segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

trezedozeonze

eu nunca soube o que esperar
sejam dos dias sejam das tardes
das noites escuras
ou das horas claras


eu nunca soube o que esperar
mesmo quando as coisas eram vastas
estreitas
ou intactas

eu nunca soube o que esperar
pois as horas são altas, curtas ou rápidas
porque tudo muda e nada se altera

eu nunca soube o que esperar
alegria, tristeza, felicidade ou falsidade extrema
eu nunca soube o que esperar que se derrame
do copo, da boca, da alvorada

e mesmo quando soube
nada mudou
tudo foi inexato, sucinto susto da vida
tudo foi como é
um não saber sem fim, um momento antes do vir a ser

as coisas todas, as coisas nenhumas
nada dito antes de estar falado
nada sabido antes de estar feito
nada concluido, tudo intencionado

a vida se impregna de impressões
intuições
o que pode ser sentido
intuido
quase premeditado

como a sensação de dor antes de doer
como o reflexo
sempre ali
antes da vidraça
sempre ali
banhando as formas sem estar em lugar algum de verdade

eu nunca soube o que esperar
seja das pessoas, dos acontecimentos que simulam tudo que pode ser
e ainda assim
todos os dias
hora após hora

por trás de cada segundo expirado
sempre a mesma ideia
algo assim
querendo sentir
perceber
alcançar o sentimento da vida
sem saber
desejando
calando
falando pra dentro de si e de tudo
que o mundo, o momento mudo
as palmas largadas ao redor do nada
são um desejo escuso
disfarçado 
e não menos intenso e profundo
que mesmo não se sabendo nada

sempre se espera tudo

sábado, 5 de novembro de 2011

O peso do desalívio

Um dia depois de tanto cavar, acabou colecionando pedras.
Outro dia, cansado de só guardar pedras que ninguém mais veria, decidiu-se: calçou os tênis e pôs a roupa mais confortável, assim saiu de casa, sua coleção dentro da mochila. Não importava mais onde fosse: iria jogar pedra no telhado dos outros.

sábado, 22 de outubro de 2011

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

joga joga



curiosa vida, me sinto um tabuleiro sem quadrado, cada um joga o que quer quando quer e que eu que me mantenha firme, continue sendo plataforma paras as peças não cairem.

sábado, 20 de agosto de 2011

E era só o tempo

como aquela folha sendo arrastada muito depois de ter deixado a sua árvore, vivendo um outro depois aparentemente sem propósito

terça-feira, 16 de agosto de 2011




Eu vou te amar sempre, vou te amar a qualquer hora, mas eu só posso te dar esse amor enquanto você segurar este espelho e repetir os meus gestos.



é triste quando a gente não pode amar as pessoas do jeito que elas forem, mas somente se for do nosso jeito.

onde é que se guarda um amor que não é usado?
o que se faz com um amor que não tem destino?

quinta-feira, 11 de agosto de 2011



O céu se abria no comprimento de um rasgo, elástico, profundo, o silêncio era imenso, de uma paz duvidosa.


sentado, o peito comprimido pela própria respiração, ele esperava. Apenas olhava e esperava. 
Grãos de areia, grãos de orvalho, horas de vento, fases da lua, ruídos de insetos. Esperava.
Um dia passou outro homem, e nem por isso o dia foi diferente, sentado dentro de suas razões, mas o homem intrigado pela solidão espontânea, talvez um pouco compadecido, retorna alguns passos, precisa entender, então ele pergunta - O que você faz aqui, parado no meio do nada?

Eu? eu espero a minha estrela.

Então o homem de repente entende porque uns olham para cima mesmo com tanta coisa acontecendo aqui embaixo.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

as certezas demoram
às vezes o que se acha se desacha
mas uma vez que os pingos caiam
é difícil mudar a lei da gravidade

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

acreditava em quase tudo o que via
e até no que não via mas sabia
havia porém essa pequena reticência com as coisas
como se acreditar realmente não fosse mudar o que de fato havia


Pensava o silêncio como algo realmente mítico
como a bela e encantadora sereia que 
ninguém vê mas todos imaginam
por fim calava 
não para modelar o mito
mas apenas pelo prazer de não dizer coisas desagradáveis

