sexta-feira, 8 de outubro de 2010

mon ami


Os barcos são peixes voadores, caminham no mar sem tirar seus olhos dos céus. O que me leva até você é uma ponte amarela, pontilhada de cravos verdes onde abelhas vermelhas zumbem harmoniosamente.

Falei pro Diogo que compartilharia essa foto no facebook...
Na realidade, uma imagem que me tocou profunda e irremediavelmente desde o primeiro olhar... Sim, dá pra pensar 'Mas também, como uma vista destas!'. Ok. Alimente-se da vista,  se aprofunde no horizonte, mas perceba de onde partes, em que pé estás... aos pés de algo surpreendentemente maravilhoso: um momento de calma e tranquila inspiração. Pra começar.
Há algum tempo que quero escrever sobre o trabalho do Diogo Brozoski, nos conhecemos há 4 anos, através de poesias. Natural de Santa Maria, crescido em vários lugares do Brasil, há alguns tantos anos instalado e total absorvido pelo Rio de Janeiro, a tal ponto que impossibilite para mim, chamá-lo de 'gaúcho'. Talvez dessas poucas pessoas que já nasce artista, no folclore familiar consta a história de que após assistir um desfile do 20 de Setembro, impossibilitado de articular palavras, pela pouca idade, ele se pôs a desenhar tudo que tinha visto e pelo qual estava admirado. E até hoje, isso acontece, incapacitado ou não querendo dizer o que falaria, Diogo tece um diálogo natural e rico através de sua produção, acostumado a ter ideias demais ao ponto de dá-las a quem deseje ou precise, trabalhando com Publicidade.
No seu universo simbólico-formal vê-se acontecerem ciclopes, cabeças aladas, mulheres míticas, caraminholas da carência de transcender do homem contemporâneo. Grande versão de contemporaneidade, a obra desse artista permeia campos tão distantes e tão próximos: dor e prazer, alegria e tristeza. Da sarjeta incomensurável que é a realidade crua, plano físico dos acontecimentos cotidianos, extrai pequenos movimentos em direção a algo maior. Talvez Deus, talvez cosmos, emerge da sua obra algo quântico e revelador: tudo está próximo, tão junto, que nada é algo, e todo algo pode ser tudo. Em suas formas que enlaçam e dançam numa representação por vezes muito mais colorística que pictórica, conceitualiza o sem conceito: o vazio existencial acolhido por um contato humano singrando numa busca primordial: espírito.
Nesses 4 anos de convívio, embora termo difícil de aplicar pelas distâncias poucas vezes vencidas, acompanhar e ver desenvolver-se cada vez mais uma trajetória tão íntima e plural, é de uma riqueza própria para que eu diga 'Mas que vista!'
O trabalho do Diogo não se entrega ou resume, em uma caminhada tão sua, que começa um caminho vencendo a si mesmo para depois vencer o mundo, uma arte incubada e prematura, porém prestes a nascer caminhando pelas próprias pernas, prestes a surgir tão imensa como se sempre tivesse existido como é. 
Uma incansável procura indentitária, que em procurar-se constrói, e construindo estabelece um novo acordo pessoal e intransferível entre artista e criação.  De um lado essa aflição habitual a todo artista, o como, o onde, o porquê, esquecidos e transcendidos revelam uma também habitual natureza para a busca da maior resposta: simplesmente Ser. 
Meu sonho maior ainda, é escrever um catálogo sobre a obra deste artista e amigo, com uma dificuldade deliciosa de não saber por onde começar. Desenhos, influências, descobertas, aprofundamentos, desdobramentos, no fundo, mesmo sabendo que tudo são buscas e olhares, seria uma delícia percorrer parte a parte desse todo sem fim, colhendo cada análise formal, sem delimitar potenciais ou escolhas.
Pro meu amigo artista, que acha precisar estudar aquilo que espontaneamente brota em si: parabéns pela imagem de hoje tragada por tantos ontens, desejo que seguida de incontáveis 'agoras'

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