quarta-feira, 28 de novembro de 2012



tivemos tudo
tudo
rolando
sendo
caindo
é essa fome insana
insone
de não saber o que comer
com que mãos
enfiam-se os dois braços
quebram-se pernas
apenas por pensar saber
e penam
penam
penas
que por fim
caem ao chão
por comer qualquer coisa
que mate a fome
apenas mate
mate
mate
mate
morra
morre
não de fome
mas de falta de alimento
vai enchendo os bolsos
comendo o passado
o passageiro
o vão
fresta de luz
qualquer coisa que tape
esconda o vazio
que mora em ti

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

de bons momentos



quando podemos olhar para dentro através do que está fora
e nos encontramos
e nos pegamos surpresos com o que vemos
ai sorrimos, porque finalmente gostamos do que estamos vendo
e que as coisas não foram assim tão em vão, e tanto tempo perdido, desperdiçado
porque afinal de contas encontramos boas coisas plantadas, cultivadas sem nem ao menos sabermos que estávamos cultivando

terça-feira, 13 de novembro de 2012

divina comédia




Ele será, será

e virá virá

todo homem, pretenso ser humano
toda pessoa, sujeita de si mesma

é só uma história, não precisamos acordar para dormir
e dormir para dentro, como peixes sugando o ar da água
e borbulhar o oxigênio feito sentimento
pulsando pelos espaços do corpo


e não há nada para contar, nada de acontecer
que já não devesse estar
escrito
e ninguém errou ou foi devorado
o que aconteceu era um simples fato

de não ser
e não ser
e pra quê ser?

Para pulsar e deixar desfalecer?
o corpo inerte, a vida que se foi
as dores que morreram na manhã clara de um dia qualquer
quando se levantou e descobriu que uma parte sua se foi
e já não doía


todo mundo vai embora porque não pode ficar
e todo mundo para porque não pode continuar
e há os que continuam porque não podem parar
e todos tem uma parte de cada um
personas bem ou mal vestidas
que hora sobem ao palco,
hora se escondem atrás da cortina

em ganas de se mostrar
enganos ao meu olhar

que abertos recolhem antes que dissolva
e pra dentro proclamam
os verdadeiros desatinos do desencanto
pra dentro converso com a minha alma
e já não há
palma
jaula
lama
ou poeira
nem acontecido por acontecer
e nem o que deveria, mas não podia ser
há o mar
o espaço não singrado
há as substâncias todas para solução

em mim há
a mágica por fazer
o não sabido sem medo
o dia por nascer
em mim há
a viabilidade de todas as possibilidades

nenhum peso no coração,
nenhuma caixa feia escondida no alçapão
tapetes pegando sol nas janelas
sem portas que não abrem
sem salas que não encontram saída

eu estou, onde deveria estar
pronta para minha vida acontecer
e acrescentar