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Haverá hora mais bela

do que essa,                        
em que entregue como um deus

eu possa sonhar como homem?

sábado, 30 de julho de 2011

Para Alice

 





                 Inverno tem música silenciosa


aqui dentro a gente canta
os chutes alegres
da menina que ainda não chora

                                                                         
     A cidade tem seus pincéis cor de chumbo
Eu
com meus olhos,
                     prefiro desenhar no marrom dos galhos os quentes amarelos
antes que as folhas caiam

                                                                               

segunda-feira, 25 de julho de 2011




meu inconsciente de borracha
cola e espicha
faz o travesseiro um trampolim pro desespero
andava pelas ruas que não eram suas, nem nunca seriam, há muito tempo que havia saido de qualquer lugar que pudesse chamar de seu. Por isso seguia montando ninhos precários em cidades falsas, nenhuma paz abraçaria seu coração, por mais que se dissesse todos os dias que ainda haveria de sair de trás do balcão, de passar por entre as mesas, e fizesse força pra acreditar que talvez fosse especial, era derradeiro, partes suas se quebravam todos os dias sem que houvesse cola capaz de remendar alguém que não era de lugar nenhum.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

  •  
    Acordei um dia e descobri que tinha apostado todas minhas fichas, mas algo tinha dado errado, o salão estava vazio, como o circo que vai embora, a roleta tinha desaparecido, e todas as chances haviam falido naquele espaço de hotel onde mesa de aposta nenhuma voltaria a existir.
  • O outro não é roleta, sentimentos não são fichas, a gente vai embora do circo muito mais vezes do que ele nos deixa. Mas a verdade é que a gente aposta, e a gente perde e a gente ganha.
       deixo que as tardes se alarguem dentro de mim

sou o meu maior espaço

às vezes uso as minhas próprias distâncias para passear

quarta-feira, 6 de julho de 2011

travessia

Falou em desistência.


Depois do café, atravessei o parque e pensei

que a verdadeira calma é isso que muitas vezes chamamos de desistência

a verdadeira tranquilidade, paz
é estar entregue aquilo que não entendemos sem nos julgarmos mal por não entendermos
e ser assim com isso, sem problemas
que quem sabe o entendimento genuíno de qualquer coisa comece aí
nesse pequeno ninho de aceitação


                                                                                              

quarta-feira, 29 de junho de 2011

de dentro pra fora
dos poros pra sempre
o que eu guardo na célula
se diz
perto da minha alma
esse teu meu lugar
tão quietinho
tão próximo
tão nosso
são teus olhos que me passeiam
tuas mãos que me alcançam
onde ninguém mais vai

onde humanidade nenhuma chega
é onde começas
e se passam os dias, chegam os meses
e eu preciso de ti
toda hora
a cada minuto
preciso de ti
como se precisasse de um tudo
e você isto tivesse que só de estar ao teu lado eu sei
que a completude da vida começa agora

                                                                                    

terça-feira, 21 de junho de 2011





imprimia novos gestos sempre que se sentia acolhida
descobria que haviam cores que não usava
no fim do dia limpava os dedos nas bordas do coração



                                              

terça-feira, 7 de junho de 2011

abraço

Quando a gente ama desaparece no outro

e o que a gente é permanece anotado na sombra.


                                                                 

terça-feira, 31 de maio de 2011

 O mais curioso é que dentro dessa bolha de instante cabem mil reflexos que não se desvendariam nem em um milhão de anos. Isto é um momento: uma passagem curta sem destino com mais significados do que aqueles apreendidos até hoje.




Eu gosto de bolhas.


                                          

quinta-feira, 26 de maio de 2011



aquilo que eu perdi
aquilo que deixei para trás
o que pensei em viver
o que dis-pensei
o que senti
que ficou
o que senti
que já foi
as folhas, páginas, títulos, ingressos, copos, corpos
as coisas cretinas
as sublimes
aquelas que só ocuparam espaço
os seres humanos usados
os queridos
desejados
aqueles que pouco ou nada importaram
o amor
sempre
crescido
indesejável
amado
sofrido
regurgitado
as mãos inquietas
pernas lépidas
os passos
espaços
calçadas
mesas
salas e salões
a todos
a tudo
um enorme ''Somente''

