segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011



   "Para o ofício e a posse." - Mova

   "às vezes me pinto nuvem...
   às vezes me pinto árvore... (...)''

   "escrever me subjuga e não entendo,
   tal qual  comer, defecar
molhar-me de urina e lágrimas.
(...)
mistério que me abate e me corrói
Minha alma canta em delícias.
Meu corpo sofre e dói''



"Mas para quê?
Tanto sofrimento,
se nos céus há o lento (...)''




Três grandes
Para uma mínima
e era tão pequena
e tão esguia
e transparente
fiapo de retina
passava já parca
andava de maca
pois sobrevivia do que os demais pudessem lhe prestar




SOCORRO

domingo, 27 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011




Espero que você leia e saiba: não, eu não preciso dessa sua generosidade condicionada e grosseira. Bom proveito, cuidado pra não se engasgar com o caroço.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Você sabe, as pessoas mentem sobre uma série de coisas. Sobre as boas e também as ruins. Sobre os fatos, e os pensamentos. Sobre o que sentem e o que desejam.
E como mentem tão bem, e tanto, não mentem, mas antes acreditam em verdades próprias e rasas. Ninguém está livre de ter vivido as próprias mentiras pensando ser verdade. Ninguém está livre de já ter vivido uma Irrealidade.
E como ninguém está livre, e como ninguém está preso a viver sempre as mesmas verdades, eu te pergunto: Qual realidade você escolhe?             
                                                

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011







era um reflexo no vidro, uma luz morna, um traço de nada mergulhado no tudo, tua voz sem palavras vira poema e me estende essas mãos de maneiras pequenas, colho teus olhos no céu absurdo e ofereço meu coração pra você passear por tudo.                                       

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A carta

/eudesejo.coisas#simples.com

Das vezes que sonho, é então doce e puro, e tão fértil, disse a um amigo – ''sabes, eu quero escrever um livro qualquer hora dessas, meio biográfico, meio inventado’' –  ele riu e concordou.
Hoje te dedico uma parte desse livro, antes mesmo dele existir, por seres assim tão demasiadamente especial para mim. Até queria poder me desculpar pelas coisas que às vezes não sei, ou as respostas que não dou, sabes, às vezes elas me faltam, e eu também não gosto disso. Se você pode me desculpar, me desculpe.
Era uma tarde vazia, dessas de outono, uma brisinha fria arrastava algumas folhas na janela, um ruído leve, quase inexistente, mas ali, tocando e tocante em cada pedacinho do vidro, ‘pri’ ‘tri’ – ia tudo tão mal aquela semana, além das contas, além do dinheiro farejante da discórdia, agora haviam as dores e as incertezas, e estas moeda alguma era capaz de pagar. O que doesse, dor era, e enfim, doía.
Apertou os braços envolta do próprio corpo, pronta pra chorar, encolher-se de dentro pra fora, solta a ladainha interna ‘‘cadê o amor? Quê que ele tá fazendo, que não está aqui? Se pelo menos isso houvesse...’’
Era numa mesma tarde de outono, igualzinha, tal qual esta, que o via, cansado do nada, sozinho com muitos, cheio de idéias filhotinhas, prontas, prontas querendo nascer, e o mundo não ajudando, e o mundo se deteriorando, e o egoísmo cada vez mais nítido, e as pessoas cada vez mais esmaecidas, e ele cada vez se sentindo mais inútil em sonhar... ele, que tão belo e boreal sorriso tem, dos olhos  vívidos a riscar o ar com os clarões dos seus insights, ele da voz morna e tenaz, dos gestos simples e modos únicos, dos livros que ama, das músicas que não consegue esquecer, que se sente o pequeno príncipe das grandes paisagens, que caminha com calma, tranqüilo mesmo dentro do seu próprio agito instintivo. Mas naquele dia, ele chegara em casa aliviado, aliviado por poder desmontar as máscaras e poder deixar-se encolher, encolher-se de dentro para fora, até sentir-se o último ser desta vida, esquecido por tudo, até mesmo pelo amor...
Então abri os olhos, sequei as poucas lágrimas com a manga da blusa, e fiquei genuinamente preocupada, de repente me nasceu uma agonia imaterial, uma vontade de sair andando na rua até te encontrar, e te encontrando, esbaforida, ansiedade estampada na cara, ao simples e terno vislumbrar de ti, ali, na minha frente, sentir meu peito serenar, e o sorriso nascer, mesmo dentro daquela dor medonha, mesmo dentro daquela realidade nada amistosa, dentro de meus medos, sempre te sorrir e amar.
Olhei para a janela, colhi as folhas com a ponta do meu desespero ‘que horas são, por onde ele estará?!’ Quis te escrever, sem saber como ou pra onde te enviar estas palavras, quis tocar a campainha da tua casa, quis espalhar cartazes pela cidade, pelo país, gritar no mundo

