quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A Barca dos Amantes


 Para ouvir

"Grimmelshausen e os marinheiros de Göteborg ensinam que a terra flutua na água, como uma embarcação, e que a água, agitada pelas tormentadas, causa os terremotos. E os terremotos são as batidas do coração de Smögen, prestes a reencontrar Magnor, a Sereia do Amor Eterno, abandonado pelos Murgens no início do oceano.


Mas dizem que Magnor conseguiu escapar pela brecha de um dique, nas terras baixas do sul, e viveu em Haarlem até o dia de sua morte. Ninguém a compreendia, porém, ensinaram-na a fiar e bordar, e ela venerava como por instinto a cruz. Todavia, como Magnor não era um peixe porque sabia fiar, e como não era uma mulher porque podia viver na água, Smögen veio buscá-la.


Por isso, de baixo da terra - nas planícies juncosas, nas regiões geladas e nos pântanos - jaz Magnor, que tem a forma de um barco e que, ao mover-se, faz tremer a Terra. E para os Murgens, o barco- dos-terremotos é uma arraia de 5 mil milhas que leva a Escandinávia no lombo. Corre de oeste a leste, conduzindo a Arca da Infância Perdida até as terras da Bruma da Loucura. E de sul para norte, carregando o Baú dos Remorsos até as águas geladas do Mar de Mármore.


Mas Smögen, depois que foi expulso do coração de Magnor, o Amor, transformou o ciúme na faculdade de deter os barcos, colando-se aos seus cascos e atirando-os às Rochas do Futuro da Morte. Pois ela nunca o colocara a par de seus sonhos, escondendo-os na pequenina "Barca dos Amantes", que cabia na íris de uma enguia-anã.


Dessa forma, quando duas pessoas se amam, nela devem guardar - na Barca dos Amantes - os seus sonhos. E quando o amor se vai, devem lançá-la ao mar para que os deuses da água se encarreguem de tranportá-los: os sonhos que um não revelou ao outro.


Porque Magnor voltará sempre, navegando pelos oceanos ilusórios do passado, levando nas costas, eternamente, o povo norreno. "

A Lenda da Barca dos Amantes", Göteborg, Suécia. Recopilada em 1772 por Emanuel Swedenborg.

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