terça-feira, 13 de novembro de 2012

divina comédia




Ele será, será

e virá virá

todo homem, pretenso ser humano
toda pessoa, sujeita de si mesma

é só uma história, não precisamos acordar para dormir
e dormir para dentro, como peixes sugando o ar da água
e borbulhar o oxigênio feito sentimento
pulsando pelos espaços do corpo


e não há nada para contar, nada de acontecer
que já não devesse estar
escrito
e ninguém errou ou foi devorado
o que aconteceu era um simples fato

de não ser
e não ser
e pra quê ser?

Para pulsar e deixar desfalecer?
o corpo inerte, a vida que se foi
as dores que morreram na manhã clara de um dia qualquer
quando se levantou e descobriu que uma parte sua se foi
e já não doía


todo mundo vai embora porque não pode ficar
e todo mundo para porque não pode continuar
e há os que continuam porque não podem parar
e todos tem uma parte de cada um
personas bem ou mal vestidas
que hora sobem ao palco,
hora se escondem atrás da cortina

em ganas de se mostrar
enganos ao meu olhar

que abertos recolhem antes que dissolva
e pra dentro proclamam
os verdadeiros desatinos do desencanto
pra dentro converso com a minha alma
e já não há
palma
jaula
lama
ou poeira
nem acontecido por acontecer
e nem o que deveria, mas não podia ser
há o mar
o espaço não singrado
há as substâncias todas para solução

em mim há
a mágica por fazer
o não sabido sem medo
o dia por nascer
em mim há
a viabilidade de todas as possibilidades

nenhum peso no coração,
nenhuma caixa feia escondida no alçapão
tapetes pegando sol nas janelas
sem portas que não abrem
sem salas que não encontram saída

eu estou, onde deveria estar
pronta para minha vida acontecer
e acrescentar




Um comentário:

  1. ... E porque é assim, e só assim, desse jeito
    Desconheço meios de ir além, com efeito;
    Sei, por fim, que aqui cheguei
    e já era assim.

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