quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O telefone toca... lá no fundo suas mãos de linhas de som tentam alcançar algum ouvido. Mas a garota dorme, profundo, protegido, dorme o sono dos bons, bons em dormir, o sono daqueles que merecem escapar às chateações chatas daqueles outros que não dormem bem, o sono que protege pois isola. Ainda assim o celular toca, toca embaixo do travasseiro, mas o sono é bom, e a garota nem se liga, prossegue esvaziada desses sentidos de fora, mas totalmente entregue pras ligações de dentro, está a receber as ligações mais importantes do dia. Lá no fundo do sono, quem sonha é livre, o sonho toca e a garota atende, estava ansiosa por este contato, quer muito saber como vai você, esse seu eu querido e presente que se comunica tão pouco. Nos sonhos as coisas que se diz não se vê dizer, pois parece que todos podem falar muito mais e decidir todas as coisas que só cabem ao sonhador aceitar. Parecido com a vida desperta, o sonho nos ilude e engana, que a verdade essa de ser alguém que não pode falar ou decidir só existe enquanto se quiser acreditar que o mundo não é um lugar nosso.

Mas o sono e o sonho são esses lugares mágicos onde não precisamos pegar as rédeas de nada, podemos ir vivendo até o próximo absurdo e reagindo a ele de maneira maluca que ninguém se importa, nos sonhos todas as convicções vem unicamente da capacidade de sonhar, pois são as aptidões de sonhar do sonhador que fazem o sonho ser o que é. 

O celular toca. Entre prédios e mais prédios, entre ruídos de obras, buzinas de carro, arranques de ônibus, entre a profusão inequívoca da cidade há uma cama, nessa cama há uma garota que liga sim, para todos os seus sonhos.

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