domingo, 17 de outubro de 2010

Os peixes da sala nadam de cabeça pra baixo
noite e dia suas barbatanas de luz caem de barriga para o céu
eu tenho esses olhos enormes que não me olham
mas eu sei que eles me veem
porque enxergo através deles
vejo as coisas todas
até as que não podem ser vistas
quando fecham os olhos
e supõe a alma quieta
estamos lá...
estamos lá, pra além do visto
vendo
respirando
parados na borda de algum lustre
segurando algo insegurável
transbordando algo hermético
estamos lá

para além dos portões
que nunca nos separaram
na imaginação irmã
intuição amante

estamos lá...
joaninhas, pássaros, gatos, cachorros
ladeiras, travessas, becos, parques
no alto da montanha
montados no arranha-céu
planando, dispersos
chegando
dando o braço
torçendo o peito
encarando sem olhar
fugindo dizendo
eu sempre estarei lá

Um comentário:

  1. Peixes virados de barriga pra cima me dá uma coisinha triste de lembrar bichinhos falidos.

    Beijo literário

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