Somente é aquilo que já pode ter sido.
e isso sim diz tudo que um dia já foi perguntado, e responde qualquer pergunta a ser feita
  As gotas que pingam do céu são ponto vírgula, famosas pausas de lugar nenhum.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011


Nem sempre as pessoas se entendem, entendem a si mesmas ou ao mundo. Infelizmente os pontos falhos são em maior quantidade que os eficazes, embora dê pra se viver assim, nessa equação sem proporcionalidade do que venha a ser a comunicação humana. Vou tentar ser mais clara: nem sempre vou te entender, nem sempre você vai me entender, mas a gente vai continuar se comunicando. Eu sei, soa como algo dispensável e até mesmo burro de se fazer. Mas é exatamente assim, é como procurar a pronúncia correta de um idioma que não é o nosso, tenta-se, tenta-se e mais tenta-se. Pour quai?... Bien, complexo, mas acho que porque apesar de todas as dificuldades o desejo de conseguir se comunicar numa outra língua, de poder mais, é maior que a decepção de não conseguir fazer isso por um determinado tempo. Entendimento sempre será mais tentativa do que qualquer outra coisa, não se iluda, muita gente vai lhe falar em entendimento fácil, well, ele existe, mas é raro, e normalmente quando acontece a gente mal percebe, por isso é fácil.

sábado, 2 de abril de 2011



Enquanto você dorme, dorme todo um mundo meu, meus sonhos, um punhado de desejos, junto de ti é que guardo meus sorrisos mais intensos, minhas palavras mais significativas, os abraços pelo mundo e os passos pela vida.
É no canto desse travesseiro que acabam minhas dúvidas, é no espaço do teu cheiro que tudo em mim serena, és minha paz e minha simplicidade terrena.

domingo, 13 de março de 2011

Pode ser que mais tarde chova

pode ser

que o bairro inteiro mergulhe
num confuso temporário
pode ser que eu migre
e desfaça
me arranhe
e renasça

quinta-feira, 10 de março de 2011





"nao tem nada q ele esteja oferecendo q vc nao possa arrumar sozinha..."



e na ingenuidade das coisas, há quem se julgue insubstituível

quarta-feira, 2 de março de 2011




Em algum canto essa pedra, essa solidez fatídica que me faz percorrer cem vezes alguns passados enganos, dobra a página, anota o importante, nem sempre a gente sofre por sofrer, e há quem reconheça no olhar de banho uma tristeza incontida como as gotas que escorrem pelos cabelos e passeiam pelos ombros de sombra e luz. Nem tudo a gente tem, nem tudo a gente dá, mas tudo que a gente é se fala sem voz e mesmo que a gente não queira dar, acaba se mostrando tal qual é.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011



   "Para o ofício e a posse." - Mova

   "às vezes me pinto nuvem...
   às vezes me pinto árvore... (...)''

   "escrever me subjuga e não entendo,
   tal qual  comer, defecar
molhar-me de urina e lágrimas.
(...)
mistério que me abate e me corrói
Minha alma canta em delícias.
Meu corpo sofre e dói''



"Mas para quê?
Tanto sofrimento,
se nos céus há o lento (...)''




Três grandes
Para uma mínima
e era tão pequena
e tão esguia
e transparente
fiapo de retina
passava já parca
andava de maca
pois sobrevivia do que os demais pudessem lhe prestar




SOCORRO

domingo, 27 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011




Espero que você leia e saiba: não, eu não preciso dessa sua generosidade condicionada e grosseira. Bom proveito, cuidado pra não se engasgar com o caroço.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Você sabe, as pessoas mentem sobre uma série de coisas. Sobre as boas e também as ruins. Sobre os fatos, e os pensamentos. Sobre o que sentem e o que desejam.
E como mentem tão bem, e tanto, não mentem, mas antes acreditam em verdades próprias e rasas. Ninguém está livre de ter vivido as próprias mentiras pensando ser verdade. Ninguém está livre de já ter vivido uma Irrealidade.
E como ninguém está livre, e como ninguém está preso a viver sempre as mesmas verdades, eu te pergunto: Qual realidade você escolhe?             
                                                

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011







era um reflexo no vidro, uma luz morna, um traço de nada mergulhado no tudo, tua voz sem palavras vira poema e me estende essas mãos de maneiras pequenas, colho teus olhos no céu absurdo e ofereço meu coração pra você passear por tudo.                                       

