quinta-feira, 30 de dezembro de 2010



Queria que você fosse arremedo
você medo, então consciência de algo que por dentro late
empilharia em algum canto, refrigerio passageiro
teu místico, mítico, díptico incólume
asas plenas, vontade consentida

e ao ar escolher
acolher
recolher
uma palavra aberta, como uma janela de barco
com o céu todo
te escrever
desse preso entre os dedos que é mais solto
na medida exata para delinear sem delimitar
e ter sombra, um pedaço escuro onde estender o segredo
de desejo mudo, de mundo, cosmos
estrelar
e se a roupa já não protege o corpo, guarda o ser
significar
retenhas um pouco, descanse, viva
e se era verdade ou mentira
importa a história que a gente escolheu
pra viver
pra ser
singrar


importa o olho genuíno pra olhar
e a mesmice ordinária de que somos feitos
em atos nem sempre dignos
ou de matéria cheia
concretude mesmo é observar
trazer pra si, no interior olhar


reter algo
uma palma úmida, um dia cinza
dobra de cortina, chaves no bolso
barulho do calçado
taque-taque-ar
e entre muitos ter um
sorriso
resto de mar
montanha
espelho solar


como pegar uma pena, e de tão leve
decidir não ter
nem alma, nem poema
esquina, parada aguda
latrina existencial, despejar sem temor
que o pudor superficial é pior que qualquer odor
a mentira irmã amarga 
de 
uma verdade consciente debilitada
de saber e despertar
de saber e desejar
de saber e aquietar
de saber e não mudar
de saber morno, imberbe
rasteiro e sem objeção


 por isso te arremedo, oblitero conscenciosa
não tenho porquê
a falta de sustância não me aflige, antes instiga
para recobrar, em ti poder condensar
não as vontades, mas os desejos
despidos
controversos e ambíguos
morder um pedaço sem razão e recorrer ao espaço
negativo
para ler aquilo que forma desenhada alguma
responde
é nessa falta minha
essa constância tua
onde poderá revelar-se
não uma resposta
mas um pergunta
nem bonita
nem feia
apenas intensa:


Completude



esses abraços que riscam o mar

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