sábado, 25 de agosto de 2012



a chuva miúda

pinga
       pinga

  vai cozendo os telhados, arrematando esquinas

eu aqui dentro, farrapo

vou tocando livro por cima

de livro

de leitura preguiçosa

        acumulando traços de histórias, pedaços de memória

no corpo que se parte e reparte

nas sensações todas nulas, de tão confusas

vou sendo esse eu em parte

que reparte, com a chuva
imensas gotas de perguntas

que caem pelas paredes sem necessidade

            de resposta

porque o silêncio se alastra pela casa, de pequenos balbucios, risadinhas infantis, e brinquedos espalhados

sigo tua trilha colorida, minhas perguntas todas calam
já não é chuva ou dia


é só uma menina

linda linda


que mora nos meus braços