Queria que você fosse arremedo
você medo, então consciência de algo que por dentro late
empilharia em algum canto, refrigerio passageiro
teu místico, mítico, díptico incólume
asas plenas, vontade consentida
e ao ar escolher
acolher
recolher
uma palavra aberta, como uma janela de barco
com o céu todo
te escrever
desse preso entre os dedos que é mais solto
na medida exata para delinear sem delimitar
e ter sombra, um pedaço escuro onde estender o segredo
de desejo mudo, de mundo, cosmos
estrelar
e se a roupa já não protege o corpo, guarda o ser
significar
retenhas um pouco, descanse, viva
e se era verdade ou mentira
importa a história que a gente escolheu
pra viver
pra ser
singrar
importa o olho genuíno pra olhar
e a mesmice ordinária de que somos feitos
em atos nem sempre dignos
ou de matéria cheia
concretude mesmo é observar
trazer pra si, no interior olhar
reter algo
uma palma úmida, um dia cinza
dobra de cortina, chaves no bolso
barulho do calçado
taque-taque-ar
e entre muitos ter um
sorriso
resto de mar
montanha
espelho solar
como pegar uma pena, e de tão leve
decidir não ter
nem alma, nem poema
esquina, parada aguda
latrina existencial, despejar sem temor
que o pudor superficial é pior que qualquer odor
a mentira irmã amarga
de
uma verdade consciente debilitada
de saber e despertar
de saber e desejar
de saber e aquietar
de saber e não mudar
de saber morno, imberbe
rasteiro e sem objeção
por isso te arremedo, oblitero conscenciosa
não tenho porquê
a falta de sustância não me aflige, antes instiga
para recobrar, em ti poder condensar
não as vontades, mas os desejos
despidos
controversos e ambíguos
morder um pedaço sem razão e recorrer ao espaço
negativo
para ler aquilo que forma desenhada alguma
responde
é nessa falta minha
essa constância tua
onde poderá revelar-se
não uma resposta
mas um pergunta
nem bonita
nem feia
apenas intensa:
Completude
esses abraços que riscam o mar
desse preso entre os dedos que é mais solto
na medida exata para delinear sem delimitar
e ter sombra, um pedaço escuro onde estender o segredo
de desejo mudo, de mundo, cosmos
estrelar
e se a roupa já não protege o corpo, guarda o ser
significar
retenhas um pouco, descanse, viva
e se era verdade ou mentira
importa a história que a gente escolheu
pra viver
pra ser
singrar
importa o olho genuíno pra olhar
e a mesmice ordinária de que somos feitos
em atos nem sempre dignos
ou de matéria cheia
concretude mesmo é observar
trazer pra si, no interior olhar
reter algo
uma palma úmida, um dia cinza
dobra de cortina, chaves no bolso
barulho do calçado
taque-taque-ar
e entre muitos ter um
sorriso
resto de mar
montanha
espelho solar
como pegar uma pena, e de tão leve
decidir não ter
nem alma, nem poema
esquina, parada aguda
latrina existencial, despejar sem temor
que o pudor superficial é pior que qualquer odor
a mentira irmã amarga
de
uma verdade consciente debilitada
de saber e despertar
de saber e desejar
de saber e aquietar
de saber e não mudar
de saber morno, imberbe
rasteiro e sem objeção
por isso te arremedo, oblitero conscenciosa
não tenho porquê
a falta de sustância não me aflige, antes instiga
para recobrar, em ti poder condensar
não as vontades, mas os desejos
despidos
controversos e ambíguos
morder um pedaço sem razão e recorrer ao espaço
negativo
para ler aquilo que forma desenhada alguma
responde
é nessa falta minha
essa constância tua
onde poderá revelar-se
não uma resposta
mas um pergunta
nem bonita
nem feia
apenas intensa:
Completude
esses abraços que riscam o mar