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A carta

/eudesejo.coisas#simples.com

Das vezes que sonho, é então doce e puro, e tão fértil, disse a um amigo – ''sabes, eu quero escrever um livro qualquer hora dessas, meio biográfico, meio inventado’' –  ele riu e concordou.
Hoje te dedico uma parte desse livro, antes mesmo dele existir, por seres assim tão demasiadamente especial para mim. Até queria poder me desculpar pelas coisas que às vezes não sei, ou as respostas que não dou, sabes, às vezes elas me faltam, e eu também não gosto disso. Se você pode me desculpar, me desculpe.
Era uma tarde vazia, dessas de outono, uma brisinha fria arrastava algumas folhas na janela, um ruído leve, quase inexistente, mas ali, tocando e tocante em cada pedacinho do vidro, ‘pri’ ‘tri’ – ia tudo tão mal aquela semana, além das contas, além do dinheiro farejante da discórdia, agora haviam as dores e as incertezas, e estas moeda alguma era capaz de pagar. O que doesse, dor era, e enfim, doía.
Apertou os braços envolta do próprio corpo, pronta pra chorar, encolher-se de dentro pra fora, solta a ladainha interna ‘‘cadê o amor? Quê que ele tá fazendo, que não está aqui? Se pelo menos isso houvesse...’’
Era numa mesma tarde de outono, igualzinha, tal qual esta, que o via, cansado do nada, sozinho com muitos, cheio de idéias filhotinhas, prontas, prontas querendo nascer, e o mundo não ajudando, e o mundo se deteriorando, e o egoísmo cada vez mais nítido, e as pessoas cada vez mais esmaecidas, e ele cada vez se sentindo mais inútil em sonhar... ele, que tão belo e boreal sorriso tem, dos olhos  vívidos a riscar o ar com os clarões dos seus insights, ele da voz morna e tenaz, dos gestos simples e modos únicos, dos livros que ama, das músicas que não consegue esquecer, que se sente o pequeno príncipe das grandes paisagens, que caminha com calma, tranqüilo mesmo dentro do seu próprio agito instintivo. Mas naquele dia, ele chegara em casa aliviado, aliviado por poder desmontar as máscaras e poder deixar-se encolher, encolher-se de dentro para fora, até sentir-se o último ser desta vida, esquecido por tudo, até mesmo pelo amor...
Então abri os olhos, sequei as poucas lágrimas com a manga da blusa, e fiquei genuinamente preocupada, de repente me nasceu uma agonia imaterial, uma vontade de sair andando na rua até te encontrar, e te encontrando, esbaforida, ansiedade estampada na cara, ao simples e terno vislumbrar de ti, ali, na minha frente, sentir meu peito serenar, e o sorriso nascer, mesmo dentro daquela dor medonha, mesmo dentro daquela realidade nada amistosa, dentro de meus medos, sempre te sorrir e amar.
Olhei para a janela, colhi as folhas com a ponta do meu desespero ‘que horas são, por onde ele estará?!’ Quis te escrever, sem saber como ou pra onde te enviar estas palavras, quis tocar a campainha da tua casa, quis espalhar cartazes pela cidade, pelo país, gritar no mundo

