domingo, 28 de outubro de 2012







Um dia esqueceu a panela no fogo,
esquentou, ferveu, transbordou, derramou
e por fim aqueceu tanto que evaporou
Um jeito de matar os problemas é com certeza deixá-los viver sem parar.






Fazia todo tipo de comparação,
alimentava com requintes parcos
sua própria discriminação.




Exaltava a atitude honrada de nunca mentir,
esquecia-se porém de que em casa calçava chinelos e coçava a orelha.





Alimentou-se de ideias,
logo sonhava acordado
enquanto flutuava com o auxílio de sua cabeça.
cheia de vento.





Apaziguar-se é
estender as dores no varal
 e deixar o sol e o vento, no seu tempo




Diligente, não fechava os olhos
deixou de ver o mundo
tornou-se opaco
esquecera-se que a beleza habita a flexibilidade


   Sentia-se mal, algumas coisas não iam bem
mas nunca mais lembrara-se daquela imensa concha presa às costas
Que fazia seu ritmo lento parecer tão banal

quinta-feira, 25 de outubro de 2012




um dia de sabor,
             . . .         
sabor-ando
         saboreando

   . . . . . .                              
sabor-e-ando

domingo, 21 de outubro de 2012




poeminha cansado,
 caindo na pontinha da retina
         do lado esquerdo quase cego
meio surdo de soslaio

  foi escorrendo pela página quietinho
olhou pros lados e não viu ninguém

então foi dormir
   imaginando que assim se diria melhor

sexta-feira, 19 de outubro de 2012



Teu sorriso é o meu recreio
                                                         
um espaço fora do tempo
                                                                
onde estendo meus alfarrábios de imaginação

e canto os som das risadas tuas
      _ _ _                 -------                
para os próximos que viverão


teu desprezo

brincadeirinha leve,
coisa à toa

mas destoa,
       ah se Des-toa

 teus olhos de pirulito do avesso
    extraviados do meu rosto

circulam as paredes e entorpecem os móveis


a falsidade é uma megera a arrastar chinelas
 amarga e solitária passeia dentro de ti
             
               nem te parece que seja
         mas este teu disfarce não me alveja

serena e contrária faço que não vejo

este teu desconcertante ensejo

pode sossegar
não vou me magoar

por mim você pode desprezar
chapinhar
e até se afogar
de tanto desprezar

quarta-feira, 10 de outubro de 2012




O que querem de mim?

se nem eu mesma sei o que desejo

além desse silêncio merecido que se alastra
e que enquanto se expande pelas paredes
constrói espaços livres

onde posso sentar na paz de uma corrida
onde posso correr sem ser tolhida

e ficar a sós
com meus pedacinhos todos
saudosos de se encontrar

é tão boa essa saudade matada de si mesmo
e tão genuíno o sorriso de boas vindas
quando vem de dentro do próprio peito

é uma preguiça sem alerta qualquer
um estar por estar
que se traduz
e conduz
em simplesmente ser o que se é
sem nomenclatura
sem idioma
e nem conduta




e o que querem de mim, que queiram logo mais
daqui uns anos e alguns dias

porque hoje e por enquanto
já não posso ser de ninguém
além de minha

quinta-feira, 4 de outubro de 2012




            Teu espaço em mim

 grãos de areia escorrendo entre os dedos

     caindo e colando, um após o outro

tantos dias de mar, tantos dias de praia

 tantos dias de nada para falar

e tudo para entender

e tudo aquilo sobre mim que você sempre entendeu tão bem como ninguém

como ninguém


             e me falou com os olhos, os olhos todos,
imensos e risonhos na tua face fina e elegante

            os olhos que a tudo riam e escrutavam

como píxels poli-sensíveis dentro de mim

de uma voz clara e possível
  a ecoar, escoar pelos ventos da memória minha

retinindo no âmago por dias

e a te entender em anos, em anos
que vivi
contigo

de céu árido ao luminoso
 e a noite rir,rir
   e às vezes, até cantar


e ter a graça, e a empáfia tua, tão digna
e por vezes tão desnecessária
 e como te retinias sem objetivo

          mas o carinho, que havia

que havia

nos beijos e abraços
 em  tudo teu mais

hoje percorro as estantes a te procurar
em alguma página de livro te encontrar
rabisco sem vontade
algum desenho que jamais verás
sem saber buscava
teu olhar pra me espelhar

tenho teus braços nos meus
pra me aquecer
e tuas frases na boca
pra qualquer ocasião

teu passo lépido sempre me acompanha


e mesmo sem vontade, sigo andando
com aquela tua ideia louca de que qualquer coisa diferente pode acontecer

e sem querer idolatro aquela tua certeza plena
mesmo quando não fazia
não havia
nem dizia

mas acreditava
e como acreditavas

e queria poder dizer que melhorei
que mudei
que fiz mais

e no entanto

não

quase ou nada se moveu
apenas a vontade
que segue inteira
verdadeira
de buscar
qualquer maneira
a que seja



de acreditar
















amo-te, eternamente

segunda-feira, 1 de outubro de 2012






e se depois de tanto tempo se perguntar como é que vai ser              


                              e não ter uma gota de nada pra contar

mas ter toda a sede necessária pra acertar


e se a urgência era  necessária
          e sua chegada aguardada


tão mais imperativo era estar ali para vivê-la