segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

um chá

 
Você dorme. Por algum acaso, eu não.
Fico em silêncio, ouvindo tua respiração, escuto teu corpo, num ritmo tranquilo, cadenciado, de olhos fechados junto todos sons desse momento, por algum motivo penso que a paz por si só faz música. É essa serenidade que irradia a partir de ti e vai recobrindo o espaço.
Penso no dia, as coisas mais singelas me veem a mente: o sorriso dos teus olhos, o desenho de teus dedos, aquele jeito de inclinar a cabeça pra não rir, ou a maneira como te calas, como se o silêncio fosse o maior respeito do mundo.
E você acha que eu falo demais... É porque não sabe tudo o que corre veloz na minha cabeça, não sabe que minha boca solta aos pulos apenas um pouco de tudo que em mim fervilha, e se tem horas que tropeço é porque não caibo. Não cabe.
É porque tudo anda em movimento, o que estava parado, quieto, acomodado e comedido, o que já tinha encontrado espaço e então era. Está.
E a minha solidão tão querida, meus hábitos doidos e manias, meu próprio silêncio, se movem. Buscam de algum jeito tolo te conhecer. Tudo é novo e até mesmo o silêncio tão comum se sente inquieto. É um querer explicar bobo por si só: o que é, é, e só pode ser dito se um dia ficar no passado e for refletido.
Por enquanto tudo é quase nada, são as músicas que a gente canta pra dentro pra ver se a alma desavisada desperta. Por enquanto tudo que não que não é está bem, pois tenho esse silêncio novo no caminho.
Termino a xícara de chá e me despeço, te encontro logo mais nesse destino.

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