- ‘‘Amor, onde está você?’’
Quis, enfurecida e sinceramente, te pegar a mão e dizer ‘’tudo bem, logo logo vai passar, e se não passar, estarei aqui até que passe’’ Quis te perguntar como tinha sido o dia, quis amenizar tuas noites e embalar tuas idéias, brincar de lista de desejos, passar o dia imaginando as coisas que te animariam. Quis te contar todas as histórias que ainda não dividimos, como se nelas eu pudesse procurar pistas, trechos e sinais, que já te anunciavam, em quases acontecidos que tanto me machucaram por serem aqueles quases tão frenéticos e robustos... E como então todo quase vivido era agora uma tola e rível piada interna, dividida e acabada com a tua chegada. Quis sair com você por aí, caminhando sem ter onde chegar, só pra ver se no caminho você veria algo com o que se alegrar. Quis entrar nos bares e cafés, nos museus, galerias, livrarias, beira do rio, beira-mar, de todo o mundo, de qualquer lugar, só pra te achar e entregar em mãos esse bilhete, e te dizer que a vida toda te escrevi, e que mesmo quando achei que nunca te acharia, eu ia dormir, só pra esquecer que tinha pensado tamanha idiotice da gente.
Quis rir da piada que ainda não te escutei contar, daquela roupa que sem querer manchou naquele lavado místico que você fez, daquela comida que demorou um tempão e ficou pavorosa, daquela roupa estranha que você vestiu, das camisetas jogadas, dos seus amigos toscos, nerds e infantis, quis rir das alegrias que ainda não temos como dividir, só pra ver se meu riso te alcança, e em algum lugar, de algum modo milagroso, você entende que jamais riu só. Quis te abraçar em todos os momentos em que um abraço era mais do que bem vindo, quis dividir tua frustração e tua coragem, quis conhecer cada pedacinho de todos teus lugares prediletos, te mostrar uma estrela e segredar que sempre fui meio triste por não entender nada do céu. Quis ler todos os livros que já te tocaram, e escrever todas as horas que já fomos felizes, contar pro mundo como nos encontramos.
Amor, eu não sei onde você está, não sei mesmo, hoje deitei na cama e pensei em ti, te vi em cada pedacinho do meu dia, nas horas engraçadas, somando riso, fazendo piada, nas horas desagradáveis, me dando apoio e estendendo o braço e o olhar, sei que estivestes comigo em cada um de meus momentos. Mesmo quando me caiu aquele desânimo bobo, voltar pra casa e me enrolar no edredon, até que o nosso  dia mágico surgisse, ainda assim eu lembrei do quanto você gosta de risos e alegrias, então segui andando e buscando me sentir bem, penso que cada vez que não resisto em ficar triste, você possa perceber e se sentir triste de repente... E amor, se tem uma coisa que me corta o sol no meio do céu, e tira a lua do lugar, é ver teu sorriso se apagar... Alguns dias são mais chatos, outros menos, já que não tenho você aqui. Mas olha, to juntando coisas, viu? Coisas boas pra te contar, histórias escritas, vivenciadas, to guardando com carinho cada pequeno encanto que descubro enquanto os dias sem ti continuam a passar, momentos bobos, pensamentos únicos, todos aqueles poemas que eu só vi sentido porque você existe, e até aquelas cores na vitrine outro dia, eram pra você que elas refulgiam em maior sintonia, te carrego no meu olhar, juntinho do meus deslumbramentos, aí cada dia vou escrevendo um pouquinho do que percebo, é amor, eu to guardando, viu? Escrevo pra te contar todas as coisas, e coisa nenhuma, às vezes escrevo só por te amar, e me sentindo longe, buscar preencher as linhas com quaisquer palavras tentando te alcançar.
Ei, não fique preocupado comigo, ok? Não estou triste, você significa cada um dos meus dias, desde que surgi, do amanhecer ao adormecer, é contigo que eu sigo querendo me encontrar.
Às vezes eu fraquejo, sigo não te vendo e isso me dá maior medo de nunca te encontrar, as coisas vão perdendo sentido, as conversas ficando chatas e as coisas todas sem graça, porque não tenho como te contar. Hoje sentei e decidi te escrever, desejando simples, simplesmente que a qualquer hora minhas palavras finalmente cheguem até você, e que sorria sabendo que é mesmo pra você que eu escrevo. Você, garoto cheio de sonhos, cheio de amor, de amigos, de histórias, de idéias-zinhas solitárias, você cheio de coisas boas, guardadas, às vezes pensando que não tem para quem mostrar. Não é verdade, amor, jamais vou deixar de querer te saber, e te sabendo conhecer, e conhecendo aprender a compreender aquilo que sentes de tão único. Hoje mesmo eu vi muitas coisas que te queria poder mostrar, apertei bem os olhos, afinei o olhar, marquei cada detalhe, respirei fundo, quis guardar o ar e  o som ao redor, quis ser a memória e o ser, num momento só, fotografei na minha alma, essas e todas as outras coisas que guardo pra te dar.
Amor, eu sigo não sabendo onde te encontrar, ou pra que parte deste mundo absurdo enviar as minhas palavras, por enquanto as vou deixando por aqui,  dentro de mim, fotografadas na alma, levadas no ar que respiro, impregnadas em tudo que toco e faço, eu queria saber que você não vai demorar a ler, que por algum acaso maluco, além deste que nos separa no agora, te leva essas linhas tão saudosas... Mas eu não temo o tempo, a espera ou a demora, sei que vais comigo a cada vírgula, parando ou não, caminhamos de encontro um ao outro, hora menos hora estaremos juntos, e cada momento de silêncio suspeitoso será varrido da nossa memória. Quando as ler, por favor, não fique aflito, pensando se demorou tempo demais, se eu ainda estou aqui ou em qualquer lugar, porque, amor, não importa, é você que eu amo, e do amor eu jamais irei embora, qualquer que seja o momento ou lugar em que você me encontrar, saiba que eu sempre estive querendo chegar lá. Só porque sabia que você acabaria por me encontrar. Eu já paro de escrever cheia de saudades e risos sonhosos, olhando pro céu que não entendo, imaginando você a cada amanhecer mais próximo, dá uma ansiedade boba de criança, que não quer esperar a manhã de páscoa ou a noite de Natal...
Mas tudo bem, vou guardando isso, e muito mais, e sigo te escrevendo enquanto os dias sem ti continuam a passar, desejando as coisas simples dos dias, enquanto o nosso dia não chega.

