segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

trezedozeonze

eu nunca soube o que esperar
sejam dos dias sejam das tardes
das noites escuras
ou das horas claras


eu nunca soube o que esperar
mesmo quando as coisas eram vastas
estreitas
ou intactas

eu nunca soube o que esperar
pois as horas são altas, curtas ou rápidas
porque tudo muda e nada se altera

eu nunca soube o que esperar
alegria, tristeza, felicidade ou falsidade extrema
eu nunca soube o que esperar que se derrame
do copo, da boca, da alvorada

e mesmo quando soube
nada mudou
tudo foi inexato, sucinto susto da vida
tudo foi como é
um não saber sem fim, um momento antes do vir a ser

as coisas todas, as coisas nenhumas
nada dito antes de estar falado
nada sabido antes de estar feito
nada concluido, tudo intencionado

a vida se impregna de impressões
intuições
o que pode ser sentido
intuido
quase premeditado

como a sensação de dor antes de doer
como o reflexo
sempre ali
antes da vidraça
sempre ali
banhando as formas sem estar em lugar algum de verdade

eu nunca soube o que esperar
seja das pessoas, dos acontecimentos que simulam tudo que pode ser
e ainda assim
todos os dias
hora após hora

por trás de cada segundo expirado
sempre a mesma ideia
algo assim
querendo sentir
perceber
alcançar o sentimento da vida
sem saber
desejando
calando
falando pra dentro de si e de tudo
que o mundo, o momento mudo
as palmas largadas ao redor do nada
são um desejo escuso
disfarçado 
e não menos intenso e profundo
que mesmo não se sabendo nada

sempre se espera tudo