- ‘‘Amor, onde está você?’’
Quis, enfurecida e sinceramente, te pegar a mão e dizer ‘’tudo bem, logo logo vai passar, e se não passar, estarei aqui até que passe’’ Quis te perguntar como tinha sido o dia, quis amenizar tuas noites e embalar tuas idéias, brincar de lista de desejos, passar o dia imaginando as coisas que te animariam. Quis te contar todas as histórias que ainda não dividimos, como se nelas eu pudesse procurar pistas, trechos e sinais, que já te anunciavam, em quases acontecidos que tanto me machucaram por serem aqueles quases tão frenéticos e robustos... E como então todo quase vivido era agora uma tola e rível piada interna, dividida e acabada com a tua chegada. Quis sair com você por aí, caminhando sem ter onde chegar, só pra ver se no caminho você veria algo com o que se alegrar. Quis entrar nos bares e cafés, nos museus, galerias, livrarias, beira do rio, beira-mar, de todo o mundo, de qualquer lugar, só pra te achar e entregar em mãos esse bilhete, e te dizer que a vida toda te escrevi, e que mesmo quando achei que nunca te acharia, eu ia dormir, só pra esquecer que tinha pensado tamanha idiotice da gente.
Quis rir da piada que ainda não te escutei contar, daquela roupa que sem querer manchou naquele lavado místico que você fez, daquela comida que demorou um tempão e ficou pavorosa, daquela roupa estranha que você vestiu, das camisetas jogadas, dos seus amigos toscos, nerds e infantis, quis rir das alegrias que ainda não temos como dividir, só pra ver se meu riso te alcança, e em algum lugar, de algum modo milagroso, você entende que jamais riu só. Quis te abraçar em todos os momentos em que um abraço era mais do que bem vindo, quis dividir tua frustração e tua coragem, quis conhecer cada pedacinho de todos teus lugares prediletos, te mostrar uma estrela e segredar que sempre fui meio triste por não entender nada do céu. Quis ler todos os livros que já te tocaram, e escrever todas as horas que já fomos felizes, contar pro mundo como nos encontramos.
Amor, eu não sei onde você está, não sei mesmo, hoje deitei na cama e pensei em ti, te vi em cada pedacinho do meu dia, nas horas engraçadas, somando riso, fazendo piada, nas horas desagradáveis, me dando apoio e estendendo o braço e o olhar, sei que estivestes comigo em cada um de meus momentos. Mesmo quando me caiu aquele desânimo bobo, voltar pra casa e me enrolar no edredon, até que o nosso  dia mágico surgisse, ainda assim eu lembrei do quanto você gosta de risos e alegrias, então segui andando e buscando me sentir bem, penso que cada vez que não resisto em ficar triste, você possa perceber e se sentir triste de repente... E amor, se tem uma coisa que me corta o sol no meio do céu, e tira a lua do lugar, é ver teu sorriso se apagar... Alguns dias são mais chatos, outros menos, já que não tenho você aqui. Mas olha, to juntando coisas, viu? Coisas boas pra te contar, histórias escritas, vivenciadas, to guardando com carinho cada pequeno encanto que descubro enquanto os dias sem ti continuam a passar, momentos bobos, pensamentos únicos, todos aqueles poemas que eu só vi sentido porque você existe, e até aquelas cores na vitrine outro dia, eram pra você que elas refulgiam em maior sintonia, te carrego no meu olhar, juntinho do meus deslumbramentos, aí cada dia vou escrevendo um pouquinho do que percebo, é amor, eu to guardando, viu? Escrevo pra te contar todas as coisas, e coisa nenhuma, às vezes escrevo só por te amar, e me sentindo longe, buscar preencher as linhas com quaisquer palavras tentando te alcançar.
Ei, não fique preocupado comigo, ok? Não estou triste, você significa cada um dos meus dias, desde que surgi, do amanhecer ao adormecer, é contigo que eu sigo querendo me encontrar.
Às vezes eu fraquejo, sigo não te vendo e isso me dá maior medo de nunca te encontrar, as coisas vão perdendo sentido, as conversas ficando chatas e as coisas todas sem graça, porque não tenho como te contar. Hoje sentei e decidi te escrever, desejando simples, simplesmente que a qualquer hora minhas palavras finalmente cheguem até você, e que sorria sabendo que é mesmo pra você que eu escrevo. Você, garoto cheio de sonhos, cheio de amor, de amigos, de histórias, de idéias-zinhas solitárias, você cheio de coisas boas, guardadas, às vezes pensando que não tem para quem mostrar. Não é verdade, amor, jamais vou deixar de querer te saber, e te sabendo conhecer, e conhecendo aprender a compreender aquilo que sentes de tão único. Hoje mesmo eu vi muitas coisas que te queria poder mostrar, apertei bem os olhos, afinei o olhar, marquei cada detalhe, respirei fundo, quis guardar o ar e  o som ao redor, quis ser a memória e o ser, num momento só, fotografei na minha alma, essas e todas as outras coisas que guardo pra te dar.
Amor, eu sigo não sabendo onde te encontrar, ou pra que parte deste mundo absurdo enviar as minhas palavras, por enquanto as vou deixando por aqui,  dentro de mim, fotografadas na alma, levadas no ar que respiro, impregnadas em tudo que toco e faço, eu queria saber que você não vai demorar a ler, que por algum acaso maluco, além deste que nos separa no agora, te leva essas linhas tão saudosas... Mas eu não temo o tempo, a espera ou a demora, sei que vais comigo a cada vírgula, parando ou não, caminhamos de encontro um ao outro, hora menos hora estaremos juntos, e cada momento de silêncio suspeitoso será varrido da nossa memória. Quando as ler, por favor, não fique aflito, pensando se demorou tempo demais, se eu ainda estou aqui ou em qualquer lugar, porque, amor, não importa, é você que eu amo, e do amor eu jamais irei embora, qualquer que seja o momento ou lugar em que você me encontrar, saiba que eu sempre estive querendo chegar lá. Só porque sabia que você acabaria por me encontrar. Eu já paro de escrever cheia de saudades e risos sonhosos, olhando pro céu que não entendo, imaginando você a cada amanhecer mais próximo, dá uma ansiedade boba de criança, que não quer esperar a manhã de páscoa ou a noite de Natal...
Mas tudo bem, vou guardando isso, e muito mais, e sigo te escrevendo enquanto os dias sem ti continuam a passar, desejando as coisas simples dos dias, enquanto o nosso dia não chega.