Te amo, saudades sempre

Esperando pra te encontrar.


Gabi.Amarello

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011



  Talvez fosse prudente ter medo, talvez fosse daquelas situações onde devia temer e ficar atenta buscar me defender agredindo ou culpando o outro pela raiva que não consigo expressar, talvez seja tenha cumprido essa parte do ritual e dito todas aquelas coisas, não sei, mas sei que você também não sabe, e isso nos torna um pouco parecidos no momento. Mas isso, nem isso, simplesmente não interessa. Não agora. Não mais. Eu tive todas escolhas pra fazer e fiz essa, me parece tão boa quanto qualquer outra, pois me dá ar, me dá esse espaço que antes ninguém quis me dar, então estou aqui, criadora do meu próprio espaço, com minhas escolhas de ontem até este precioso instante. Estou aqui porque fiz por estar, estou aqui porque sempre quis estar, e talvez seja hora de dizer: seus sentimentos não importam agora. Me desdobrei, eu nem pude evitar, quando cheguei aqui, todas as outras coisas se tornaram pequenas, quase inexistentes, e mesmo que eu te ame, nada muda isso agora, este é o tempo de outros sentimentos, este é meu tempo, já não faz diferença quem vai estar fora ou dentro dele porque o fiz existir tão profundamente em mim que a alma sai pelos poros do coração.
Talvez essa seja a sensação quando se vence por inteiro a si mesmo. Sem medo, sem temores, sem outros, sem rancores.

domingo, 13 de fevereiro de 2011





Se só existe esta possibilidade, é melhor pular com tudo do que cair aos poucos.

                                   

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Disse que eu estava quieta. Quieta demais. Pensei em responder algo que fizesse sentido, mas o silêncio me puxava cada vez mais.                                 

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Então termina essa parte da história que você conhece, nesse tráfego de cimento, onde as coisas sobem e descem, a poesia acontece.





Não sei porque você me olha assim, não vê que antes de pensar, você já sabia?


Tava sem espaço no peito, as paredes do coração pareciam se fechar, então corria os braços no gesto mais absurdo: buscava abrir o mundo pra respirar profundo.



Acreditava na falta de razões, e por isso mesmo tinha razão.

Diziam que falava muitos palavrões, segurava os pinos da cuca, melhor que essa merda de porra de consciência bosta e escrota do caralho.

