domingo, 23 de janeiro de 2011

esse domingo

Passava pelo dia aos trancos, ia costurando ideias com as mãos nervosas, às vezes se picava com a agulha da mente. Então despertava.






Fazia graça com estilo, mordia os dedos escondido, espirrava no banheiro com medo de ser reconhecido. Achava mesmo que aquela cara de espirro punha fim a todo estilo.




Muito cortês, quase se sentia gentil, pois conseguia olhar os outros com aquela mesma leveza didática com a qual nunca se olhara.

                    


Trazia nas mãos as chaves, nos bolsos alguns trocados, passeava ileso, era domingo e nenhuma ideia perversa de obrigação lhe surgira.




Tinha mania de apitar, gostava de fazer barulho, pouco a pouco se habituava com esse silêncio de grilo no escuro.




Saía da cama sem motivo, se desculpando pro nada, não conseguia explicar para o mundo porquê às vezes sua alma se inquietava.




Perguntou se a solidão me inspirava. Disse que não. Precisava despistar. Afinal só mesmo olhando nos olhos poderia me convencer que não falo de você.
                                           

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