quinta-feira, 4 de outubro de 2012




            Teu espaço em mim

 grãos de areia escorrendo entre os dedos

     caindo e colando, um após o outro

tantos dias de mar, tantos dias de praia

 tantos dias de nada para falar

e tudo para entender

e tudo aquilo sobre mim que você sempre entendeu tão bem como ninguém

como ninguém


             e me falou com os olhos, os olhos todos,
imensos e risonhos na tua face fina e elegante

            os olhos que a tudo riam e escrutavam

como píxels poli-sensíveis dentro de mim

de uma voz clara e possível
  a ecoar, escoar pelos ventos da memória minha

retinindo no âmago por dias

e a te entender em anos, em anos
que vivi
contigo

de céu árido ao luminoso
 e a noite rir,rir
   e às vezes, até cantar


e ter a graça, e a empáfia tua, tão digna
e por vezes tão desnecessária
 e como te retinias sem objetivo

          mas o carinho, que havia

que havia

nos beijos e abraços
 em  tudo teu mais

hoje percorro as estantes a te procurar
em alguma página de livro te encontrar
rabisco sem vontade
algum desenho que jamais verás
sem saber buscava
teu olhar pra me espelhar

tenho teus braços nos meus
pra me aquecer
e tuas frases na boca
pra qualquer ocasião

teu passo lépido sempre me acompanha


e mesmo sem vontade, sigo andando
com aquela tua ideia louca de que qualquer coisa diferente pode acontecer

e sem querer idolatro aquela tua certeza plena
mesmo quando não fazia
não havia
nem dizia

mas acreditava
e como acreditavas

e queria poder dizer que melhorei
que mudei
que fiz mais

e no entanto

não

quase ou nada se moveu
apenas a vontade
que segue inteira
verdadeira
de buscar
qualquer maneira
a que seja



de acreditar
















amo-te, eternamente

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