quarta-feira, 19 de janeiro de 2011



Hoje nada pode mudar, hoje o dia é sem pretensão, o dia está como sempre esteve, o dia, eu, a calçada, essa procissão de bons dias, as pessoas em dia de chuva comunicam nada, além de pernas úmidas e pés rasteiros, as pessoas em dias de chuva correm correm de seus próprios desesperos.
                                        
Hoje lá fora o asfalto é um mar, e as ondas que sobraçam essas canelas de papel tingem a superfície de chumbo, se a água cai limpa já não é mais, ao encontrar os corpos encontra também seu significado real aqui na terra. 
                                                                                                                                                    
Esses dias todos em que finjo ser uma menininha talvez na ânsia absurda de que a maldade se chegue menos, onde procuro manter um olhar menos severo, para que possa cantar pela casa e pela rua, para que possa fazer de novo as mesmas coisas surdas. 

                             Enfiar os pés pelas poças da memória e me encharcar de pronomes, caçoando de objetos, os que são diretos e os mais curiosos: indiretos. 
                                                                                                            
E já que nada muda, já que em dia de chuva a única coisa que fala é água, vou fazer esse alfabeto novo, cheio de borbulhas, e bolhas de ar, e acentos coloridos como as mil formas que habitam por baixo desse tapete chamado oceano, irei marear e lerei poemas em cada coral que encontrar.            

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