Tá ouvindo os sinos?
Tô.
Pois é, nem sabia que já era hora de pastar.


poeminha de tristeza


eu não tenho talento
que dê pra cantar
mas tenho lamento
que dê pra rimar

achando que a tristeza não é melhor que a felicidade
faço esse poema pequeno, quebrado
sem traço de verdade
mero esquema
tolerância quebradiça
pobre e enferma
a tristeza é essa coisa feia
desnecessária e até pequena
não me preenche dias
nem conta histórias
com ela nada aprendo
só faz encher memória
e como é triste ter memória triste
como pesa e fere
enquanto a gente existe

no fundo a tristeza é esse poema magoado
escrito na alma por todos os lados


o tamanho da tristeza
é esse vão estreito entre a luz e a sombra
onde não cabe nada
mas parece que entra tudo
e como o poema é sobre ela
e como todo poeta se entrega
e não se omite entristecer
estou aqui eu
para anoitecer





tô com caco
caco caco
cato e não acho
caco cai
caco é
caco vai
ser como quer
porque sendo caco já não pode ser inteiro
mas ainda saber ser o que se é
um pedaço rasteiro
uma pontinha de alguma coisa
um fiapo escondido
um desvio na rua
se não é inteiro
também não é metade
caco coisa sem meio
que só sabe ser pedaço



Sabe o pior em te deixar? É a cada minuto querer voltar pra ti...



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O telefone toca... lá no fundo suas mãos de linhas de som tentam alcançar algum ouvido. Mas a garota dorme, profundo, protegido, dorme o sono dos bons, bons em dormir, o sono daqueles que merecem escapar às chateações chatas daqueles outros que não dormem bem, o sono que protege pois isola. Ainda assim o celular toca, toca embaixo do travasseiro, mas o sono é bom, e a garota nem se liga, prossegue esvaziada desses sentidos de fora, mas totalmente entregue pras ligações de dentro, está a receber as ligações mais importantes do dia. Lá no fundo do sono, quem sonha é livre, o sonho toca e a garota atende, estava ansiosa por este contato, quer muito saber como vai você, esse seu eu querido e presente que se comunica tão pouco. Nos sonhos as coisas que se diz não se vê dizer, pois parece que todos podem falar muito mais e decidir todas as coisas que só cabem ao sonhador aceitar. Parecido com a vida desperta, o sonho nos ilude e engana, que a verdade essa de ser alguém que não pode falar ou decidir só existe enquanto se quiser acreditar que o mundo não é um lugar nosso.

Mas o sono e o sonho são esses lugares mágicos onde não precisamos pegar as rédeas de nada, podemos ir vivendo até o próximo absurdo e reagindo a ele de maneira maluca que ninguém se importa, nos sonhos todas as convicções vem unicamente da capacidade de sonhar, pois são as aptidões de sonhar do sonhador que fazem o sonho ser o que é. 

O celular toca. Entre prédios e mais prédios, entre ruídos de obras, buzinas de carro, arranques de ônibus, entre a profusão inequívoca da cidade há uma cama, nessa cama há uma garota que liga sim, para todos os seus sonhos.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011



Perguntou seu eu falava a sério. Não sei. Depende. Se você ri quando escuta não posso fazer nada, já não tem mais diferença a pergunta se quem faz a resposta não entende o que ouve.

                                     




Veio me dizer o que já não dizia, que sem saber, sabia. Quis sair correndo, tropeçou nas próprias pernas, mas tão logo recobrou o equilíbrio já ficou se sentindo um sabedor dono do mundo.
É por isso que penso: tenha compaixão, mundo, com os que correm sem antes aprender a andar.


         °º_-----_º°              

 Olha esse espaço todo
e diz mesmo que não dá pra gente criar
crescer e amar

olha como as margens de repente se alargam
lisas
feito areia 

e vê todas essas possíveis manhãs
desse sol
e também de outros
percebe essa luz que não dá em poste

vê teus pés
plantados num verde mais verde que o fundo da verdade
sente o prazer de estar em terra
estende as mãos
não para o alto
mas estende como continuação de teu corpo
e colhe
essa paz sem nome
de formas que nascem podendo tudo ser
perfaz
é uma luz em forma de acontecer

Olha bem pra esse espaço
e diz mesmo
que não pode ser

Teu dou um prêmio
Conhecer


   - Tá vendo essa poeirinha aqui?


  - Hummm...


  - Vou espanar.


 - Ei! Por que você tá me empurrando?


- Só tô tirando o pó.






[da série porquês óbvios similares]

domingo, 23 de janeiro de 2011

esse domingo

Passava pelo dia aos trancos, ia costurando ideias com as mãos nervosas, às vezes se picava com a agulha da mente. Então despertava.






Fazia graça com estilo, mordia os dedos escondido, espirrava no banheiro com medo de ser reconhecido. Achava mesmo que aquela cara de espirro punha fim a todo estilo.




