sábado, 30 de julho de 2011

Para Alice

 





                 Inverno tem música silenciosa


aqui dentro a gente canta
os chutes alegres
da menina que ainda não chora

                                                                         
     A cidade tem seus pincéis cor de chumbo
Eu
com meus olhos,
                     prefiro desenhar no marrom dos galhos os quentes amarelos
antes que as folhas caiam

                                                                               

segunda-feira, 25 de julho de 2011




meu inconsciente de borracha
cola e espicha
faz o travesseiro um trampolim pro desespero
andava pelas ruas que não eram suas, nem nunca seriam, há muito tempo que havia saido de qualquer lugar que pudesse chamar de seu. Por isso seguia montando ninhos precários em cidades falsas, nenhuma paz abraçaria seu coração, por mais que se dissesse todos os dias que ainda haveria de sair de trás do balcão, de passar por entre as mesas, e fizesse força pra acreditar que talvez fosse especial, era derradeiro, partes suas se quebravam todos os dias sem que houvesse cola capaz de remendar alguém que não era de lugar nenhum.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

  •  
    Acordei um dia e descobri que tinha apostado todas minhas fichas, mas algo tinha dado errado, o salão estava vazio, como o circo que vai embora, a roleta tinha desaparecido, e todas as chances haviam falido naquele espaço de hotel onde mesa de aposta nenhuma voltaria a existir.
  • O outro não é roleta, sentimentos não são fichas, a gente vai embora do circo muito mais vezes do que ele nos deixa. Mas a verdade é que a gente aposta, e a gente perde e a gente ganha.
       deixo que as tardes se alarguem dentro de mim

sou o meu maior espaço

às vezes uso as minhas próprias distâncias para passear

quarta-feira, 6 de julho de 2011

travessia

Falou em desistência.


Depois do café, atravessei o parque e pensei

que a verdadeira calma é isso que muitas vezes chamamos de desistência

a verdadeira tranquilidade, paz
é estar entregue aquilo que não entendemos sem nos julgarmos mal por não entendermos
e ser assim com isso, sem problemas
que quem sabe o entendimento genuíno de qualquer coisa comece aí
nesse pequeno ninho de aceitação