Anseio. Perda. Ridículo. Passional. Mas e será mesmo isso? Talvez, mas talvez também seja apenas o lugar em que estou agora, isso torna a física uma coisa tão fantástica quanto ter fé em Deus: se eu acreditar mesmo nos ditames espaço-tempo, terei a esperança eterna de, em estando sempre em movimento um dia tudo se encontra, e nem mesmo o erro ou a decepção de agora é uma coisa sozinha e encerrada, tudo não passou de um posicionamento ocasional.


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