Muito cortês, quase se sentia gentil, pois conseguia olhar os outros com aquela mesma leveza didática com a qual nunca se olhara.

                    


Trazia nas mãos as chaves, nos bolsos alguns trocados, passeava ileso, era domingo e nenhuma ideia perversa de obrigação lhe surgira.




Tinha mania de apitar, gostava de fazer barulho, pouco a pouco se habituava com esse silêncio de grilo no escuro.




Saía da cama sem motivo, se desculpando pro nada, não conseguia explicar para o mundo porquê às vezes sua alma se inquietava.




Perguntou se a solidão me inspirava. Disse que não. Precisava despistar. Afinal só mesmo olhando nos olhos poderia me convencer que não falo de você.
                                           
S'eu estivesse contando
não saberia
qual foi o dia
que o amor me agrediu na esquina

amor é pivete
passa pela gente como quem nãoque nada

e nos deixa assim com ar de surpreendidos
em plena calçada

tem os que preferem o pescoço
e nos tiram esse colar chamado liberdade
há os que os metem os bolsos
e roubam toda nossa saudade
aqueles que buscam os pulsos
são assim destemidos, nos puxam num impulso
quase pra fora de nosso caminho
e há ainda esses
os mais perigosos
que passam pela gente sem causar impacto
estes
num instante nos carregam até com as marcas de nascença

e como são pivetes, e como são marotos
não adianta gritar "pega ladrão", chamar polícia ou se jogar ao chão
amor esse bicho solto, que vive nas ruas, ninguém prende ou autua
corre o mito do pivete
esse aprendiz de ladrão que nos zua

sábado, 22 de janeiro de 2011

e como eu vou segurar essa lua hoje, se minhas mãos estão vazias de carinho
Faz-me falta. Merda. e a Falta que me fazes não cabe Deus em lugar nenhum.


Não tem trilho, pista de decolagem, ingresso de cinema, ticket de viagem

pois a falta não tem caminho
apenas distância
a falta toda que não posso ter
porque me negas
ao tira-me de ti, deixas-me diáfora
fico seca, empilho esses gravetos de palavras
esse silêncio de cimento, caminho escutando os ecos, 
pois só o que de ti já foste pode me guiar
as vidraças todas estão quebradas, pois não posso mais te ver refletido em superfície alguma
e há ainda quem me pergunte se isso dói
como ei de saber?
se tudo que faço é andar e mais andar com esta fome pálida
o estômago imberbe num sono que jamais acaba

custo a reconhecer meus próprios dedos, pois meus olhos estão cheios do que foi você



quarta-feira, 19 de janeiro de 2011



Ficava sentada lá, como quem adia os problemas. Sentava-se na maior inadiplência, sim, pensava que a vida era essa coisa fatigada e que pouco ou nada adiantava se opor. Pelo menos assim não se cansava.


Hoje nada pode mudar, hoje o dia é sem pretensão, o dia está como sempre esteve, o dia, eu, a calçada, essa procissão de bons dias, as pessoas em dia de chuva comunicam nada, além de pernas úmidas e pés rasteiros, as pessoas em dias de chuva correm correm de seus próprios desesperos.
                                        
Hoje lá fora o asfalto é um mar, e as ondas que sobraçam essas canelas de papel tingem a superfície de chumbo, se a água cai limpa já não é mais, ao encontrar os corpos encontra também seu significado real aqui na terra. 
                                                                                                                                                    
Esses dias todos em que finjo ser uma menininha talvez na ânsia absurda de que a maldade se chegue menos, onde procuro manter um olhar menos severo, para que possa cantar pela casa e pela rua, para que possa fazer de novo as mesmas coisas surdas. 

                             Enfiar os pés pelas poças da memória e me encharcar de pronomes, caçoando de objetos, os que são diretos e os mais curiosos: indiretos. 
                                                                                                            
E já que nada muda, já que em dia de chuva a única coisa que fala é água, vou fazer esse alfabeto novo, cheio de borbulhas, e bolhas de ar, e acentos coloridos como as mil formas que habitam por baixo desse tapete chamado oceano, irei marear e lerei poemas em cada coral que encontrar.            

i Sem PingOS