Te amo, saudades sempre

Esperando pra te encontrar.


Gabi.Amarello

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011



  Talvez fosse prudente ter medo, talvez fosse daquelas situações onde devia temer e ficar atenta buscar me defender agredindo ou culpando o outro pela raiva que não consigo expressar, talvez seja tenha cumprido essa parte do ritual e dito todas aquelas coisas, não sei, mas sei que você também não sabe, e isso nos torna um pouco parecidos no momento. Mas isso, nem isso, simplesmente não interessa. Não agora. Não mais. Eu tive todas escolhas pra fazer e fiz essa, me parece tão boa quanto qualquer outra, pois me dá ar, me dá esse espaço que antes ninguém quis me dar, então estou aqui, criadora do meu próprio espaço, com minhas escolhas de ontem até este precioso instante. Estou aqui porque fiz por estar, estou aqui porque sempre quis estar, e talvez seja hora de dizer: seus sentimentos não importam agora. Me desdobrei, eu nem pude evitar, quando cheguei aqui, todas as outras coisas se tornaram pequenas, quase inexistentes, e mesmo que eu te ame, nada muda isso agora, este é o tempo de outros sentimentos, este é meu tempo, já não faz diferença quem vai estar fora ou dentro dele porque o fiz existir tão profundamente em mim que a alma sai pelos poros do coração.
Talvez essa seja a sensação quando se vence por inteiro a si mesmo. Sem medo, sem temores, sem outros, sem rancores.

domingo, 13 de fevereiro de 2011





Se só existe esta possibilidade, é melhor pular com tudo do que cair aos poucos.

                                   

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Disse que eu estava quieta. Quieta demais. Pensei em responder algo que fizesse sentido, mas o silêncio me puxava cada vez mais.